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Voltar Evolução da Produção de Mel na Área de Atuação do BNB

Na área de atuação do BNB (Nordeste, Norte de Minas Gerais e Norte do Espírito Santo) a apicultura possui elevada importância social, pois está concentrada no semiárido, mais especificamente nos estados do Piauí, Bahia e Ceará, onde são poucas as opções de atividades produtivas rentáveis no meio rural devido às limitações inerentes à Região, em especial escassez de água.

Produção brasileira de mel

Em 2017, foram produzidas 41,6 mil toneladas de mel no Brasil, dos quais 16,5 mil toneladas no Sul do País. Por conta dos efeitos da seca em 2012 e dos seguidos anos de chuvas abaixo da média, o Nordeste deixou de ser o maior produtor nacional de mel. Entre 2014 e 2017, a produção de mel no Nordeste voltou a dar sinais de recuperação, no entanto, o volume produzido em 2017 ainda foi 20% inferior à produção obtida em 2011, ano anterior à seca. Vale a pena destacar o crescimento contínuo da produção de mel no Maranhão a partir de 2014, que tornou o Estado o terceiro maior produtor do Nordeste.

Tabela 1 – Produção brasileira de mel (Em toneladas)

Fonte: IBGE (2019).

Gráfico 1 - Produção de mel na área de atuação do BNB em 2016 e 2017 (em mil toneladas)

Fonte: IBGE (2019).

Em termos de valor de produção, o crescimento na área de atuação do BNB foi mais expressivo (23,8%) entre 2016 e 2017, resultado da valorização do produto e do crescimento da produção no Piauí, Bahia e Maranhão.  Em 2017, o valor da produção de mel na área de atuação do BNB foi de R$ 155 milhões (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Valor da produção de mel na área de atuação do BNB (milhões de R$)

Fonte: IBGE (2019).*Valores corrigidos pelo IGP-DI (Dezembro 2017).

Mercado

O consumo per capita de mel no Brasil situa-se entre os menores do mundo, em 2017 o consumo de mel no Brasil foi de 0,07kg/pessoa/ano enquanto em países como a Alemanha é superior a 1kg/pessoa/ano e nos Estados Unidos, que é o principal destino do mel brasileiro, gira em torno de 0,6kg/pessoa/ano.

Portanto, existe um vasto mercado interno, porém ainda potencial, pois grande parte da população brasileira percebe o mel como um medicamento, sendo um dos principais fatores que explicam o baixo consumo deste produto no País. Assim, o mercado internacional coloca-se como uma alternativa para o produtor brasileiro comercializar a produção. Entretanto, é necessário buscar estratégias para melhor explorar o mercado interno, estudos apontam que o consumidor brasileiro de mel possui poder aquisitivo mais elevado, sendo, portanto, exigente quanto a padrões de higiene, valores nutricionais e praticidade.

Na cadeia apícola nordestina, coexistem diversos canais de distribuição, desde os mais simples, em que o apicultor vende seu produto diretamente ao consumidor final, até aqueles mais sofisticados com a presença de vários intermediários.A intermediação ocorre por meio de agentes primários (apicultores, entrepostos, associações ou cooperativas), geralmente é exercida por um apicultor local que se especializa na comercialização. Esses agentes podem comercializar com processadores/fracionadores, mercados atacadista e varejista e ainda vender o mel diretamente para o consumidor final. Porém, na maioria das vezes, o intermediário atua no canal de comercialização do mel a serviço dos entrepostos, sua remuneração é advinda de comissões sobre o volume de mel comercializado.

No Ceará, elevado percentual de apicultores comercializa sua produção para intermediários devido à inexistência de uma estrutura mais sólida de alguma modalidade associativa auto-organizacional que possa coordenar o elo distributivo da produção.Já no Piauí e Bahia, grande número de apicultores repassa sua produção para as cooperativas a que estão vinculados e estas a encaminham à cooperativa central, que, por sua vez, vende a produção para empresas exportadoras. No Piauí, a própria Casa Apis (Central de Cooperativas) exporta a produção. De acordo com o MAPA (2019) o Rio Grande do Norte, Pernambuco e Maranhão não possuem estabelecimentos habilitados a exportar produtos apícolas, assim, parte do volume do mel produzido nesses estados é comercializada para representantes de empresas exportadoras de estados vizinhos e de estados do Sudeste do País.

Preços

Não existe no Brasil um banco de dados para o preço do mel no mercado interno nem para o preço ao produtor. Com relação aos preços de exportação, pode-se observar pelos dados do MDIC\SECEX (2019) que ocorreu uma valorização do produto brasileiro entre 2013 e 2017 (Gráfico 3), em parte como resultado da redução da oferta. Além da quebra de safra no Brasil, houve dificuldades de produção em outros países como a Turquia, Espanha e Canadá. Outro fator que contribuiu para a elevação da cotação do mel brasileiro foi o aumento do volume de mel orgânico exportado para os Estados Unidos, que é um dos mais valorizados no mercado americano.

Com relação ao comportamento do preço de exportação de mel natural no Brasil, Costa Junior (2017) mostraram que existe uma relação de equilíbrio de longo prazo entre os estados de São Paulo, Ceará e Piauí com o Rio Grande do Sul, que atua como mercado central de mel no País. No Gráfico 3 pode-se observar que os preços de exportação do Nordeste, Sudeste e Sul tendem a convergir.

Gráfico 3 - Preço médio de exportação de mel (US$/kg) no Sudeste, no Sul e no Nordeste entre 2013 e 2018

Fonte: MDIC/MAPA (2019).

Perspectivas
Poucas regiões do mundo possuem um potencial de produção de mel orgânico comparado ao semiárido brasileiro, no entanto, o setor apícola dessa região tem passado por sérias dificuldades de produção devido à restrição hídrica. O mercado interno para o mel no Brasil ainda é potencial, porém muito amplo, portanto, o setor produtivo podeusar estratégias para ampliar este mercado, como investimento em propaganda e disponibilização de produto de boa qualidade em pequenas embalagens.

É crescente no mundo a preocupação com produtos alimentícios contaminados e adulterados, em 2018 o parlamento Europeu apresentou medidas para proteger as populações de abelhas e combater as importações de mel adulterado.Para aumentar a produção de mel de forma sustentável, todos os elos da cadeia produtiva devem ficar atentos às exigências dos mercados consumidores com relação à qualidade. A demanda mundial por mel, principalmente por produto diferenciado, mostra tendência de crescimento. No entanto, para atingir mercados que remunerem melhor, é importante a diferenciação do mel brasileiro por meio do desenvolvimento de pesquisas científicas sobre os benefícios na saúde que os vários tipos de méis produzidos no Brasil podem ter, assim, o mel brasileiro poderia deixar de ser vendido com base somente nas características físico-químicas para ser comercializado como alimento funcional.

Fonte: Caderno Setorial Etene.

Publicado originalmente em 27/06/2019.