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30/01/2019 | A transformação digital é questão de sobrevivência, afirma Cristina Palmaka, da SAP Brasil

Publicado em 29/01/2019

Por Vitor Caputo - Época Negócios Online

 

Segundo a CEO, a inovação também pode vir de empresas e soluções pequenas

 

A transformação digital é uma questão de sobrevivência para empresas. Sem isso, elas não serão mais competitivas e perderão espaço. A leitura é de Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil.

Palmaka recebeu Época NEGÓCIOS para falar sobre 2018 e as perspectivas para o futuro da tecnologia e seus impactos. Apesar de não abrir números da operação local, a SAP Brasil afirma que viu seu negócios de experiência de cliente (o SAP Costumer Experience) crescer três dígitos em comparação a 2017 — um indício da maturidade do mercado brasileiro para a digitalização, afirma Palmaka. “A inovação pode vir de empresas e soluções pequenas. E o benefício virá independentemente do segmento e do tamanho”, afirma.

Veja abaixo alguns dos principais momentos da conversa.

O mercado terá espaço para quem não fizer a transição digital?

Essa transição é uma questão de sobrevivência. As empresas que não a fizerem serão pouco competitivas. Um dos benefícios da transformação digital é automação. Não para simplesmente diminuir a estrutura — a automação libera força de trabalho para se concentrar em outras formas de crescer. A indústria 4.0 também é uma questão de sobrevivência para o Brasil. Isso está em curso em todos os lugares. A SAP [uma empresa alemã] tem a vantagem da expertise da Alemanha, onde o conceito de indústria 4.0 começou. A Alemanha escolheu essa plataforma, assim como os EUA têm o Vale do Silício. A indústria 4.0 traz muita tecnologia — seja com sensorização, machine learning, inteligência artificial (IA) ou blockchain. Alguns projetos são gigantes, complexos e de longo prazo. Mas o que tentamos mostrar é que a inovação pode vir de empresas e soluções pequenas. E o benefício virá independentemente do segmento e do tamanho. A tecnologia está disponível para qualquer empresa, mas quando você vê que a liderança está com essa visão, e se abastece de talentos para ajudar nessa transformação, as coisas caminham de forma mais interessante.

A SAP e a senhora fazem um trabalho de evangelização com companhias e CEOs?

A minha agenda com CEOs é grande. Falo com conselhos de empresas, clientes ou potenciais clientes. Os presidentes me chamam e pedem que eu conte um pouco do que já tenho feito. Outro dia, disse a um CEO que não ia vender blockchain ou IA — e ele ficou chocado, perguntou se não eram soluções que a SAP oferece. Mas essa é apenas a plataforma. O que vendemos de verdade é o que é importante para o cliente, o que resolve o problema dele. A tecnologia é só uma consequência. Trabalhamos em fazer esse entendimento do que tem de ser resolvido. Às vezes, é como melhorar um processo de compra. Vou aos conselhos e levo casos reais. Mostro o que determinada indústria tem feito. As soluções não são mais tão óbvias. O concorrente não é mais aquele que as empresas estão acostumadas a olhar. A concorrência vem de qualquer lugar. Às vezes, o novo significa quase que destruir o que está sendo feito.

Neste ano devemos ter exemplos mais concretos com 5G. Como a SAP espera que a internet das coisas mude o futuro?

Tudo vai passar por dados. Tudo que acelerar a disponibilidade de dados e conectividade será fundamental. Trabalhamos forte com o agronegócio, por exemplo. Uma das grandes discussões que tínhamos com os clientes era sobre conectividade. O pessoal fala: "Legal. Você está lá no Morumbi. Mas como a solução vai funcionar no interior do Paraná, do Rio Grande do Sul?" Esse pessoal está avido e tem muita informação. Esses dados podem dar respostas como quando plantar ou onde plantar. É quase uma futurologia. Mas é preciso saber o que fazer com os dados. É preciso colocá-los em uma base que te dê bons caminhos para o que você quer perseguir. Tem de fazer a pergunta certa para saber o que realizar com aquela massa de informações. Em termos de infraestrutura, se você estiver colhendo dados da melhor forma e em tempo real, você conseguirá extrair, processar rapidamente e trazer retorno para a tomada de decisão. Esse é o caminho. O trabalho da SAP é menos do lado da infraestrutura e mais com o que fazer com as informações. Temos os projetos de data management. É pegar o arsenal de dados e ver quais benefícios podem sair dali.

Nas conversas sobre dados é difícil fugir do debate de segurança e privacidade. São informações confidenciais de empresas ou dados pessoais de usuários.

Além de ser uma empresa de tecnologia, somos uma empresa alemã — temos uma preocupação dupla nesse assunto, seguimos os preceitos europeus. A Europa é muito mais conservadora na gestão da privacidade de dados. Todos os nossos sistemas são alinhados com essas políticas. Mas também temos soluções que ajudam os clientes a trabalhar da melhor forma com os dados. Uma das aquisições que fizemos foi a Gigya [comprada em 2017 por US$ 350 milhões], que olha como trabalhar com os dados disponíveis dos clientes. É uma empresa canadense que tinha mais de 1 bilhão de perfis. Em vez de individualizado, o material é consolidado na definição de profiles.

Você despersonaliza os dados...

Exatamente. Temos essa solução que faz só isso. Ajuda especialmente em segmentos como o de varejo. Você não olha o indivíduo, mas o perfil da pessoa, o comportamento. Isso é importante. A empresa quer olhar os dados e tomar as melhores conclusões. Outro ponto com o qual a SAP trabalha é um comitê de ética e privacidade, com apoio do nosso CFO global. Esse comitê quer, justamente, aprender o que queremos, até como civilização. Podemos fazer qualquer coisa do ponto de vista da tecnologia. Podemos conectar todas informações. Mas para quem você vai disponibilizar? Como vai fazer o uso? São questões éticas que como civilização vamos ter de enfrentar.

O mundo parece ter exemplos diferentes hoje nesse assunto. A Europa fica mais rígida, com regras como o GDPR. No outro extremo, a China tem dado para todo lado e sabe-se lá para qual uso. É um momento de visões muito opostas, de definição?

Acho que o Brasil está mais na linha da Europa. Sempre temos de tratar isso com muita seriedade, o que você faz com a informação, o que é público, o que é seu. Como cidadão é preciso ter consciência disso — mas tdeterminadas pessoas. E isso traria benefícios enormes para a sociedade.ambém ser flexível. O que eu posso colocar a serviço da sociedade para que ela seja melhor? Temos parceria com a ASCO (Sociedade Americana de Clínica Oncológica). O câncer não é uma doença, são milhares. Os casos são diferentes, o remédio reage de uma forma diferente para cada pessoa. Se você tem mais informação, tem mais chances de diagnósticos certeiros e de cura. Mas esse uso dos dados não seria individualizado. Você pode usar essas informações sem ligá-las a determinada pessoa.

