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Centro Cultural Banco do Nordeste apresenta obra surrealista de artista cearense

Mostra reúne 45 trabalhos de Darcílio Lima, considerado um dos maiores representantes do surrealismo no Brasil

Fortaleza, 9 de março de 2015 – Considerado um dos maiores representantes do surrealismo brasileiro, o cearense Darcílio Lima mostra um pouco de sua obra para o público de Fortaleza, a partir desta quinta-feira, 10 de março, quando começam as visitações para a exposição “Um Universo Fantástico”, no Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza (Rua Conde d’Eu, 560 - Centro). A abertura para imprensa e convidados acontece próximo dia 9, às 18h.

A mostra, que já passou por Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo permanece em cartaz na capital até o próximo dia 30 de abril. As visitações acontecem de terça a domingo, das 10h às 20h.

A exposição é composta por 45 obras, sendo a maior parte desenhos a bico de pena que criam rendilhados perfeitos, cujas malhas são traçadas ponto a ponto, com padrões executados de forma persistente.

Também há gravuras, entre as quais uma xilogravura, e duas pinturas – uma em madeira e outra sobre um vaso de cerâmica, além de dois exemplares da serigrafia Che Guevara, de Antonio Manoel, aquareladas por Darcílio.

Idealizada e coordenada pelo marchand Afonso Henrique Costa, que se dedicou ao garimpo dos trabalhos do artista com colecionadores e casas de leilões de arte, a exposição tem curadoria de Guilherme Gutman e produção da R&L Produtores Associados, com patrocínio do Centro Cultural Banco do Nordeste e realização do Ministério da Cultura. 

Darcílio Lima

Desenhista e gravador, Darcílio Lima morreu aos 47 anos, em 1991. Natural de Cascavel (CE), foi no Rio de Janeiro que produziu a maior parte dos trabalhos que integram a mostra. Dono de uma obra diversificada, principalmente em papel, Darcílio foi paciente da Casa das Palmeiras, uma instituição destinada ao tratamento de egressos de instituições psiquiátricas por meio de formas de expressão criativa, administrada à época pela renomada psiquiatra brasileira Nise da Silveira.

Impressionada com a qualidade do trabalho de Darcílio, Nise apresentou-o ao pintor Ivan Serpa, que não só levou o artista cearense a frequentar suas aulas no Museu de Arte Moderna (MAM-RJ) como desenvolveu com ele uma relação de amizade e parceria. Chegou a abrigá-lo por quase três anos, em sua casa e ateliê, no Rio de Janeiro.

“O período em que viveu e trabalhou ao lado de Ivan Serpa – que costumava dizer a Darcílio que ele não tinha nada mais a aprender, só precisava trabalhar – coincide com sua maior e melhor produção. Creio que a relação de respeito e admiração que Darcílio desenvolveu com Ivan Serpa foi profundamente inspiradora e o impulsionou bastante para produzir”, conta o curador Guilherme Gutman.

 

Em 1971, Darcílio Lima ganhou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro do XX Salão de Arte Moderna do MAM (RJ), que o levou a uma temporada de três anos na Europa. Na época, Darcílio conviveu com alguns dos mais importantes artistas de seu tempo, como os surrealistas Salvador Dalí e Félix Labisse. Publicou ilustrações na revista francesa Bizarre e assinou contrato com a editora de gravuras Vision Nouvelle, a mesma de Joan Miró e Salvador Dalí.

Universo Interior

Boa parte da vida de Darcílio é envolta em mistério, talvez em função de sua luta com os distúrbios mentais. O artista cearense alternou períodos de lucidez e trabalho com fases de extrema pobreza e degradação, em que sumia e chegava até a viver na rua.

“Em muitos casos, quando a loucura aparece, a obra de um artista pode ‘desmontar’. Este não foi, com certeza, o caso de Darcílio. Posso arriscar dizer que, em sua obra, a arte e a loucura tiveram um ‘encontro feliz’. A loucura fertilizou a sua arte por um tempo razoável, que coincide com o seu apogeu, ainda que, mais para o final do seu período produtivo, isso possa ter se modificado, dadas as características de suas últimas obras”, afirma Gutman.

Serviço:

Exposição Darcílio Lima: Um Universo Fantástico

Local: Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza (Rua Conde D’eu, 560 – Centro)

Abertura para convidados e imprensa: dia 09 de março de 2016 (quarta), às 18h

Visitação: de 10 de março a 30 de abril de 2016, de terça-feira a sábado, das 10h às 20h.

Classificação indicativa: 16 anos

Entrada: franca

Patrocínio: Centro Cultural Banco do Nordeste

Realização: Ministério da Cultura


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