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16/11/2018 | Fintechs de crédito acumulam R$ 455,9 milhões em aportes nos último 12 meses

Publicado em 13/11/2018

Por redação - Conexão Fintech

 

As fintechs e startups focadas no mercado financeiro têm ganhado cada vez mais relevância no Brasil; isso é inquestionável. A vertical de soluções de pagamentos, liderada principalmente pelos cases de sucesso do Nubank e Neon, ganham manchetes dos jornais dia após dia.

Mas, apesar desse foco em pagamentos, a vertical de crédito no setor brasileiro de tech é uma das que mais crescem nos últimos anos. Oferecendo plataformas mais ágeis e simples para oferecer empréstimos, antecipação de recebíveis e negociação de dívidas, essas fintechs são umas das que têm atraído mais investimentos entre as startups financeiras do país.

Nos últimos 12 meses, as fintechs de crédito arrecadaram R$ 455,9 milhões em investimentos, o que representa mais de 27% do total investido em fintech no Brasil segundo o monitoramento do Conexão Fintech. Apesar dos grandes números, as startups com foco em crédito têm muito espaço para crescer no país, por exemplo ao oferecer crédito para empresas e soluções que busquem a inclusão financeira da população que hoje não tem acesso a crédito. Essa é a proposta do encontro que será realizado pelo Conexão Fintech no dia 06 de dezembro: aprofundar o debate e explorar como as startups e novas tecnologias podem mudar o mercado de crédito nacional.

Confira os investimentos em fintechs de crédito nos últimos 12 meses: 

Bom Pra Crédito
A fintech Bom Pra Crédito, um marketplace de crédito on-line do Brasil, recebeu investimento da rodada Serie A de R$ 22 milhões liderada pela Innova Capital.  O investimento foi acompanhado pela Astella Investimentos e por Ricardo Loureiro, ex-presidente do Serasa-Experian que já haviam investido em rodadas anteriores. 

Rebel
A Rebel, fintech de empréstimo pessoal, recebeu um aporte de R$ 14,9 milhões (US$ 4 milhões) numa rodada liderada pela Monashees. Também participaram da rodada a XP, J. Malucelli e a Point Break Capital. Somado aos investimentos anteriores, a fintech já captou R$ 20 milhões. A startup é uma fintech de crédito que usa tecnologia para agilizar empréstimos pessoais para a classe média. Segundo a assessoria, o novo investimento deve ser alocado principalmente na área de tecnologia. Atualmente, ela já usa machine learning e inteligência artificial para calcular taxas com base no perfil de cada cliente e também usa blockchain para certificar seus contratos. 

BizCapital
A BizCapital, fintech de crédito que oferece empréstimos para micro e pequenas empresas, recebeu um aporte de R$ 20 milhões da Quona Capital e dos fundos Monashees e Chromo Invest. É o segundo recebido pela fintech neste ano, que pretende usar os recursos para investir em tecnologia e preparar a companhia legalmente para entrar com pedido no Banco Central para se tornar uma Sociedade de Crédito Direto (SCD). 

Negocie Online

A Negocie Online, plataforma de autosserviço digital para usuários negociarem dívidas, recebeu um investimento de R$ 5 milhões da Accesstage, empresa especialista em soluções para intercâmbio de dados financeiros. Esse é o segundo aporte da Accesstage em fintechs, o primeiro foi em julho na Moneto. 

Moneto
A Moneto, fintech de gestão de recebíveis e cobrança online, recebeu um investimento semente de R$ 2 milhões da Accesstage, uma empresa de soluções financeiras e gestão de processos. Lançada em 2016, a Moneto é uma startup de São José dos Campos (SP) que oferece uma plataforma tecnológica visando acelerar o recebimento de vendas por cartão de crédito, débito e boletos, permitir a gestão da cobrança e do fluxo de caixa de forma mais prática para o mercado de microempreendedores e profissionais autônomos. (Saiba mais)

Creditas (ex-BankFácil)
A fintech Creditas, uma plataforma online de empréstimos com garantia, recebeu um aporte de US$ 55 milhões (cerca de R$ 190 milhões) numa rodada de investimentos série C liderada pelo fundo sueco Vostok Emerging Finance. Dois novos investidores participaram dessa rodada, o Amadeus Capital Partners e o Santander InnoVentures, fundo do banco Santander que compra participações em startups, sendo essa a primeira vez que o Santander investiu numa empresa brasileira. 