 

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2019/01/transformacao-digital-e-questao-de-sobrevivencia-afirma-cristina-palmaka-da-sap-brasil.html

24/01/2019 | Investimento em fintechs no Brasil aumentou sete vezes em três anos

Publicado em 24/01/2019

Por VICTOR CAPUTO - Época Negócios Online

 

Estudo realizado pelo boostLAB, programa do BTG Pactual, com aceleradora ACE Cortex mostra aumento no interesse pela área no país

 

O valor investido em fintechs aumentou mais de sete vezes entre 2016 e 2018 no Brasil. O dado faz parte de um estudo realizado pelo boostLAB, programa de potencialização de startups do BTG Pactual, realizado em parceria com a aceleradora ACE Cortex, obtido com exclusividade por Época NEGÓCIOS. O salto, que leva em conta o investimento por anjos, fundos e empresas, subiu de R$ 203 milhões em 2016 para um recorde de US$ 1,5 bilhão em 2018. E o número deve continuar a crescer.

“IPOs, como da Stone e da PagSeguro, mostram que há oportunidade de saída. O investidor sempre quer o retorno. Deve haver crescimento no interesse por investir nesse tipo de negócio”, afirma a Época NEGÓCIOS Frederico Pompeu, sócio responsável pelo boostLAB. O estudo ainda relembra que, entre os cinco unicórnios anunciados no ano passado, três são empresas de meios de pagamentos: Nubank, PagSeguro e Stone.

Uma particularidade do mercado brasileiro é que, das 422 fintechs em atuação no Brasil, 114 atuam em meios de pagamentos—como as citadas acima.

Pompeu faz uma analogia para explicar a relação entre bancos e as fintechs. O banco é um urso e as fintechs, abelhas. Em uma mãozada, o urso pode derrubar muitas abelhas, mas se o enxame for grande, elas podem vencer o grandalhão. “Existe um movimento dos bancos de se aproximar e não ver mais as fintechs como concorrentes, mas como parceiros para viabilizar oportunidades”, afirma Pompeu.

A opinião é compartilhada pelo analista do BTG Pactual Eduardo Rosman. “Os bancos vencedores terão que abrir a cabeça. Não dá para ir contra as fintechs. Eles podem perder alguns negócios, mas terão de focar no que são bons e deixar interação e serviços para o cliente com as fintechs”, diz.

Ambos concordam que a parte de crédito dos bancos, porém, deve demorar para ter uma atuação mais ameaçadora das fintechs. Por outro lado, o setor de pagamentos eletrônicos tem sido atingido pelas fintechs.

Futuro

Pensando em cenários para o futuro, um dos exemplos citados no estudo é do mercado chinês. Com inovações desde a biometria facial usando sorriso como forma de autenticação, até ecossistemas complexos, como os desenvolvidos por Alibaba, com o AliPay, e o WeChat podem apontar o futuro dos pagamentos eletrônicos.

O Banco Central brasileiro, porém, deve atuar para evitar uma característica daquele mercado hoje: o duopólio das duas empresas citadas. “O BC tem deixado claro que quer pagamentos instantâneos e mais baratos, democratização do pagamento eletrônico no BR, mas com várias empresas participando”, afirma Rosman.

O estudo ainda cita modelos de pagamentos com menor fricção para o usuário. A Amazon Go, supermercado sem filas e caixas registradoras da Amazon, é um exemplo de como o pagamento eletrônico pode evoluir para formas ainda mais simples para o consumidor.

 

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/01/investimento-em-fintechs-no-brasil-aumentou-sete-vezes-em-tres-anos.html

23/01/2019 | Estes são os grandes temas da tecnologia em 2019, segundo presidente da Microsoft

Publicado em 23/01/2019

por Época Negócios Online

 

Executivo Brad Smith listou os maiores problemas que precisarão ser resolvidos neste ano

 

2018 foi um ano movimentado no setor de tecnologia. Pensando nisso, o presidente da Microsoft, Brad Smith, escreveu um artigo em sua conta no LinkedIn relembrando o que aconteceu nos últimos 12 meses. Ele aproveita o começo do ano para especular sobre quais serão os grandes temas discutidos pelo setor de tecnologia ao longo de 2019.

1. Privacidade: Políticas de proteção se aprofundam na Europa e se espalham para os EUA

Já no início do ano, sabia-se que o tema da privacidade de dados ganharia importância em 2018. A Regulação Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), que entrou em vigor em maio na Europa, iria movimentar qualquer empresa do mundo que tivesse clientes na União Europeia. Dada a natureza técnica do GDPR, não é de se surpreender que em 2019 ainda haja empresas trabalhando em interpretar a regulação, diz Smith.

Mas algumas surpresas surgiram em 2018 também. Nos Estados Unidos, em São Francisco, o incorporador de imóveis Alastair Mactaggart investiu mais de US$ 3 milhões em uma campanha para conseguir assinaturas para colocar em votação uma lei feita por cidadãos sobre privacidade de dados. A campanha gerou negociações intensas e culminou com o California Consumer Privacy Act. “É um desenvolvimento bem-vindo que traz proteção de privacidade abrangente para um em cada oito residentes nos Estados Unidos”, diz Smith. Ele diz esperar que esse tipo de regulamentação se espalhe pelo país em 2019. A privacidade, cada vez mais, se torna uma prioridade para a sociedade – e as empresas de tecnologia podem fazer mais para avançar nesse sentido.

2. Desinformação

O ano passado foi crucial para entendermos o impacto das campanhas de desinformação e fake news nas redes sociais. A questão agora é o que fazer para lidar com esse problema. No fim do ano passado, Bruxelas tomou decisões na tentativa da resguardar as eleições para o Parlamento Europeu, incluindo um código de conduta para as empresas de tecnologia e planos para ação rápida. As principais plataformas de redes sociais começaram a implementar novas proteções de forma mais ampla e outras iniciativas privadas surgiram.

Ano passado, diz Brad Smith, também representou uma maior aceitação dos líderes do setor de tecnologia sobre a necessidade de regulação que ajude a combater as fake news. Mas qual tipo de regulação? Essa é uma pergunta que terá de ser respondida nos próximos meses.

3. Protecionismo no Pacífico: a tecnologia e as relações entre EUA e China

A escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China foi rápida no ano passado. As tarifas de importação atrapalharam muitos setores, mas não necessariamente o de tecnologia. Porém, essa blindagem no setor de tecnologia parece estar mudando. Nos Estados Unidos, diz Smith, todo o espectro político está mais preocupado com a ascensão da China na inteligência artificial e em outros ramos – e aumentam os temores sobre as implicações econômicas e de segurança nacional.

No ano passado, a prisão da diretora-financeira da Huawei, Meng Wanzhou, impulsionou discussões em vários países sobre a restrição de componentes chineses em redes de 5G. No próximo ano, o debate deve se espalhar, incluindo também um possível controle sobre as exportações norte-americanas de tecnologias como inteligência artificial.

