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Poeta Mário Gomes é tema de roteiro promovido pelo CCBNB-Fortaleza

Fortaleza (CE), 05 de fevereiro de 2015 - Neste sábado, 7 de fevereiro, o Centro Cultural Banco do Nordeste vai honrar a memória do poeta boêmio Mário Gomes, conhecido por frequentar as praças do centro de Fortaleza, onde declamava suas poesias. Falecido recentemente, ele será tema do programa Percursos Urbanos, que visitará os lugares que se tornaram referência espacial e afetiva para o poeta.

O roteiro partirá do CCBNB-Fortaleza (Rua Conde D’eu, 560, Centro), às 15h. De lá, o ônibus levará os participantes até a Casa de Juvenal Galeno, Praça do Ferreira, Centro Dragão do Mar, Galeria Paleta e a casa da família do poeta, no bairro Bom Sucesso.

Durante o percurso, eles serão guiados pela jornalista e mestranda do Programa de Pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Ethel de Paula, cuja dissertação de mestrado tem como tema o poeta Mário Gomes.

Segundo ela, Mário Gomes deixou passos de poesia por todos os lugares por onde frequentou na capital. Seu personagem, uma espécie de dândi sem casta, às avessas, que tinha como marca-registrada paletós sem gravata, faz parte do imaginário cultural fortalezense.

Para a jornalista, o poeta considerava-se importante “justamente por escrever poemas, ou melhor, por se inventar corajosamente como poeta nas ruas da cidade, ao sereno, vagabundeando, tomando seus tragos e fumando seus cigarros, alheio ao tempo burocrático dos ponteiros dos relógios e em declarada guerra contra o trabalho formal de carteira assinada, escravizador, anestesiante”.

Ethel pondera que, ao longo da vida, em gráfico ascendente, Mário Gomes conseguiu fazer valer um modo de ser e de estar na cidade radicalmente fora dos padrões socialmente aceitos e consagrados. “Na maior parte de sua trajetória, viveu como quis, de acordo com o que acreditava e afinado ao que lhe dava prazer. Por não abrir mão do belo, do devaneio, do desvio e do livre arbítrio, ele fez da própria vida uma obra de arte”, pontua.

Vida de poeta

Natural em Fortaleza, Mário Ferreira Gomes (1947-2014) foi expulso de casa antes dos 20 anos de idade, por não obedecer aos rígidos padrões de comportamento impostos pelo pai. A partir daí, passou a vagar pela cidade e entregar-se à boemia sem freios, descobrindo-se poeta, ao mesmo tempo em que recusava qualquer oferta de trabalho formal, sobrevivendo com a ajuda de amigos.

Assim, viaja de carona por outros estados, experimenta viver um dia após o outro, desprovido de recursos, aventurando. Ao retornar a Fortaleza, é internado diversas vezes em hospitais psiquiátricos, com a autorização da própria família. O “corretivo” rende-lhe traumas diversos e uma aposentadoria por invalidez, aos 26 anos. A partir de então, passa a viver como poeta andarilho, chegando a publicar de forma independente, sobretudo graças ao apadrinhamento de amigos, oito livros de poemas.

Quando o pai abandona a família, volta a pernoitar esporadicamente na casa do bairro Bom Sucesso, onde se recompunha das farras sob os cuidados da mãe, dona Nenzinha, atenta também ao controle de suas medicações. Quando ela falece, em 2006, o poeta perde seu porto-seguro e se entrega à errância absoluta, deixando paulatinamente de escrever e de tomar seus medicamentos.

Com sua lucidez delirante, anda pela cidade até seus últimos dias, cumprindo um percurso diário em torno da Praça do Ferreira, no Centro da cidade, e do Centro Dragão do Mar, redutos culturais onde era conhecido e relativamente respeitado. Mário Gomes faleceu em 31 de dezembro de 2014, com um quadro de desidratação e anemia profunda. Pouco antes de falecer, seu último pedido para o amigo e artista plástico Tota, proprietário da Galeria Paleta, endereço escolhido como frequente ponto de apoio, foi um espelho e um barbeador para ir ao réveillon na Praia de Iracema.

Percursos Urbanos

O programa Percursos Urbanos tem como objetivo conhecer a diversidade cultural da cidade. Ele contempla temas e públicos heterogêneos, com níveis de renda muito diversificados e de diferentes segmentos socioculturais.

A cada edição, o projeto recebe um convidado, que funciona como um mediador da temática, com notório saber sobre o assunto. A intenção é de que os passageiros possam dar seus depoimentos e permitir que todos, ao mesmo tempo, ensinem e aprendam.

Para participar, os interessados devem enviar nome e sobrenome, e data do percurso, via mensagem de SMS (9628-9137) ou correio eletrônico (percursosurbanos@gmail.com).

Informações
Jacqueline Medeiros: (85) 8851-5548
Julio Lira: (85) 8879-0227
Ethel de Paula: (85) 9603-9195