FinanZero
A FinanZero, fintech de capital sueco que opera como correspondente bancário online para negociar empréstimos junto a instituições financeiras, recebeu um aporte no valor de R$ 12 milhões. A rodada série A foi liderada pelo fundo sueco Vostok Emerging Finance com a participação de outros investidores suecos, incluindo a Webrock Ventures e a Zentro. Com este investimento, a FinanZero quer ampliar sua equipe além de investir no aprimoramento da sua própria plataforma online, garantindo uma experiência mais transparente e menos burocrática na contração de empréstimos. 

BizCapital
A BizCapital, fintech que oferece crédito a micro e pequenas empresas sem acesso a grandes bancos, recebeu seu segundo aporte, no fim de fevereiro. Ela receberá R$ 15 milhões a serem aplicados em suas operações e desenvolvimento, numa rodada de investimentos liderada liderada pela Chromo Invest e pela 42K Investimentos. 

Zen Finance
A fintech de crédito Zen Finance acaba de receber uma rodada de investimentos do Global Founders Capital, fundo com sede em Munique, Alemanha. O valor (não divulgado) será utilizado na expansão da equipe de colaboradores e nos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) da startup. A rodada de investimentos também contou com a participação de Philipp Povel, fundador e CEO da Dafiti, e Carlos Eduardo Norbert, da Petronia Capital, investidor e executivo com mais de 17 anos de experiência em private equity, venture capital e fusões e aquisições. 

Creditas
A Creditas, empresa que concede crédito pessoal com garantia em veículos e imóveis, acaba de fechar uma nova rodada de aporte de capital, no valor de R$ 165 milhões. O investimento é o segundo em 2017. No início do ano, a fintech recebeu um aporte de R$ 60 milhões de reais. 

QueroQuitar!
A QueroQuitar!, uma startup fintech de negociação online de dívidas e educação financeira, recebeu um investimento de R$ 1 milhão do Fundo BR Startups no início de dezembro de 2017.  A QueroQuitar é uma plataforma que busca tornar mais simples a quitação de dívidas tanto para o usuário como para a cobradora, pois elimina intermediários. A startup informa que já ajudou mais de 280 mil pessoas a resolverem suas pendências financeiras. 

Adianta
A Adianta, fintech de antecipação de recebíveis para PMEs (pequenas e médias empresas), recebeu um aporte no valor de R$ 5 milhões da Osher Tech, divisão de investimentos da Osher Investimentos e Participações. Criada em março de 2017, a Adianta tem como foco as PMEs, oferecendo um serviço digital de antecipação de recebíveis de maneira mais ágil e simplificada que as empresas tradicionais do setor. (saiba mais)

Noverde
A Noverde, uma fintech de empréstimos criada em 2016, recebeu em novembro de 2017 um investimento de R$ 4 milhões da Domo Invest. Essa é a segunda rodada de investimentos recebida pela Noverde, que a partir desse aporte deve aumentar a base de clientes e abranger uma parcela ainda maior da população que não consegue obter empréstimos dos bancos convencionais. O intuito da Noverde é ajudar seus clientes a se manter no verde sem burocracia e com juros mais justos que o praticado pelo mercado. 

12/11/2018 | Fintechs atraem investimentos e avançam em mercado dominado por grandes bancos

Publicado em 12/11/2018

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Tais Laporta - G1

 

Brasil vive um 'boom' de startups financeiras e um ambiente favorável à concorrência, mas ainda são poucas as empresas que expandiram seus negócios no segmento.

 

O setor financeiro não é mais o mesmo desde a chegada das fintechs – empresas do segmento que aplicam tecnologia para melhorar suas atividades. Beneficiadas pela tecnologia e por um esforço de regulamentação, elas cresceram e ganharam espaço em um mercado antes impenetrável, concentrado há décadas nos cinco maiores bancos.

As fintechs são empresas de tecnologias focadas no mercado financeiro. Elas têm oferecido uma gama variada de serviços, como empréstimos pessoais e gestão de investimentos. Em tese, prometem um serviço mais ágil e menos burocrático do que o dos bancos. A maioria opera apenas em plataformas digitais.

O G1 publica, a partir desta semana, uma série de entrevistas com executivos de fintechs sobre os desafios e oportunidades do setor.