4. Diplomacia digital: esforços contra ataques cibernéticos

Não há razão para acreditar que os ataques cibernéticos feitos por governos irão acontecer com menos frequência. Mas pelo menos há sinais de que a proteção contra tais ataques está endurecendo, diz o presidente da Microsoft. “O setor de tecnologia continua priorizando a inovação e investimentos em cibersegurança, tanto em hardware quanto em ferramentas para proteger clientes em serviços na nuvem”, afirma ele.

O ano de 2019 deve ser marcado também por avanços na diplomacia digital, com várias empresas concorrentes trabalhando juntas no Tech Accord com o objetivo de fortalecer a segurança cibernética. O grande acontecimento de 2018, diz Brad Smith, foi em novembro, com o Paris Call para confiança e segurança no ciberespaço. A iniciativa, liderada pelo presidente francês Emmanuel Macron, lançou um apelo para deter ciberataques e proteger processos eleitorais em todo o mundo. O acordo conseguiu reunir mais de 450 signatários de mais de 50 governos e 400 empresas e grupos da sociedade civil.

5. Ética para a inteligência artificial

No ano passado, as empresas de tecnologia começaram a lidar com questões como o uso da inteligência artificial para o exército e preocupações sobre o reconhecimento facial. A pressão dos próprios funcionários fez com que o Google se retirasse de um programa de IA do departamento de defesa dos Estados Unidos. Em meados do ano, as preocupações sobre o reconhecimento facial ganharam importância, impulsionadas por acadêmicos e grupos civis que alertavam para o risco da discriminação e impacto sobre a privacidade.

6. Inteligência artificial e empregos

As preocupações sobre o impacto da inteligência artificial sobre a economia e sobre os empregos continuam a crescer. Especialmente nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas questionam se a tecnologia irá destruir mais empregos do que criar.

Em outros países, contudo, as discussões são diferentes. Nações como Coreia do Sul e Japão, onde a população começa a diminuir, há um reconhecimento de que a prosperidade econômica requer avanços de produtividade capazes de substituir os trabalhadores humanos. Para esses países, diz Smith, a IA oferece uma nova solução para um problema social.

7. Imigração e diversidade

Imigração e diversidade são temas que permaneceram em discussão no setor de tecnologia em 2018. O ano teve momentos importantes, como uma manifestação de funcionários do Google sobre como a empresa trata as mulheres e as denúncias de assédio. Microsoft, Salesforce e Amazon enfrentaram o ativismo de funcionários sobre a concessão de tecnologia para as autoridades de imigração nos Estados Unidos.

Outros feitos são menos dramáticos, mas não menos importantes. As empresas de tecnologia falaram mais sobre diversidade em seus quadros de funcionários, e muitas delas reportaram ganhos de diversidade – “pequenos, mas na direção correta e maiores do que no passado”, diz Smith.

8. Banda larga rural

Nos Estados Unidos e em outros países, aumentou a percepção dos desafios enfrentados nas comunidades rurais. “Um fator que impede as comunidades rurais de avançar é a falta de acesso a serviços de banda larga. A banda larga se tornou a eletricidade do século XXI. Sem isso, há pouca oportunidade de atrair novos negócios ou empregos”, afirma Smith. As empresas e os governos passaram a se atentar mais para esse tema. Parcerias entre a Microsoft e empresas de telecomunicações devem fazer com que a internet em alta velocidade alcance mais um milhão de pessoas nos EUA.

“Essas soluções nos trazem esperança não só para os Estados Unidos e 2019, mas para fechar a lacuna de banda larga globalmente na próxima década”, afirma Smith. Isso vai demandar inovação, investimento e políticas públicas, mas fica cada vez mais fácil imaginar esse progresso.

9. Soberania, direitos humanos e a nuvem

Cada vez mais governos querem que os dados do setor público permaneçam exclusivamente em datacenters dentro de suas fronteiras, o que tem criado vários problemas ao redor do mundo.

“É compreensível que os governos estejam focados no que consideram uma questão de soberania nacional. Mas as restrições tecnológicas são consideráveis, dada a arquitetura global da nuvem”, diz ele. Além disso, Smith lembra que há questões sobre a extensão de dados pessoais os governos podem coletar e como essa informação poderá ser usada.

10. Tecnologia e habitação

Houve, no ano passado, uma crescente atenção do público sobre o impacto do setor de tecnologia em comunidades locais. É um ponto que divide opiniões.

Por um lado, o crescimento tecnológico cria empregos novos e bem remunerados que contribuem para o crescimento econômico local. A competição para atrair a segunda sede da Amazon deu mais destaque a essa dimensão do que nunca. Mas, por outro lado, o crescimento rápido cria novas tensões para a infraestrutura de uma cidade, incluindo suas escolas e rede de transporte. No final de 2018, houve um enfoque em outro aspecto – a acessibilidade econômica da moradia.

Quando a oferta de moradias não consegue acompanhar o ritmo de crescimento da população, os preços das casas sobem e algumas pessoas são expulsas. Há uma crescente conscientização de que a concentração de empresas de tecnologia contribui para o crescente déficit habitacional nos EUA. Por exemplo, desde 2011, os preços médios das residências em Seattle aumentaram mais de 80%, enquanto a renda familiar média aumentou apenas 30%. Outros polos de tecnologia enfrentam tendências semelhantes.

 

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/01/estes-sao-os-grandes-temas-da-tecnologia-em-2019-segundo-presidente-da-microsoft.html

 

22/01/2019 | Você sabe o que é Open Banking?

Publicado em 21/01/2019

Por Isabella Carvalho - StarSe

 

A expressão se refere à uma nova forma de lidar com serviços financeiros — no Brasil, a expectativa é de que ela seja regulamentada neste ano

 

Graças aos avanços da tecnologia, o sistema financeiro está passando por grandes mudanças. Em meio à isso, surge o Open Banking. A expressão, ainda pouco conhecida, se refere à uma nova forma de lidar com as operações e atividades financeiras. 

Hoje, os bancos trabalham com um modelo em que possuem o total controle dos dados, desenvolvendo internamente aplicativos e soluções para gerenciá-los. Já no Open Banking, eles passam a fazer parte de um novo modelo de negócio, onde disponibilizam APIs (Application Programming Interface, ou Interface de programação de aplicações) para que outras empresas possam criar serviços integrados à instituição.

Com essas interfaces, o usuário pode ter uma experiência conectada, automaticamente, a diversos sistemas e soluções. Por exemplo: ao usar um aplicativo de controle de gastos criado por uma startup, o cliente pode integrar e gerenciar as informações do sistema de seu banco - concentrando tudo em um só lugar.  

Hoje, o Guiabolso faz algo semelhante. Oferecendo um aplicativo de finanças pessoais, a startup integra dados bancários dos clientes à plataforma. Porém, para que isso aconteça, o usuário precisa autorizar a ação, colocando sua senha bancária. Com o Open Banking, isso é eliminado.  

No Brasil e no mundo

A partir do dia 13 de janeiro de 2018, o Open Banking passou a valer na Europa pela regulamentação PSD2, onde todos os bancos são obrigados a liberar as APIs. Já na Ásia, a regulamentação foi liberada em Singapura, Hong Kong, Malásia e Coréia do Sul. Aos poucos, outros países estão trabalhando para colocar em prática o modelo.

