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PIB do Agronegócio avança em julho e mantém crescimento no acumulado do ano

 O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e com a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), apresentou leve alta de 0,12% em julho. No acumulado do ano (de janeiro a julho), o desempenho seguiu positivo, em 0,64%.

Os segmentos de insumos (+0,77%), agroindústria (+0,36%) e agrosserviços (+0,55%) registraram elevações em julho, com recuo apenas no segmento primário (-1,14%). No acumulado de janeiro a julho de 2019, o segmento primário seguiu apresentando baixa, de 2,99%, enquanto insumos (+7,88%), agroindústria (+1,60%) e agrosserviços (+1,18%) apresentaram crescimentos.

O ramo agrícola recuou 0,75% em julho e 1,75% no acumulado de janeiro a julho, resultado influenciado sobretudo pelas baixas do segmento primário. Em julho, o segmento primário (-2,39%), a agroindústria (-0,20%) e os agrosserviços (-0,58%) apresentaram redução, enquanto o segmento de insumos cresceu 1,02%. No acumulado dos 7 primeiros meses do ano, os segmentos de insumos e agroindustrial expandiram 9,95% e de 0,81%, respectivamente. Já os segmentos primário (-9,82%) e de agrosserviços (-0,78%) registraram reduções. Como mencionado em relatórios anteriores, o PIB do segmento primário se mantém pressionado por maiores custos de produção e menores preços de seus produtos.

Já o ramo pecuário, cresceu 2,30% em julho e 7,04% nos 7 primeiros meses do ano. Tais altas refletem expansão em todos os segmentos da pecuária: insumos (0,25% e 3,44%), primário (1,13% e 10,96%), agroindústria (2,81% e 4,84%) e agrosserviços (3,24% e 6,00%), em julho e no acumulado de janeiro a julho, respectivamente.

Embora o segmento primário da pecuária também siga pressionado por elevados custos de produção, a alta dos preços dos seus produtos, aliado a um maior volume de produção, têm garantido expansão de 10,96% nos primeiros 7 meses do ano, e 1,13% em julho. O segmento apresenta aumento nos preços principalmente de suínos, frango e leite. O aquecimento da demanda com reflexo nos preços, derivam principalmente da crescente demanda chinesa por proteína animal, no contexto da Peste Suína Africana.

 

Segmento de insumos: crescimento se mantém em julho, para ambos os ramos

Na indústria de fertilizantes, importante atividade do segmento de insumos, espera-se um aumento de faturamento de 15,65% em 2019. Tais expectativas estão ancoradas em preços 13,04% maiores de janeiro a julho de 2019, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Além da maior procura, destaca-se a desvalorização da taxa de câmbio como o principal responsável pelo aumento dos preços. Como resultado, o preço mais elevado impactou a demanda e também a produção nacional de fertilizantes, de modo que se espera crescimento modesto de 2,31% no ano.

Já na indústria de defensivos, além da elevação de 6,29% do preço na comparação entre períodos, espera-se aumento de 29% na quantidade produzida em 2019. Conforme mencionado em relatórios anteriores, essa alta provavelmente reflete a internalização da produção de defensivos em resposta à supressão da oferta por parte da China, como parte de medidas de mitigação da poluição. Com efeito, é esperado aumento de 37,12% no faturamento da indústria.

Quanto à produção de máquinas agrícolas, espera-se queda de 5,80% em 2019. Segundo a Anfavea, a demanda segue em baixa comparativamente a 2018. As incertezas quanto à liberação de crédito, em especial o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) têm repercutido nas decisões de investimento. Ainda assim, segundo a Anfavea, em julho detectou-se importante recuperação. O aumento de 4,52% no preço amenizou a queda do faturamento, sendo esperada baixa de 1,54% em 2019.

No ramo pecuário, espera-se alta do faturamento da indústria de rações (+6,49%), impulsionado pelo aumento de 7,67% do preço do produto apesar da queda de 1,10% da quantidade produzida. Já para a indústria de medicamentos veterinários, há um avanço moderado de 1,16% do preço acompanhado de expectativa de incremento de 3,12% da quantidade produzida, resultando em crescimento esperado de 4,31% no faturamento da indústria.

 

Segmento primário: renda do segmento agrícola segue pressionada pela alta nos custos

As Figuras 1 e 2 detalham os resultados específicos do segmento por atividades agrícolas e pecuárias. Entre as culturas do segmento primário agrícola acompanhadas pelo Cepea, projetam-se crescimentos nos faturamentos em 2019 para algodão, banana, batata, cacau, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, tomate, trigo, uva e lenha/carvão. Já as culturas para as quais se projetam quedas no faturamento são arroz, café, fumo, mandioca, soja, madeira em tora e madeira para celulose.

Dentre as culturas com expectativa de aumento de faturamento, destaca-se o caso do feijão, em que se espera um amento de 92,10% no faturamento. Este crescimento é impulsionado pela alta de 98,03% no preço do produto comparando-se os meses de janeiro a julho de 2019 frente ao mesmo período de 2018, enquanto a previsão de produção para o ano apresenta queda (-2,99%). De acordo com a Conab e com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), a queda na previsão de oferta e o aumento nos preços resultam da diminuição de área e das condições climáticas desfavoráveis à cultura, especialmente no estado da Bahia.