Dia 12/11: David Vélez, fundador e CEO do Nubank
Dia 19/11: Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso
Dia 26/11: Sergio Furio, presidente da Creditas
Dia 3/12: Gustavo Chamati, CEO do Mercado Bitcoin

O crescimento acelerado do setor fica evidente quando se olha um levantamento da entidade que representa cerca de 350 empresas do segmento, a Abfintechs, em parceria com a PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers). Em 2011, 28 startups financeiras haviam sido criadas. Já no ano passado, surgiram 219.

 

Mas deste universo, poucas fintechs conseguiram expandir seus negócios – metade delas ainda está em início de operação. Hoje, 58% não atingiram o break-even, o ponto em que começam a ter lucro, segundo estudo da Abfintechs.

Isso revela que o caminho para manter o negócio em funcionamento não é simples e muitas empresas acabam ficando pelo caminho. Cerca de metade das fintechs criadas desde 2011 – em torno de 700 – não existem mais.

Para o conselheiro da ABFintechs, Guilherme Horn, a taxa de mortalidade do segmento é baixa se comparada às demais startups, que é de 90%. "Os empreendedores das fintechs costumam ser mais experientes e maduros e isso ajuda a dar uma sobrevivência maior", diz.

A dificuldade em conseguir capital e ganhar escala ainda é grande, mesmo com o potencial para atrair clientes insatisfeitos com os serviços bancários, além parte do público desbancarizado, que soma 60 milhões de pessoas.

As maiores fintechs brasileiras – entre elas Nubank, Creditas e Guiabolso – tiveram um crescimento robusto nos últimos quatro anos, beneficiadas por rodadas de investimentos, mas há um longo caminho a percorrer.

Os 5 milhões de clientes que o Nubank alcançou em seu cartão de crédito representam um número expressivo, mas ainda é muito pequeno perto do universo abocanhado pelos grandes bancos. Bradesco e Itaú, por exemplo, têm respectivamente 95 milhões e 76 milhões de clientes, segundo o Banco Central.

 

Cenário de concorrência

Dois terços das fintechs criadas no Brasil têm se mostrado dispostas a colaborar com os bancos e instituições financeiras, contrariando a noção de que elas seguem um caminho mais independente, aponta o conselheiro da ABFintechs, Guilherme Horn.

“Em vez de competir com os bancos, estas empresas estão mais voltadas a colaborar”, explica. Com isso, os próprios bancos passaram a ser mais receptivos a parcerias com as fintechs, como no caso do Guiabolso, que cresceu agregando produtos financeiros de várias instituições em sua plataforma.

Mesmo com essa tendência possibilitada pela tecnologia, as fintechs estão ajudando a mudar o cenário de concorrência no sistema financeiro, mas estão mais voltadas a abocanhar mercados ainda não explorados pelos bancos.

“Há fintechs nascendo para atender um público que nunca teve acesso aos bancos e com produtos de nicho. Elas conseguem ser mais competitivas que os bancos, por isso acabam fazendo parcerias", diz Horn.

Regulamentação avança

O ambiente para as fintechs tem sido estimulado pelos próprios agentes reguladores, que demonstram um esforço para mitigar a concentração bancária no país e reduzir o spread bancário (diferença entre o custo de captação e o ganhos dos bancos), um dos mais altos do mundo.

O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) têm adotado uma série de medidas para facilitar a abertura das empresas. No mês passado, um decreto do presidente Michel Temer passou a permitir a participação estrangeira de até 100% nas fintechs de crédito.

“Há espaço para as fintechs. Elas estão se aproveitando da concentração bancária, mas só vão conseguir se estabelecer se houver um crescimento da economia”, afirma Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

Mercado com potencial trilionário

A proliferação de fintechs no Brasil não ocorre por acaso. Existe um ambiente favorável para atrair capital que hoje está concentrado no setor bancário.

Somente no mercado de fundos, por exemplo, os brasileiros têm R$ 4,4 trilhões investidos, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A maior parte desses recursos está alocada em bancos tradicionais.

“A inovação tecnológica no mundo da indústria de fundos já vem se consolidando há algum tempo”, diz o superintendente-geral da Anbima, José Carlos Doherty. “O mercado está crescendo e a tendência é crescer mais. E a minha visão é de que as fintechs vão agregar valor aos serviços já prestados, de auxiliar os investidores”, afirma.

É de olho nesse mercado trilionário que o empresário Tito Gusmão partiu para a sua segunda fintech. Depois de fundar a XP, ele abriu a março do ano passado o Warren, uma plataforma de investimento virtual que identifica o grau de risco e o perfil do investidor para montar um portfólio.