No Brasil, a iniciativa ainda não foi regulamentada. Atualmente, o país precisa superar alguns desafios para receber o Open Banking, como infraestrutura e sistemas complexos das instituições financeiras. Porém, com o avanço das tecnologias, o tema tem sido cada vez mais discutido, inclusive pelo Banco Central. A instituição tem olhado para países que já adotam o modelo para implantá-lo no Brasil ainda em 2019.

 

Fonte: https://www.startse.com/noticia/nova-economia/59905/o-que-e-open-banking

21/01/2019 | Por que este foi o melhor ano de todos para startups da América Latina

Publicado em13 de dezembro de 2018

Por Mariana Fonseca - Exame.com

 

Há um mês, o aplicativo de delivery iFood ganhou mais dinheiro do que todas as startups da América Latina conseguiram no ano de 2016.  Seus 500 milhões de dólares  encerraram um ano de economia morna e política instável no Brasil – e, mesmo assim, muito otimismo para as startups nacionais e suas vizinhas. A aposta nos negócios inovadores não é de hoje.  Desde 2012, os investimentos em startups da região quase triplicaram. Apenas nos últimos dois meses, os negócios inovadores da América Latina levantaram mais de 1 bilhão de dólares, mais do que o obtido durante todo o ano de 2017.

Muito mais do que preencher uma lista de unicórnios, 2018 provou o amadurecimento do ecossistema de negócios inovadores na América Latina, com startups criadas por volta do ano de 2010 atingindo um estágio avançado e gerando retornos. Foi um ano de mais investimentos internacionais, mais  exits (vendas de startups) e maiores  valuations. Nathan Lustig, empreendedor serial e sócio do fundo de investimento Magma Partners,  listou para o portal de análises Crunchbase  alguns acontecimentos de 2018 que mostram o crescimento de negócios inovadores na região – principalmente no Brasil, que lidera o fluxo de aportes em startups.

Veja por que este foi o melhor ano de todos para as startups da América Latina:

1 — Aportes mais polpudos, mas avaliações abaixo da média

Este ano ficou marcado para brasileiros interessados em empreendedorismo inovador pela ascensão de dois unicórnios nacionais – startups avaliadas em mais de um bilhão de dólares. Em janeiro, a  99 foi comprada pela chinesa Didi Chuxinge tornou-se o primeiro unicórnio brasileiro. Em março, a fintech  Nubank também se tornou um unicórnio  e  acumula hoje 707,6 milhões de dólares em aportes. Outros aportes de destaque no Brasil em 2018 ficam com Loggi (rodada de 100 milhões de dólares), Yellow (três rodadas acumulando 75,3 milhões de dólares) e CargoX (60 milhões de dólares).

Na América Latina, uma boa notícia do ano foi o primeiro unicórnio da Colômbia: o aplicativo de delivery Rappi, que já acumulou 392 milhões de dólares em aportes. A mexicana Grin  acumulou 72 milhões de dólares em investimentos neste ano  e expandiu para outros países, como o Brasil.

Apesar de rodadas cada vez mais frequentes e polpudas, as avaliações do valor das startups continuam abaixo da média, segundo Lustig. Por isso, há muitas oportunidades para investidores participaram de boas negociações.

2 — Empreendedores de sucesso tornam-se investidores

Vários investidores relevantes nos Estados Unidos foram um dia empreendedores de sucesso, que ganharam uma bela quantia ao venderem suas startups. É o caso, por exemplo, dos sócios por trás dos fundos Andreessen Horowitz,  Founders Fund  e  Greylock Partners.

Com um maior número de vendas de startups na América Latina, empreendedores-investidores começam a surgir. Paulo Veras, um dos fundadores do aplicativo brasileiro de mobilidade urbana 99, cocriou o fundo de investimento Canary, focado em investimentos semente e Série A.

Os mexicanos Daniel Undurraga e Oskar Hjertonsson, fundadores do serviço de delivery Cornershop, já investiram na  Babytuto, e-commerce de produtos para bebês criado por um de seus funcionários.  A Cornershop foi adquirida pela varejista Walmart em setembro, por 225 milhões de dólares.

Enquanto isso,  a aquisição do e-commerce mexicano Linio pela varejista Falabella  fez com que os fundadores Antonio Nunes, Bernardo Cordero, Fernando D’Alessio, Pedro Freire, Ulrick Noel e Wilson Cimino fundassem outras startups, como  Mercadoni  e  Tricae, ou fundos de investimento como  STARTegy Venture Builder, D Capital Partners  e  Everdeen Capital.

3 — A chegada dos chineses e das aceleradoras globais

Os chineses estão de olho nas oportunidades latino americanas, diante da timidez dos investidores dos Estados Unidos.  Além do dinheiro, e experiência em tecnologia financeira é outro atrativo para os empreendedorismos da região.

O exemplo mais conhecido pelos brasileiros dessa influência talvez seja a mencionada aquisição da 99 pela gigante Didi Chuxing. Mas os chineses também fizeram investimentos nas fintechs Nubank (por meio de um investimento da gigante Tencent, do WeChat) e Stone (por meio da compra de ações pela gigante Alibaba, do AliExpress, em sua oferta pública inicial de ações, ou IPO).

Além dos investidores chineses, é importante ressaltar a entrada de aceleradoras globais na América Latina.  Além da chegada de startups da região a aceleradoras como Y Combinator, no Vale do Silício (Estados Unidos), movimentos como T echstars,  Startupbootcamp  e  TechCrunch Startup Battlefield  expandiram para a América Latina neste ano.

 

Fonte: https://exame.abril.com.br/pme/por-que-este-foi-o-melhor-ano-de-todos-para-startups-da-america-latina/

14/01/2019 | MVP: o que é e como fazer o produto mínimo viável?

Publicado em 11/01/2019

Por Redação - StarSe

 

Saiba o que é e como fazer um produto mínimo viável, que tem o objetivo de validar uma solução e ajudar a entender o que o cliente realmente quer

 

O que é um produto mínimo viável (MVP)?

O Produto Mínimo Viável – ou Minimum Viable Product (MVP) – é a versão simplificada de um produto final de uma startup. A partir dela, o empreendedor vai oferecer o mínimo de funcionalidades com o objetivo de testar o encaixe do produto no mercado.

A prática do MVP ficou popular com o livro Startup Enxuta, de Eric Ries, e é utilizada principalmente na fase inicial dos negócios. Isso permite que empreendedores validem sua ideia antes de desenvolver o produto final. Em outras palavras, permite descobrir se ele, de fato, soluciona o problema do consumidor.

Ou seja, o MVP é um conjunto de testes primários feitos para validar a viabilidade do negócio. Apesar de ser trabalhado com o mínimo de recursos possíveis, ele precisa manter sua função de solução para a qual foi criada e entregar valor ao cliente. “A ideia do MVP é que você aprenda o mais rápido possível qual o produto ideal para seu cliente. Não interessa se ele está fazendo isso de forma manual ou da mais tecnológica possível. O ponto mais importante é se ele entrega valor ou não”, afirma Sulivan Santiago, líder da área de tecnologia da aceleradora ACE, em São Paulo.