Os crescimentos projetados para o faturamento das culturas do cacau (+2,09%), trigo (+1,55%), tomate (+33,05%), laranja (10,01%) e uva (2,33%) refletem os aumentos nos preços na comparação entre períodos (janeiro a julho de 2019 frente a janeiro a julho de 2018). Segundo a Conab, para o cacau os preços seguem a tendência de alta, além do aumento da demanda de produtos derivados da amêndoa de cacau.

Para a cana-de-açúcar, o leve aumento esperado do faturamento (+1,98%) está atrelado à projeção de aumento na produção anual em 0,30% e ao aumento de 1,68% nos preços na comparação entre períodos. De acordo com a Conab, apesar da redução da expectativa de produção (-2,2%) de cana-de-açúcar no estado de São Paulo (maior produtor nacional) e da estimativa de redução da área colhida (-2,4%) no País, ganhos de produtividade nas demais regiões produtoras contribuem para a expectativa de aumento da produção.

No caso do algodão, o crescimento projetado para o faturamento anual (+17%) reflete a expectativa de expansão da quantidade produzida, em 35,91% para o ano, uma vez que os preços apresentaram queda de 13,91% na comparação de janeiro a julho de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. De acordo com a Conab, a perspectiva de produção recorde dentro da série histórica nacional advém principalmente do aumento significativo da área destinada à cultura (37,8% maior que a safra passada). A Companhia ressalta que o bom resultado da safra anterior e as expectativas promissoras para o mercado do algodão estimularam o incremento da área. De acordo com a equipe Algodão/Cepea, a redução dos preços é atribuída a dois fatores: i) às quedas nas cotações do algodão em pluma devido aos atrasos na colheita da safra 2018/2019 causados por intempéries climáticas (em especial, em localidades de Mato Grosso e da Bahia); ii) à conjuntura político-econômico de 2018 (destacando-se o estoque doméstico, a paridade de exportação positiva e a paralisação dos caminhoneiros).

Como na cultura do algodão, o crescimento projetado no faturamento da cultura do milho reflete a expectativa de aumento na quantidade produzida, uma vez que os preços apresentaram queda de 2,12% na comparação entre períodos. Segundo a Conab, a maior produção de milho se deu pelo avanço da área destinada à cultura e pela maior produtividade, que, por sua vez, foi favorecida pelo clima e pela antecipação do plantio da soja, que possibilitou o aproveitamento integral da janela. Em relação aos preços, a equipe Grãos/Cepea indica que a redução é reflexo do avanço da colheita e da maior disponibilidade interna do grão.

Entre as culturas para as quais se projeta redução no faturamento, tem-se o caso da mandioca. A diminuição esperada de 34,20% no faturamento é reflexo da queda dos preços. De acordo com a equipe Mandioca/Cepea, a redução nos preços da raiz reflete a maior oferta e a redução da demanda pelos derivados da cultura, como amido e farinha.

No caso da soja, a redução projetada no faturamento (-10,10%) se deve à queda nos preços na comparação entre períodos (-6,78%) e também à projeção de menor produção (-3,56%). De acordo com a Conab, apesar do aumento de área destinada à cultura (+2,1%) em comparação à temporada 2017/2018, a produção de soja foi pressionada pelas oscilações e intempéries climáticas que afetaram a produtividade da cultura. A Companhia ressalta, no entanto, que, apesar da redução, a safra 2018/2019 se configura como a segunda maior da história. Quanto aos preços, segundo a equipe Grãos/Cepea, a queda em julho é reflexo dos baixos níveis de negociações no mercado spot e contratos a termo.

Figura 1 ­– Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2019/2018 com informações de julho/2019

Fontes: Cepea/USP, CNA e Fealq (elaborado a partir de dados do IBGE, Conab, IEA/SP, FGV, Cepea, Seagri/BA, Udop).

 

Para o segmento primário da pecuária, esperam-se aumentos nos faturamentos de todas atividades acompanhadas, como se observa na Figura 2.

Figura 2 – Pecuária: Variação anual dos preços e do faturamento 2019/2018 com informações de julho/2019

Fontes: Cepea/USP, CNA e Fealq.

Para a bovinocultura de corte, bovinocultura de leite e suinocultura de corte, o aumento no faturamento é reflexo da alta tanto nos preços (janeiro a julho de 2019 em relação ao mesmo período de 2018) quanto na quantidade produzida esperada. De acordo com a equipe Boi/Cepea, a alta dos preços é reflexo do bom desemprenho das exportações brasileiras de carne bovina e da regulação do volume ofertado de animais prontos para abate.