Hoje, a plataforma que usa inteligência artificial para indicar produtos financeiros já tem 60 mil investidores e a meta é alcançar o primeiro milhão sob gestão até meados de 2019.

“Em alguns países, 95% das pessoas têm investimentos em corretoras. No Brasil, é o oposto. Mas esta migração está ocorrendo e vai acontecer”, acredita Tito.

Para Horn, da Abfintechs, ganhar escala exige tempo, mas há mais acesso a capital do que antes. “Avançamos bastante nesse ponto, existe um ecossistema robusto com aceleradoras, fundos de venture capital e uma regulamentação que está ajudando”, diz.

12/11/2018 | 'Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo', diz fundador do Nubank

Publico em 12/11/2018

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Tais Laporta - G1

 

Com 5 milhões de clientes de cartão de crédito e 2,5 milhões da conta digital, o fundador e CEO do Nubank, David Vélez diz que a empresa ainda está no começo e que pretende transformá-la em algo 'tão vital como o WhastApp'.

 

No escritório do Nubank em São Paulo, cinco dinossauros desenhados na parede de um grande salão fazem referência aos principais bancos do país. Fundado em 2013, o Nubank é aparece no desenho como um meteoro em queda, num claro sinal de que a empresa luta para ser uma ameaça para o atual sistema financeiro brasileiro.

Desde que lançou o seu primeiro produto, o cartão de crédito, em 2014, o Nubank já alcançou a 5 milhões de clientes. Recentemente, também inaugurou uma conta digital, a NuConta, em que oferece uma remuneração melhor do que a da poupança. Já são 2,5 milhões de pessoas nesse produto.

Em outubro, o Nubank recebeu uma nova rodada de aporte. A empresa chinesa de internet Tencent fechou acordo para comprar uma fatia minoritária do Nubank por US$ 90 milhões. Ao todo, já foram captados US$ 420 milhões.

"Nossa meta de longo prazo é ser uma plataforma financeira completa em que nossos clientes consigam todos os produtos financeiros", diz o CEO e fundador do Nubank, David Vélez.

Na série O Futuro das Fintechs, o G1 publica entrevistas com líderes e fundadores de algumas das fintechs que mais cresceram no Brasil, para falar sobre regulamentação, o cenário de concorrência e os desafios para continuar crescendo no mercado brasileiro.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao G1.

Em qual momento está o Nubank?

Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo, falta muito. Ficamos muito focados em cartão de crédito, lançamos o programa de recompensas no ano passado, atrelado ao cartão, e estamos acelerando a nossa conta digital. Agora, estamos focados em crescer a conta e aumentar o número de funcionalidades. É um momento de continuar crescendo e lançar novas funcionalidades. No começo do ano, por exemplo, o Banco Central aprovou nossa licença (para ter uma financeira), o que vai permitir o lançamento de novos produtos.

Você poderia detalhar quais seriam esses novos produtos?

Nossa meta de longo prazo é ser uma plataforma financeira completa em que nossos clientes consigam todos os produtos financeiros.

Quem é o cliente do Nubank? São as pessoas que saíram dos bancos ou são aquelas que não tinham acesso ao serviço financeiro?

Isso tem mudado muito. No começo do Nubank, 80% dos clientes adquiriam o primeiro cartão. A média era de 21 anos, era um cliente bem jovem. Hoje, 80% dos clientes já tinham produtos em outros bancos, mas estão cancelando esses produtos e vindo para o Nubank. Só 20% dos clientes nos usam para o primeiro cartão. E a média de idade subiu para 31 anos.

O Nubank pretende atingir essa massa de brasileiros desbancarizada? São cerca de 60 milhões de pessoas.

Sim, com certeza. É um mercado importante. Na parte do cartão de crédito, é mais difícil chegar a esse desbancarizado. Mas numa conta digital, muito do que estamos fazendo na NuConta é um produto destinado para essas pessoas, para as pessoas desbancarizadas, mas que têm WhatsApp, Facebook, Twitter.

O mercado em que o Nubank atua é bastante concentrado e os grandes bancos estão se movimentando. Como lidar com esse cenário?