Ao mesmo tempo que o produto mínimo viável se mostra ideal para startups, já que reduz custos e gera resultados rápidos, ele não é sempre igual. De acordo com Bernardo Pascowitch, presidente e fundador da Yubb, não existe um único tipo de MVP. Para ele, o ideal é que cada nova funcionalidade eventualmente criada pode ser encarada pela ótica do produto mínimo viável. “Existem tipos de MVP e existem estágios de startups em que diferentes MVP são utilizados”, conta.

 

Saiba a diferença: produto mínimo viável não é protótipo ou solução ruim da sua ideia

O produto mínimo viável não é um protótipo criado para dar errado ou para as pessoas não gostarem do produto. Segundo Bernardo, o que deve acontecer é exatamente o contrário. Para ele, o MVP já faz parte do produto final e precisa, obrigatoriamente, entregar um valor grande para convencer o público de que aquilo dará certo.

“Muitas pessoas acham que MVP é uma solução do seu produto final. Mas não é isso: o MVP já é sua proposta de valor entregue de uma forma mais resumida. A partir dele, e com base em feedbacks, o empreendedor incrementa e aprimora sempre a solução final”, diz Bernardo.

 

Por que fazer um produto mínimo viável é importante?

O MVP é essencial para o sucesso de uma startup, uma vez que elas lidam constantemente com diversos fatores de risco, como faturamento instável, mercado volátil e até o alto nível de concorrência.

 

Quais são as vantagens?

“A função do MVP é reduzir alguns desses fatores de risco, principalmente o de mercado, que falará se realmente as pessoas vão querer o seu produto. Então, o MVP é essencial para reduzir risco de aceitação com a menor quantidade de tempo e recursos. O MVP é útil também para ficar em contato com seu público alvo”, conta Bernardo.

Além de amenizar os riscos de uma startup, as investigações para realizar o produto mínimo viável permitem uma proximidade maior entre empreendedor e consumidor. Como resultado, é possível que o empreendedor entenda o comportamento do cliente e detecte possíveis falhas no produto antes do lançamento.

De acordo com Sulivan Santiago, outras grandes vantagens do produto mínimo viável são os baixos custos e prazos de desenvolvimento pequenos. “O MVP é a forma mais barata de você testar uma ideia porque ele economiza tempo e dinheiro da startup”, conta. O resultado é a diminuição de gastos e aumento de velocidade nos processos, que aumentam a taxa de sucesso do negócio.

 

Quais os perigos de não fazer um?

De acordo com Bernardo Pascowitch, os brasileiros não são acostumados a desenvolver um MVP para validar uma ideia. “Normalmente, as pessoas têm uma ideia e acham que essa ideia vai mudar o mundo. Elas gastam dinheiro, tempo, recurso e energia desenvolvendo o produto que elas idealizaram, mas quando soltam para o mercado, elas descobrem que aquele produto não faz tanto sentido quanto elas idealizaram”, defende.

Grande parte do fracasso de algumas startups, segunda ele, é a falta dessa validação. “Elas não fazem a validação, então descobrem o que faz sentido para as pessoas já acabou o dinheiro, a energia, já acabou os recursos e ela quebra”, conta. Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos as pessoas empreendem utilizando o MVP como base do negócio, como o Dropbox, Zappos e Uber.

Segundo Bernardo, os empreendedores brasileiros são mais apegados à solução do que ao problema. Esse fato, ao longo do tempo, acaba inviabilizando o negócio até então inovador. “A solução muda sempre com a evolução da humanidade e da tecnologia, mas o problema sempre permanece. Como resultado disso, o empreendedor faz um MVP muito extenso e muito caro, ao invés de ser algo simples e funcional”, diz. Tal ação muda completamente o objetivo do produto mínimo viável:  validar uma solução com poucos recursos.

Para Sulivan, startups gastam muito tempo e dinheiro em soluções que não valem tanto a pena quanto elas gostariam. “Ao invés de desenvolver um MVP, a startup desenvolve o produto final, e isso acontece com frequência. O empreendedor constrói um produto bem elaborado e quando ele vai para a rua percebe que gastou um ou dois anos com um produto que não atendia aos clientes”, diz.

 

Os passos para criar um produto mínimo viável

Não existe uma maneira única para você validar seu produto mínimo viável: o processo dependerá do tipo de negócio, dos clientes e, principalmente, da habilidade técnica do próprio time ao desenvolvê-lo. No entanto, existem alguns passos que podem ajudar no processo.

1º Passo: ter uma boa equipe

Antes de elaborar um produto, é essencial contar com uma equipe que saiba o que está fazendo. Dessa forma, é importante contar pelo menos com bons profissionais de tecnologia e UX (experiência do usuário) que possam identificar melhorias e realizar alterações, adequando a ideia ao cliente, assim como uma pessoa que entenda de gestão, para decidir o que é viável ou não financeiramente.

2º Passo: entender o cliente e definir a dor

De acordo com Bernardo Pascowitch, um dos primeiros passos para criar um produto mínimo viável é decidir quais são as dores do cliente e quais serão os problemas que a startup está disposta a resolver. “É interessante você primeiro fazer as entrevistas para validar os problemas que as pessoas têm, porque não faz sentido já desenvolver alguma coisa sem entender as dores das pessoas”, defende.

3º Passo: fazer um script

No segundo passo, o empreendedor deve definir os propósitos do MVP em questão. Por exemplo: é preciso validar só uma ideia, ou também o processo, modelo de negócios, mercado, etc.? Em outras palavras, ele deve delimitar quantas variáveis precisam ser confirmadas ou alteradas para por esse projeto em prática.

O script deve ser elaborado pensando nos processos que serão utilizados: entrevistas, testes A/B, testes presenciais, online, entre outros, e o que deve ser observado. Por exemplo: os clientes ignoraram uma funcionalidade, isso significa que eles não entenderam, não se interessaram, não viram ou outro?

4º Passo: pôr em prática de forma manual

Após entendido o problema, o empreendedor precisa passar para a etapa de validação da solução. De acordo com Sulivan Santigo, é importante fazer tudo de forma “concierge”, isto é, realizar algumas tarefas manualmente. Para Bernardo, a presença desse tipo de conceito é essencial para que o empreendedor tenha mais proximidade com o público-alvo e desenvolva insights sobre o que realmente o público precisa.

5º Passo: Melhorar, melhorar e melhorar!

Mesmo que o produto mínimo viável tenha uma boa aceitação pelos seus clientes, não significa que acabou. Pelo contrário! Como um negócio de alta escalabilidade e que deve procurar cortar ao máximo os custos, toda startup deve sempre estar procurando melhorar cada vez mais o produto.

