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Comércio exterior do agronegócio no nordeste: grãos

O Caderno Setorial ETENE apresenta a série limitada "Panorama do agronegócio do Nordeste". Nesta edição, temos como tema a produção de grãos, com destaque para o complexo soja. Você pode acessar todas as análises completas na página do Caderno Setorial ETENE.

 

Comércio exterior do complexo soja no nordeste

Em 2018, o Comércio Exterior do Agronegócio do Nordeste movimentou cerca de US$ 10 bilhões em transações comerciais, com superávit de US$ 6 bilhões. O complexo soja, com a alta de 43,65% nas vendas em relação a 2017, participa com 60% do saldo total da balança comercial do agronegócio do Nordeste, US$ 3,6 bilhões em exportações. Considerando a magnitude da produção de grãos e de algodão dos cerrados, Bahia, Maranhão e Piauí são os maiores exportadores do Nordeste. Na comparação com 2017, as exportações cresceram 12,93% e as importações recuaram 8,58%. Isto permitiu uma alta de 25,40% no superávit da balança comercial do agronegócio do Nordeste, fechando 2018 com saldo de cerca de US$ 6 bilhões.

O complexo soja (soja em grãos, óleo de soja e farelo de soja) compreende o principal item da pauta de exportações do Nordeste, e tem na soja em grãos, 86,86% das exportações do complexo. Em 2018, foram embarcadas cerca de 9,27 milhões de toneladas, sendo 8 milhões de toneladas de soja em grãos, para 27 países, com faturamento de US$ 3,61 bilhões para o complexo (Tabela 1).

A Bahia é o maior produtor de soja do Nordeste, com mais de 5 milhões de toneladas, seguido pelo Maranhão e Piauí, com 2,33 e 2,02 milhões de toneladas, respectivamente. Alagoas também passou a produzir soja, com uma quantidade ainda pequena (5,5 mil t), fruto do surgimento do Sealba. A exemplo do Matopiba, é o acrônimo para designar a região contígua de 171 municípios, na faixa meso-oriental de Sergipe (69 municípios) e Alagoas (74) e no nordeste da Bahia (28), totalizando 5,15 milhões de hectares, com potencialidades para produção de cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho (cuja maior produtividade está em Sergipe), soja e também para a pecuária. Na Bahia, a safra 2017/2018 de soja foi recorde, devido às boas condições climáticas, e ao mercado favorável, que contribuíram para a alta das exportações.

 

Tabela 1 – Exportações nordestinas do complexo soja no Nordeste 2017/2018 (US$)

Fonte: ComexStat (2019), elaboração ETENE/Banco do Nordeste.

 

E a China tem sido o principal parceiro comercial do Brasil para o Complexo Soja, concentrando 78,82% das exportações e, não obstante, as vendas do Brasil para aquele país cresceram 73,01% de 2017 a 2018. Neste mesmo período, destaca-se, ainda, no continente asiático, a alta de 227% das exportações de soja para a Coreia do Sul, sendo, portando, o segundo principal destino das exportações do complexo, seguido pela Alemanha. Em 2018, a venda a estes países resultou no faturamento bruto de US$ 2,84 bilhões, US$ 149,84 milhões e US$ 140,36 milhões, nesta ordem.

Ainda em relação à China, a soja em grãos é matéria-prima para transformação em torta e em óleo de soja, para revenda, produtos de maior valor agregado. Não obstante, a alta das exportações também é uma consequência do conflito comercial entre China e Estados Unidos, outrora grande fornecedor do país asiático, que passou a comprar mais do Brasil em 2018, enquanto não houve trégua na disputa.

 

Perspectivas

De acordo com analistas do BACEN, o cenário externo permanece desafiador. Avaliam que os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem e que incertezas sobre políticas econômicas e de natureza geopolítica podem contribuir para um crescimento global ainda menor.

A participação do complexo soja nas exportações do agronegócio nordestino deverá crescer em meio a dois aspectos que podem causar turbulência nos preços do mercado mundial relacionados à China: 1) queda nos preços pela incerteza do escoamento da produção da safra americana, provocada pela indefinição da política comercial entre EUA e China, e; 2) decorrente do surto de Peste Suína Africana na China, no qual haverá redução da demanda da China por soja como insumo para alimentação de suínos que serão sacrificados e, também, pela redução geral do rebanho chinês.

Fonte: Caderno Setorial - ETENE