Enxergamos essa concentração como uma grande oportunidade. É saudável para o país ter mais alternativas para os consumidores. Imagina se você só tivesse cinco restaurantes para comer todos os dias? Seria muito ruim. Os consumidores estão prontos para abraçar novas alternativas, os mais jovens querem novas alternativas. Todos estão se movimentando. E isso é ótimo porque está forçando os grandes bancos a trazer novas alternativas para os consumidores.

As medidas que estão sendo adotadas pelos órgãos reguladores são suficientes para estimular o crescimento das fintechs?

O Banco Central tem se dado conta da importância que é ter um sistema com mais alternativas e também entende que muitas alternativas podem aparecer e não colocar o sistema em risco. Até agora, a gente acha as medidas positivas. Eles podem ir além? Com certeza. Há muitas oportunidades para ir além e baixar as barreiras regulatórias.

 

Como você avalia a portabilidade dos salários para as contas digitais. Foi uma medida importante?

Com certeza. Acho que é uma medida muito importante para que o poder de escolha esteja na mão do consumidor. Se o consumidor enxerga melhores opções, quer receber o seu salário em outras contas, ele deve ter o poder de escolha. É uma medida excelente. A gente está vendo que os bancos ainda estão colocando barreiras, obstáculos, parte disso tem de melhorar. Mas em geral é uma mudança muito pró-consumidor e é muito boa.

Você disse que o Nubank está ainda está no início, mas poderia detalhar qual é a expectativa de crescimento?

Não consigo falar em números específicos, queremos atingir a maior parte de brasileiros. Existe a oportunidade de ser a conta para a maior parte da população, uma conta que seja vital, tão vital como o WhatsApp.

E a meta de participação de mercado?

Temos, mas é interna. Queremos ser um jogador relevante no mercado.

Mas relevante significa brigar com os bancos que estão na frente de vocês?

Sim.

Nos últimos balanços, o Nubank reportou prejuízo. Você tem alguma previsão de quando a empresa vai ter lucro?

Se a gente quiser gerar lucro hoje, a gente geraria. Nossas receitas são muito maiores do que as despesas necessárias para suportar o negócio. Mas dado que estamos no primeiro minuto do primeiro tempo, dado que ainda há um monte de produtos que queremos lançar, temos uma oportunidade de crescimento muito grande. Hoje gerar lucro seria uma grande oportunidade que desperdiçaríamos. O que a gente faria com esse lucro, voltaria para os nossos investidores?

Eles não querem isso?

Eles querem que a gente continue crescendo, investindo. Então, por estratégia, a gente não quer gerar lucro ainda. E no ano que vem também não. Ninguém dos nossos investidores quer que a gente gere lucro. Eles querem que a gente continue investindo.

Mas como tem se dado a relação com os investidores? Recentemente, o Nubank recebeu um aporte da chinesa Tencent.

Recebemos continuamente interesse de investidores, mas pensamos em construir nosso grupo de investidores do mesmo jeito que construímos a nossa equipe da diretoria. Na equipe da diretoria, cada pessoa tem uma função, uma diferenciação, do mesmo jeito é com os nossos investidores: cada um traz algo diferente, especial. E essa foi uma das razões, por exemplo, que trouxemos a Tencent. A empresa não tinha nenhum investidor que tivesse um negócio estratégico. Hoje, o Nubank não precisa de mais investimentos, de capital. Se no futuro a gente achar investidores que consigam trazer outro tipo de capacidade e conhecimento, vamos ser muito estratégicos na hora de trazer para dentro de casa.

O Nubank já inaugurou um escritório em Berlim. O que motiva esta decisão de ter uma presença lá fora?

A decisão de ter um escritório fora, em Berlim, tem como base o fato de enxergarmos que está faltando capacidade de contratar certos recursos técnicos. Precisamos de experiência em algumas engenharias que não encontramos no Brasil. Então, é provável que daqui a alguns meses a gente tenha outros escritórios internacionais, mais para contratar pessoas de outros países do que necessariamente para expandir o Nubank para outros países. Hoje, o foco de mercado é 100% Brasil.

A empresa tem planos para fazer parcerias com outras instituições financeiras ou aquisições?

Com certeza. A gente está muito disposto a fazer parcerias, a fazer aquisições. A gente está falando continuamente em parcerias com outros bancos, com outros tipos de fintechs. Estamos bem abertos. É questão de encontrar parcerias certas.

O Nubank cresceu num ambiente de crise. Qual é o desafio de avançar nesse cenário e agora diante dessa lenta retomada?