De acordo com Bernardo, o erro de muitas startups é, após automatizar o produto mínimo viável, esquecer e deixar de lado as validações de mercado.  “O importante é fazer o MVP e continuar a fazer as validações para novas funcionalidades do site. Ao invés de gastar recurso, tempo, dinheiro e energia do time, a startup pode desenvolver uma landing page, por exemplo, para testar se os usuários vão se interessar por essa nova funcionalidade”, defende.

 

Casos de sucesso: Yubb, Groupon, Dropbox, Uber, Warren

Yubb

Na Yubb, por exemplo, Bernardo inspirou-se no caso da Dropbox para desenvolver o produto mínimo viável do seu produto. Após realizar entrevistas com mais de 200 pessoas para entender as dores do mercado, o fundador da empresa lançou um vídeo que mostrava como seria a Yubb no futuro.

“Depois que eu validei o problema e a solução, nós desenvolvemos o MVP Concierge. Criamos uma landing page e as pessoas se cadastravam na nossa base. Todo dia de manhã eu procurava os investimentos e montava um PDF que era enviado para o cliente. O último passo foi cobrar das pessoas pelo PDF. Essa validação foi muito importante para entender se as pessoas estavam dispostas a pagar pelo nosso produto”, conta.

Todo esse processo, que durou cerca de um ano, foi feito antes de desenvolver o produto. “Não tínhamos nenhum site, nem código, nem nenhum software. Era tudo manual”, afirma Bernardo.

Groupon

O Groupon começou como um blog, no qual todos os cupons eram enviados por e-mail, através de um PDF. A primeira versão do site era completamente manual e sem grandes investimentos. “Alguém entrava no site e fazia um pedido “Quero comprar uma pizza com desconto”. Quando eles recebiam um pedido como esse, eles saiam correndo para encontrar alguma pizzaria, por exemplo, que se disponibilizassem a criar um cupom de desconto para eles”, conta o Bernardo Pascowitch.

Dropbox

O Dropbox já passou por várias modificações desde que foi idealizado pelo seu fundador, Drew Houston. A função do MVP do Dropbox era validar o interesse das pessoas na ferramenta e se o modo de funcionamento era aceito pelos consumidores. Para isso testar sua ideia, o próprio fundador fez um vídeo apresentando o Dropbox para uma comunidade da área.

Uber

O Uber faz muito sucesso hoje em dia, mas antes era preciso testar o modelo do negócio e sua plataforma. O aplicativo começou a ser testado somente em algumas regiões, nas quais carros de luxo prestavam o serviço de corrida.

A empresa não deixou o MVP para trás e continua com o modelo de validação ativo. No ano passado, o Uber no Brasil começou a trabalhar com o MVP do UberCOPTER, futuro serviço de transporte com helicópteros.

Warren

O primeiro produto mínimo viável do Warren era bem diferente do visual clean e colorido de hoje. Ao invés das letras grandes e do fundo rosa, o aplicativo trazia uma pizza no centro, onde o investidor podia temperar com os produtos disponíveis e, assim, criar seu portfólio. Segundo o Estudo de Caso:  Warren, a ideia não foi muito efetiva. No caso, as pessoas que testavam o aplicativo jogavam os ingredientes na pizza sem pensar no investimento. Assim que perceberam isso, os fundadores começaram a desenvolver outro jeito de agradar o público.

Depois de diversas mudanças, o Warren já estava bem mais avançado e a apenas alguns meses da estreia. Ainda assim, a equipe optou por disponibilizar o aplicativo para um grupo de aproximadamente 500 betas. A versão testada era uma simulação, ou seja, o aplicativo possua tudo, menos a opção de investir para valer. Os betas deram o toque final: ajudaram a deixar o aplicativo ainda melhor e mais intuitivo!

 

Grandes empresas também podem usar MVP

Não são só as startups que podem se beneficiar das vantagens do produto mínimo viável. De acordo com Bernardo, muitas empresas de grande porte podem utilizá-lo para reduzir custos, ganhar velocidade nos processos internos e se tornar mais inovador. “Para muitas empresas seria interessante usa a metodologia do MVP, mas não o fazem”, diz  o fundador da Yubb.

Além da diminuição de recursos e aumento de agilidade, segundo ele, a implementação do produto mínimo viável permitiria que empresas se coloquem mais próximas do seu público-alvo.

Fonte:  https://www.startse.com/noticia/startups/59653/mvp

 

22/11/2018 | O futuro de todas as transações passa pelo blockchain

Publicado em 21/11/2018

Por G.lab para inovabra habitat - Pequenas Empresas & Grande Negócios Online

 

Seja dinheiro, documentos, informações ou cultura, tudo o que pode ser transformado em dados digitais e trocado entre pessoas e empresas ganha agilidade e robustez por meio dessa tecnologia

 

Com o surgimento do blockchain, passou a ser possível transacionar qualquer tipo de informação digital, seja dinheiro, documentos que comprovam posse de bens, registros de importação e exportação ou mesmo músicas e filmes, sem intermediários centralizados e garantir que a informação é atual, válida e rastreável até à sua origem.


Como o nome em inglês indica, blockchain é uma cadeia de blocos de informações digitais, composta pela combinação de técnicas de computação, como carimbo de tempo digital e algoritmos criptográficos, que garante a imutabilidade e a inviolabilidade das informações registradas na cadeia. Essa cadeia de blocos é replicada para outros computadores da rede e quando um usuário transfere dados para outro, a transferência é validada por todo o conjunto. Uma vez registrada na cadeia de blocos, aceita e validada pela cadeia, a transação não pode mais ser alterada, o que garante a segurança do sistema.

Desde o surgimento do blockchain, em 2008, dezenas de setores, de educação a logística, se apoiaram na tecnologia para ganhar agilidade, transparência e segurança. O resultado é que o investimento mundial em soluções utilizando a tecnologia vai dobrar em 2018, na comparação com 2017, segundo a consultoria IDC. Vai chegar a US$ 2,1 bilhões e, em 2021, estará muito mais alto: vai alcançar a casa dos US$ 9,2 bilhões. São soluções que mudam a infraestrutura do mercado, principalmente em aplicações que, tradicionalmente, dependem de intermediários.

 

“O blockchain é um dos pilares em que nós apostamos, assim como a inteligência artificial”, afirma George Marcel Smetana, especialista do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco. “É uma tecnologia que tem um potencial disruptivo, ligado a novos modelos de negócio, e porque permite redução de custos, otimização de processos e melhora da operação”.

 

Rede privada

O Bradesco estuda a tecnologia desde 2015. “Podemos usar blockchain em empréstimos corporativos, seguros, registros de ações, prevenção a fraude, mercados de capitais, compartilhamento de informações em geral e identidades digitais seguras”, afirma Marcel.


Em geral, os negócios do mercado financeiro e de seguros são melhores atendidos por soluções com blockchain privado, cujo acesso à rede e às informações é controlado pelas organizações que o gerenciam. No blockchain público, qualquer pessoa pode instalar o software, enviar e receber transações e participar do processo de consenso, já no privado esse acesso é restrito para os participantes da rede criada.


