Voltar

Dica de Sustentabilidade na Agropecuária - Recuperação de Solos - Parte 1

Todo agricultor ou pecuarista experiente e consciente sabe que o solo de sua propriedade é seu ativo mais precioso. Entretanto, nem sempre esse ativo recebe os cuidados necessários à prolongada manutenção de sua capacidade produtiva.

A agricultura convencional infelizmente muitas vezes acaba envolvendo o corte da vegetação nativa, queima do material vegetal sobre o solo, aração, gradeamento e retirada total da cobertura vegetal, destruindo a estrutura do solo e expondo-o aos efeitos erosivos das chuvas torrenciais, ventos fortes e ressecamento solar. Tudo isso leva à degradação do solo, resultando em perda de sua capacidade produtiva e impactos ambientais como a emissão de gases do efeito estufa, formação de sulcos de erosão e voçorocas, assoreamento de rios e lagos. O bom manejo do solo pode evitar esses impactos indesejáveis, bem como a adoção de técnicas adequadas pode levar à plena recuperação da capacidade produtiva do solo.

Dada a importância desse tema, ao longo dessa e das próximas três dicas de sustentabilidade abordaremos diferentes técnicas para a recuperação e conservação de solos. Vamos à primeira dica.

Estratégia de Recuperação de Solo nº 01: Regeneração natural

Também chamada de pousio, a técnica consiste em deixar os processos naturais atuarem livremente sobre o solo degradado. Essa técnica é aplicável em locais que apresentam uma boa densidade e diversidade de plantas nativas com potencial regenerador. Esse potencial ocorre quando:

a) há várias rebrotas;
b) há remanescentes de vegetação nativa nos arredores;
c) o solo ainda se encontra pouco compactado; e
d) há baixa presença de espécies invasoras (ex.: gramíneas). 

Em solos agrícolas, o pousio ajuda o solo a restabelecer sua estrutura, com aumento dos níveis de matéria orgânica, a redução do inóculo de doenças e pragas e o controle de ervas invasoras. Quando o potencial de regeneração natural do local a ser recuperado é alto (identificado por levantamento), a tomada de algumas medidas prévias se faz necessário, como por exemplo avaliar e retirar os principais fatores de degradação e realizar o isolamento da área por meio de cercamento ou da construção/manutenção de aceiros, o que permitirá o retorno gradual da vegetação. Com o isolamento prolongado, ocorre aos poucos o desenvolvimento de vegetação arbustiva que, com o passar dos anos, evolui para vegetação com características de floresta secundária. Já quando o potencial regenerador não é muito alto e quando se deseja acelerar o processo de recuperação, outra técnica pode ser utilizada, como a regeneração natural com manejo, o que abordaremos com mais detalhes na próxima dica de sustentabilidade, não perca.

A recuperação de solos é um item que pode ser financiado pela linha FNE Verde do Banco do Nordeste. Confira!

Leitura consultada e recomendada:

Embrapa – Código Florestal – Estratégias de Recuperação
Documentos Embrapa 90 – Práticas de Conservação do Solo e Recuperação de Áreas Degradadas;
Manual para recuperação de áreas degradadas por extração de piçarra na Caatinga;
Como a natureza cria e mantém fertilidade.

Autor: Mario Eduardo Fraga da Silva é Engenheiro Agrônomo, Especialista em Avaliação Ambiental de Projetos, Mestre em Ecologia e praticante da Permacultura. É funcionário de carreira do Banco do Nordeste onde atua como Gerente de Produtos e Serviços na Célula de Meio Ambiente, Inovação e Responsabilidade Socioambiental, inserida no Ambiente de Políticas de Desenvolvimento. Como atividade paralela ministra cursos de Permacultura e de Agrofloresta, sendo membro fundador e atual Presidente do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Ceará – IPC.