Crescer numa das maiores crises brasileiras foi um grande desafio. Crescemos por cinco anos, numa recessão, dando cartão de crédito para pessoas jovens, com muitas delas perdendo o emprego. Isso forçou uma disciplina grande, forçou construir bases muito sólidas, modelos de crédito e de fraude bastante sofisticados. Temos 5 milhões de cartões de crédito. Mas mais de 20 milhões de pessoas pediram cartão e a gente falou 'não, não pode' para várias. Dessas 20 milhões, poderíamos ter dito sim para 1 milhão, 1,5 milhão. Falamos não pela crise porque precisamos de um colchão para ser mais conservador. Se o país começa a caminhar na direção certa, isso vai nos permitir ter menos colchão, talvez ser menos conservador, e permitir crescer um pouco mais rápido, ainda mais rápido do que a gente já cresceu.

Agora vocês esperam ser menos seletivos?

A gente sempre vai ser bastante seletivo, mas vamos conseguir criar produtos para uma parcela da população com menos risco. E com certeza, se o desemprego começar a cair, dar crédito vira algo menos arriscado do que é hoje. O PIB do Brasil teve uma contração de mais 8% desde que o Nubank foi lançado, então num cenário mais positivo a gente pode crescer mais.

30/10/2018 | Startup brasileira constrói solução para acelerar reflorestamento

Publicado em 30/10/2018

Por Tainá Freitas - StartSe

A Nucleário desenvolveu uma solução que está sendo testada na Mata Atlântica e promete reduzir o trabalho humano, diminuir os custos de reflorestamento e promover a recuperação em escala da floresta

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais devastados do país – atualmente, restam menos de 12% da floresta nativa, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Por esse motivo, iniciativas de reflorestamento são comuns para revitalizar a área. No entanto, essa não é uma tarefa fácil.

É necessário cuidar de cada área reflorestada e zelar para que cada planta se desenvolva normalmente. Pequenos cuidados como garantir a quantidade de água ideal até manter insetos nocivos longe das pequenas mudas se tornam grandes desafios quando se considera o tamanho das áreas a serem recuperadas. Até agora, esse era um trabalho realizado por pessoas, de forma manual.

Para facilitar esse processo, os empreendedores Bruno Rutman Pagnoncelli, Pedro Rutman Pagnoncelli e Bruno Ferrari criaram a Nucleário. A startup atua no desenvolvimento de produtos e tecnologias para recuperar áreas de degradadas de floresta. Hoje, a startup possui um produto específico que promete facilitar o manejo de áreas desmatadas, aumentando a eficiência e diminuindo o monitoramento humano.

O produto é uma forma multifuncional, feita de plástico, que facilita a manutenção após o plantio. Uma forma é posicionada ao redor de cada planta e seu design facilita o desenvolvimento dela. A superfície da forma permite o acúmulo de água de chuva, por exemplo, necessária principalmente nos períodos de estiagem. Além disso, o produto – chamado de Nucleário -, permite a liberação controlada da água de forma capilar, facilitando que as plantas tenham acesso à água sem intervenção de pessoas.

O Nucleário também possui uma “superfície negativa” que atua como uma barreira física contra as formigas cortadeiras. Dessa forma, há a diminuição no uso de inseticidas, o que impacta também nos custos e auxilia no desenvolvimento das plantas.

O “matocompetição” também é uma iniciativa combatida pelo produto – a superfície, que acaba servindo como uma proteção física para os arredores da muda, dificulta o crescimento de gramas e matos que podem competir com a planta. Por ser feito em material biodegradável, o próprio Nucleário começa a se degradar em três anos (tempo necessário para a manutenção das mudas, segundo a startup), “liberando apenas matéria orgânica para o solo”, diz a descrição do produto.

A solução ainda não está disponível para ser comercializada - por enquanto, o Nucleário segue em processo de testes para a criação de seu MVP.

Produto premiado

No Brasil, a Nucleário participou do programa de aceleração Inovativa Brasil, realizado no primeiro semestre de 2017. A startup também foi premiada mundialmente – na Alemanha, Singapura e Estados Unidos. O prêmio mais recente foi o Biomimicry Global Challenge, no qual ganhou uma aceleração na Califórnia durante um ano e US$ 100 mil do Ray of Hope Prize, do Instituto Ray C. Anderson.

 

Link original da matéria:

https://startse.com/noticia/nucleario-reflorestamento


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