O Bradesco participa ativamente do grupo de trabalho de blockchain da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban. “Desenvolvemos algumas provas de conceito nas áreas de prevenção à fraude, moedas digitais, registro e compartilhamento de informações e compartilhamento de cadastro mediante autorização do cliente”, conta Marcel.


O consórcio de blockchain R3, formado por mais de 120 instituições financeiras de todo o mundo, foi criado para estudar colaborativamente a aplicação da tecnologia principalmente na indústria financeira. “Blockchain é uma tecnologia que permite imutabilidade, rastreabilidade e maior segurança das transações”, explica Keiji Sakai, diretor geral do R3 no Brasil.


O R3 nasceu nos Estados Unidos em 2015. Mantém quatro escritórios no mundo, incluindo um no Brasil, aberto em 2017. “Temos muita proximidade com o Bradesco, que é um dos nossos principais clientes”, afirma Sakai.

A startup desenvolveu uma plataforma de blockchain, denominada Corda, que vem sendo utilizada por grandes instituições financeiras para o lançamento de novos produtos e serviços. Ela foi concebida seguindo os principais requisitos do mercado financeiro e dos reguladores em âmbito global, utilizando código aberto, com desenvolvimento colaborativo.


Além disso, a R3 é parceria do Bradesco no uso de blockchain para simplificar o processo de registro de títulos privados de captação. A iniciativa foi concebida e desenvolvida dentro do laboratório do Bradesco, o inovabra lab. Quando finalizada, ela será aberta para a participação de outras instituições financeiras.

Logística reversa

O inovabra habitat, ecossistema de coinovação mantido pelo Bradesco, em São Paulo, oferece uma série de exemplos práticos da aplicação do blockchain – um dos eixos de atuação do espaço, que também abrange API, inteligência artificial, computação imersiva, internet das coisas (IoT) e big data. A sede da R3 no Brasil, aliás, está instalada dentro do inovabra habitat. “Estar aqui é essencial, pois conseguimos estimular discussões sobre o uso de tecnologia em cima de soluções que estão sendo criadas por outras empresas ou corporações. É muito enriquecedor tentar encontrar soluções para desafios conjuntos”, ressalta Keiji Sakai.

Outra empresa habitante do espaço é a EuReciclo, que trabalha para registrar a logística reversa da reciclagem de embalagens nas empresas. De acordo com a legislação ambiental brasileira, todas as empresas devem se responsabilizar pela logística reversa de suas embalagens pós-consumo, ou seja, devem garantir que tirem da natureza o equivalente em resíduos gerados por seus produtos Para dar conta desse desafio, a startup desenvolveu o selo EuReciclo, que certifica o sistema de logística reversa no Brasil, rastreando e checando a consistência de notas fiscais emitidas no processo de reciclagem e, com tudo certo, certificando sua empresa e adequando-a à lei.


“Para as gigantes de mercado, é difícil saber para onde foram as suas embalagens e como retirá-las do meio ambiente. Mas já existe uma cadeia que faz isso, baseada em catador, cooperativa, ferro velho – gente que já executa o trabalho de reciclagem, mas não recebe devidamente por isso”, explica o fundador da empresa, Thiago Pinto. “Nós rastreamos essa cadeia, usando a tecnologia de blockchain, e ao fazer isso conseguimos certificar que uma tonelada entrou como garrafa pet de um lado e saiu como matéria-prima do outro”, continua ele.


“Vendemos esse certificado. Entramos nessa lógica de poluidor/pagador comprando uma compensação ambiental do reciclador/recebedor. Fazemos um meio de campo entre os dois e certificamos os recicladores", contextualiza Thiago, explicando que seu sistema permite que as empresas paguem as cooperativas para retirarem do ambiente uma quantidade equivalente de material ao das embalagens de seus produtos – uma ideia de compensação ambiental que exemplifica o grande poder de transformação do blockchain.

 

Link original da matéria:

https://revistapegn.globo.com/Publicidade/InovaBra-habitat/noticia/2018/11/o-futuro-de-todas-transacoes-passa-pelo-blockchain.html

16/11/2018 | Fintechs de crédito acumulam R$ 455,9 milhões em aportes nos último 12 meses

Publicado em 13/11/2018

Por redação - Conexão Fintech

 

As fintechs e startups focadas no mercado financeiro têm ganhado cada vez mais relevância no Brasil; isso é inquestionável. A vertical de soluções de pagamentos, liderada principalmente pelos cases de sucesso do Nubank e Neon, ganham manchetes dos jornais dia após dia.

Mas, apesar desse foco em pagamentos, a vertical de crédito no setor brasileiro de tech é uma das que mais crescem nos últimos anos. Oferecendo plataformas mais ágeis e simples para oferecer empréstimos, antecipação de recebíveis e negociação de dívidas, essas fintechs são umas das que têm atraído mais investimentos entre as startups financeiras do país.

Nos últimos 12 meses, as fintechs de crédito arrecadaram R$ 455,9 milhões em investimentos, o que representa mais de 27% do total investido em fintech no Brasil segundo o monitoramento do Conexão Fintech. Apesar dos grandes números, as startups com foco em crédito têm muito espaço para crescer no país, por exemplo ao oferecer crédito para empresas e soluções que busquem a inclusão financeira da população que hoje não tem acesso a crédito. Essa é a proposta do encontro que será realizado pelo Conexão Fintech no dia 06 de dezembro: aprofundar o debate e explorar como as startups e novas tecnologias podem mudar o mercado de crédito nacional.

Confira os investimentos em fintechs de crédito nos últimos 12 meses: 

Bom Pra Crédito
A fintech Bom Pra Crédito, um marketplace de crédito on-line do Brasil, recebeu investimento da rodada Serie A de R$ 22 milhões liderada pela Innova Capital.  O investimento foi acompanhado pela Astella Investimentos e por Ricardo Loureiro, ex-presidente do Serasa-Experian que já haviam investido em rodadas anteriores. 

Rebel
A Rebel, fintech de empréstimo pessoal, recebeu um aporte de R$ 14,9 milhões (US$ 4 milhões) numa rodada liderada pela Monashees. Também participaram da rodada a XP, J. Malucelli e a Point Break Capital. Somado aos investimentos anteriores, a fintech já captou R$ 20 milhões. A startup é uma fintech de crédito que usa tecnologia para agilizar empréstimos pessoais para a classe média. Segundo a assessoria, o novo investimento deve ser alocado principalmente na área de tecnologia. Atualmente, ela já usa machine learning e inteligência artificial para calcular taxas com base no perfil de cada cliente e também usa blockchain para certificar seus contratos. 

BizCapital
A BizCapital, fintech de crédito que oferece empréstimos para micro e pequenas empresas, recebeu um aporte de R$ 20 milhões da Quona Capital e dos fundos Monashees e Chromo Invest. É o segundo recebido pela fintech neste ano, que pretende usar os recursos para investir em tecnologia e preparar a companhia legalmente para entrar com pedido no Banco Central para se tornar uma Sociedade de Crédito Direto (SCD). 