Para a bovinocultura do leite, o faturamento esperado avançou 21,63%, impulsionado principalmente pelo aumento do preço e também pelo incremento esperado na produção. De acordo com a equipe Leite/Cepea, este contexto é reflexo da elevada competição entre indústrias para aquisição de matéria-prima e da menor oferta de leite. Segundo a equipe, apesar do aumento esperado para a produção, o cenário para 2019 é incerto, mesmo com os altos preços e boa relação de troca com o milho.

No caso da suinocultura, a alta nas cotações reais e a projeção de aumento da produção na comparação entre janeiro a julho de 2019 e o mesmo período de 2018, de acordo com a equipe Suíno/Cepea, é reflexo da maior demanda por parte das indústrias, que buscam atender à procura externa aquecida, especialmente da China, em decorrência da Peste Suína Africana (PSA).

Quanto ao mercado de aves para corte, o crescimento no faturamento (+21,89%) é reflexo do aumento significativo nos preços reais, na comparação entre os períodos, enquanto a projeção de produção para o ano apresenta redução de 1,04%. Segundo a equipe Frango/Cepea, a forte alta das cotações do frango se deve ao bom desempenho das exportações e à demanda aquecida, especialmente do mercado externo em decorrência dos casos de PSA, como na suinocultura. Já o crescimento esperado do faturamento da produção de ovos é de 5,57%, conduzido pela variação positiva da quantidade (+7,27%), apesar da variação negativa nos preços.

Segmento industrial: Agroindústria acumula alta no semestre

O segmento agroindustrial registrou alta de 0,39% em julho de 2019, com redução de 0,20% para a indústria de base agrícola, mas aumento de 2,81% para a de base pecuária. No acumulado de janeiro a julho de 2019, o segmento cresceu 1,60%, com altas de 0,81% na indústria de base agrícola e de 4,84% na de pecuária.

Na indústria de base agrícola, espera-se um aumento de 0,34% no faturamento anual, resultado do avanço de 1,01% nos preços médios, tendo em vista a queda de 0,66% na produção média ponderada do segmento. Para a indústria de base pecuária, espera-se elevação de 9,53% no faturamento, em decorrência de preços 7,76% maiores, como também de aumento na produção em 1,65%, ambos em média.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola que apresentaram projeção de crescimento do faturamento foram: celulose e papel, vestuários, moagem e fabricação de produtos amiláceos (praticamente estabilidade), conservas de frutas/legumes/outros vegetais, açúcar, bebidas e outros produtos alimentares. As demais indústrias registram perspectivas de redução: produtos e móveis de madeira, biocombustíveis, têxtil, café, produtos do fumo e óleos vegetais (Figura 3).

Figura 3 – Agroindústrias de base agrícola: variação anual do volume, preços reais e faturamento das indústrias agrícolas acompanhadas

Fontes: Cepea/USP, CNA e Fealq (elaborado a partir de dados do IBGE, FGV e Cepea).

 

Tratando-se do segmento agroindustrial da pecuária, as indústrias de abate e preparação de carnes e de laticínios obtiveram resultados esperados positivos. Já a indústria de couro e calçados de couro registrou queda de faturamento esperado. Entre janeiro a julho de 2019, o preço recuou 3,08% em comparação ao mesmo período do ano passado; ao mesmo tempo, é esperada redução de 2,18% para produção do ano. Como resultado, espera-se queda de faturamento de 5,00% para 2019.

 A indústria de abate e preparação de carnes e pescado segue favorecida pela demanda internacional aquecida, em função da PSA que tem prejudicado a produção da carne suína pelos países asiáticos – principais consumidores da proteína. Em virtude disso, a indústria da carne acumula bons resultados (crescimento de +12,33% do faturamento esperado) em função, principalmente, do aumento do preço (+10,98% na comparação entre períodos), visto que a quantidade produzida esperada para 2019 crescerá apenas 1,27%.

Por fim, projeta-se crescimento de 5,36% para o ano para a indústria de laticínios, dada a combinação do aumento de 3,80% da produção esperada e de 1,50% do preço na comparação entre períodos.  Todavia, de acordo com a Equipe Leite/Cepea, os preços dos derivados lácteos têm registrado queda desde junho, em decorrência de baixa demanda. Para segurar essa queda, a produção foi refreada a fim de evitar estoque.

Segmento de serviços: Impulsionado pelos serviços ao ramo pecuário, segmento de serviços acumula alta de janeiro a julho

O segmento segue impulsionado pelos serviços prestados ao ramo pecuário. Nesse ramo, o PIB dos agrosserviços avançou 3,24% em julho e 6% no acumulado do ano, refletindo o bom desempenho dos segmentos a montante na cadeia – insumos, primário e agroindustrial –, que têm apresentado expansão da produção e maiores preços de seus produtos. Nesse cenário, destaca-se o impacto positivo sobre a demanda por serviços do elevado ritmo das exportações de proteína brasileira.

Já para o ramo agrícola, o PIB dos agrosserviços recuou 0,58% em julho, acumulando baixa de 0,78% nos primeiros sete meses do ano. A menor produção da agroindústria nesse ramo somada ao estreitamento das margens ao longo das cadeias agrícolas se refletiram na baixa observada no segmento de serviços.

Fonte: CNA