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Setor Secundário

Nos últimos cinco anos, 55 grandes empreendimentos industriais se instalaram na Paraíba, atraídos por incentivos fiscais do governo estadual. No mesmo período, outras 50 médias e pequenas empresas também implantaram seus negócios. Uma das prioridades para desenvolver a economia está no setor industrial.

Segundo cálculos do Governo, esses empreendimentos injetaram na economia da Paraíba cerca de R$ 2,5 bilhões e geraram mais de 50 mil empregos diretos. Os municípios que têm os distritos industriais mais desenvolvidos são João Pessoa, Campina Grande, Conde, Bayeux e Santa Rita.

Em 2001, o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba (FAIN), órgão do Governo Estadual ligado à Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (CINEP), aprovou a concessão de incentivos fiscais para 11 grupos que pretendem se instalar no Estado e para cinco projetos de revitalização, modernização e ampliação. Os investimentos das 16 empresas ficarão em torno de R$ 96 milhões. Juntas, elas prometem gerar 932 empregos diretos. Outras 11 cartas-consultas de empresas que querem se estabelecer no Estado foram aprovadas pelo FAIN.

Dentre os 16 projetos aprovados, destaca-se o da Indústria Têxtil Ervest Ltda., que vai produzir fios de algodão em Campina Grande. A Ervest prevê investimentos de R$ 40,1 milhões na montagem de sua linha de produção e se compromete a gerar 76 empregos.

O segundo maior investimento é o do grupo Suconor S.A., voltado para produzir suco concentrado de abacaxi para exportação. A empresa está investindo cerca de R$ 31 milhões na instalação de sua fábrica e pretende gerar 111 empregos diretos. O parque fabril da empresa já está montado no Distrito Industrial de João Pessoa e deve entrar em operação até meados do próximo ano.

O terceiro maior investimento aprovado pelo FAIN – R$ 10 milhões – será concretizado pela Edna Produtos Alimentícios Ltda., que vai produzir alimentos e material de limpeza em João Pessoa, devendo criar 73 empregos.

Os outros projetos são nas áreas de móveis, vestuário, materiais plásticos, minerais não-metálicos, montagem de dessalinizadores, alimentos, produtos de limpeza, refrigerantes, cerâmicas, artefatos de couro, calçados, compostos de PVC e fabricação de meias.

Ao todo, em 2001, 37 empresas estimaram um investimento de R$ 800 milhões na economia do Estado, com a previsão de gerarem cerca de 4,2 mil empregos. Representantes de 31 grupos nacionais e estrangeiros interessados em se instalar ou ampliar suas instalações no Estado foram recebidos pelo então governador José Maranhão para a assinatura de protocolos de intenção e compromissos de investimentos no valor de R$ 620,4 milhões.

Também foram assinados termos de compromissos de investimentos de grandes grupos estrangeiros como o italiano Colorobbia, o português Cimpor, os argentinos Molinos Canuelas e Duendes Del Bosque, e o suíço Frank Douat, e brasileiros, a exemplo do paulista Ever-Green, o carioca Copacabana Tecidos, os pernambucanos São Simão, Guedes e Nortequeímica.

Os compromissos celebrados pelas 31 empresas proporcionarão a geração de mais de 3 mil empregos diretos e 9 mil empregos indiretos.

Em relação ao setor de minerais não-metálicos, está previsto o aumento da produção de cimento da Paraíba das atuais 2,35 milhões de toneladas/anos para 4,406 milhões, quando duas novas indústrias pertencentes aos grupos São Simão (Pernambuco) e Cimpor (Portugal) comecem a operar. As unidades, que alavancarão em 87,5% a produção, serão instaladas nos municípios de Conde e Alhandra, no Litoral Sul do Estado, e transformarão a Paraíba no maior produtor de cimento do Nordeste.

A exemplo da Companhia Paraibana de Cimento Portland (Cimepar), pertencente a Cimento Portland (Cimpor), e da Cimento Poty da Paraíba S.A (Cipasa), que já operam no Estado, os novos empreendimentos planejam destinar toda a sua produção para o mercado interno, principalmente o nordestino. A Cimepar produz cerca de 750 mil toneladas de cimento/ano, segundo a direção. Conforme o coordenador de clínquer (principal matéria-prima do cimento) da Cipasa, do grupo Votorantim, Fábio Martins Cesconetto, a fábrica instalada no município de Caaporã, também no Litoral Sul, produz 1,1 milhão de toneladas/ano. Recentemente, a indústria ampliou a capacidade de produção para 1,6 milhão de toneladas/ano.

O grupo São Simão iniciou em janeiro de 2001, no município de Alhandra, as obras de instalação de sua primeira fábrica de cimento numa área de 30ha, adquirida com recursos próprios. Os investimentos, segundo o presidente do grupo, José Pedro da Silva Filho, chegarão a US$ 120 milhões e vão gerar em torno de 280 empregos diretos e 1,8 mil empregos indiretos.

No que se relaciona ao setor químico, o destaque é para o investimento efetuado pelo grupo pernambucano NortQuímica que amplia sua atuação no mercado nordestino e vai investir em torno de R$ 8,5 milhões na instalação da primeira indústria de beneficiamento de enxofre da Região. O parque fabril da empresa está sendo implantado no município de Pedras de Fogo, a 50 quilômetros de João Pessoa, na divisa entre os estados da Paraíba e de Pernambuco.

No que se refere ao processo de descentralização industrial dados da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep) aponta o crescimento do parque industrial em cidades do interior da Paraíba, a exemplo de Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras e São Bento. De acordo com a Fiep, essas cinco cidades estão se transformando em pólos de desenvolvimento, apesar da seca e da crise econômica.

Com cerca de 100 mil habitantes, a cidade de Patos, a 300km de João Pessoa – se transformou em um dos maiores pólos calçadistas do interior do Nordeste. As 101 indústrias de calçados da cidade produzem 400 mil pares/mês, movimentam cerca de R$ 2,5 milhões, apresentam um potencial de crescimento em torno de 75% e podem atingir uma produção de 700 mil pares/mês. O setor de movelaria é outro que começa a ganhar destaque naquela cidade, segundo os dados da Fiep.

A economia de São Bento, município com cerca de 30 mil habitantes, localizado a 420km de João Pessoa, é movimentada por 300 pequenas, médias e grandes indústrias têxteis que fabricam 600 mil redes/mês. Ao todo, são 1,2 mil teares funcionando dia e noite para atender à demanda de consumo em vários estados brasileiros.

A produção de redes de São Bento já cresceu tanto que se espalha por outros municípios. A economia do vizinho município de Brejo da Cruz, por exemplo, também é movida pelos teares. Segundo a Prefeitura, existem cinco grandes fábricas de redes – com mais de 10 teares – e outras 25 pequenas, com até cinco teares.