Negocie Online

A Negocie Online, plataforma de autosserviço digital para usuários negociarem dívidas, recebeu um investimento de R$ 5 milhões da Accesstage, empresa especialista em soluções para intercâmbio de dados financeiros. Esse é o segundo aporte da Accesstage em fintechs, o primeiro foi em julho na Moneto. 

Moneto
A Moneto, fintech de gestão de recebíveis e cobrança online, recebeu um investimento semente de R$ 2 milhões da Accesstage, uma empresa de soluções financeiras e gestão de processos. Lançada em 2016, a Moneto é uma startup de São José dos Campos (SP) que oferece uma plataforma tecnológica visando acelerar o recebimento de vendas por cartão de crédito, débito e boletos, permitir a gestão da cobrança e do fluxo de caixa de forma mais prática para o mercado de microempreendedores e profissionais autônomos. (Saiba mais)

Creditas (ex-BankFácil)
A fintech Creditas, uma plataforma online de empréstimos com garantia, recebeu um aporte de US$ 55 milhões (cerca de R$ 190 milhões) numa rodada de investimentos série C liderada pelo fundo sueco Vostok Emerging Finance. Dois novos investidores participaram dessa rodada, o Amadeus Capital Partners e o Santander InnoVentures, fundo do banco Santander que compra participações em startups, sendo essa a primeira vez que o Santander investiu numa empresa brasileira. 

FinanZero
A FinanZero, fintech de capital sueco que opera como correspondente bancário online para negociar empréstimos junto a instituições financeiras, recebeu um aporte no valor de R$ 12 milhões. A rodada série A foi liderada pelo fundo sueco Vostok Emerging Finance com a participação de outros investidores suecos, incluindo a Webrock Ventures e a Zentro. Com este investimento, a FinanZero quer ampliar sua equipe além de investir no aprimoramento da sua própria plataforma online, garantindo uma experiência mais transparente e menos burocrática na contração de empréstimos. 

BizCapital
A BizCapital, fintech que oferece crédito a micro e pequenas empresas sem acesso a grandes bancos, recebeu seu segundo aporte, no fim de fevereiro. Ela receberá R$ 15 milhões a serem aplicados em suas operações e desenvolvimento, numa rodada de investimentos liderada liderada pela Chromo Invest e pela 42K Investimentos. 

Zen Finance
A fintech de crédito Zen Finance acaba de receber uma rodada de investimentos do Global Founders Capital, fundo com sede em Munique, Alemanha. O valor (não divulgado) será utilizado na expansão da equipe de colaboradores e nos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) da startup. A rodada de investimentos também contou com a participação de Philipp Povel, fundador e CEO da Dafiti, e Carlos Eduardo Norbert, da Petronia Capital, investidor e executivo com mais de 17 anos de experiência em private equity, venture capital e fusões e aquisições. 

Creditas
A Creditas, empresa que concede crédito pessoal com garantia em veículos e imóveis, acaba de fechar uma nova rodada de aporte de capital, no valor de R$ 165 milhões. O investimento é o segundo em 2017. No início do ano, a fintech recebeu um aporte de R$ 60 milhões de reais. 

QueroQuitar!
A QueroQuitar!, uma startup fintech de negociação online de dívidas e educação financeira, recebeu um investimento de R$ 1 milhão do Fundo BR Startups no início de dezembro de 2017.  A QueroQuitar é uma plataforma que busca tornar mais simples a quitação de dívidas tanto para o usuário como para a cobradora, pois elimina intermediários. A startup informa que já ajudou mais de 280 mil pessoas a resolverem suas pendências financeiras. 

Adianta
A Adianta, fintech de antecipação de recebíveis para PMEs (pequenas e médias empresas), recebeu um aporte no valor de R$ 5 milhões da Osher Tech, divisão de investimentos da Osher Investimentos e Participações. Criada em março de 2017, a Adianta tem como foco as PMEs, oferecendo um serviço digital de antecipação de recebíveis de maneira mais ágil e simplificada que as empresas tradicionais do setor. (saiba mais)

Noverde
A Noverde, uma fintech de empréstimos criada em 2016, recebeu em novembro de 2017 um investimento de R$ 4 milhões da Domo Invest. Essa é a segunda rodada de investimentos recebida pela Noverde, que a partir desse aporte deve aumentar a base de clientes e abranger uma parcela ainda maior da população que não consegue obter empréstimos dos bancos convencionais. O intuito da Noverde é ajudar seus clientes a se manter no verde sem burocracia e com juros mais justos que o praticado pelo mercado. 

12/11/2018 | Fintechs atraem investimentos e avançam em mercado dominado por grandes bancos

Publicado em 12/11/2018

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Tais Laporta - G1

 

Brasil vive um 'boom' de startups financeiras e um ambiente favorável à concorrência, mas ainda são poucas as empresas que expandiram seus negócios no segmento.

 

O setor financeiro não é mais o mesmo desde a chegada das fintechs – empresas do segmento que aplicam tecnologia para melhorar suas atividades. Beneficiadas pela tecnologia e por um esforço de regulamentação, elas cresceram e ganharam espaço em um mercado antes impenetrável, concentrado há décadas nos cinco maiores bancos.

As fintechs são empresas de tecnologias focadas no mercado financeiro. Elas têm oferecido uma gama variada de serviços, como empréstimos pessoais e gestão de investimentos. Em tese, prometem um serviço mais ágil e menos burocrático do que o dos bancos. A maioria opera apenas em plataformas digitais.

O G1 publica, a partir desta semana, uma série de entrevistas com executivos de fintechs sobre os desafios e oportunidades do setor.

Dia 12/11: David Vélez, fundador e CEO do Nubank
Dia 19/11: Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso
Dia 26/11: Sergio Furio, presidente da Creditas
Dia 3/12: Gustavo Chamati, CEO do Mercado Bitcoin

O crescimento acelerado do setor fica evidente quando se olha um levantamento da entidade que representa cerca de 350 empresas do segmento, a Abfintechs, em parceria com a PwC Brasil (PricewaterhouseCoopers). Em 2011, 28 startups financeiras haviam sido criadas. Já no ano passado, surgiram 219.

 

Mas deste universo, poucas fintechs conseguiram expandir seus negócios – metade delas ainda está em início de operação. Hoje, 58% não atingiram o break-even, o ponto em que começam a ter lucro, segundo estudo da Abfintechs.

Isso revela que o caminho para manter o negócio em funcionamento não é simples e muitas empresas acabam ficando pelo caminho. Cerca de metade das fintechs criadas desde 2011 – em torno de 700 – não existem mais.

Para o conselheiro da ABFintechs, Guilherme Horn, a taxa de mortalidade do segmento é baixa se comparada às demais startups, que é de 90%. "Os empreendedores das fintechs costumam ser mais experientes e maduros e isso ajuda a dar uma sobrevivência maior", diz.

A dificuldade em conseguir capital e ganhar escala ainda é grande, mesmo com o potencial para atrair clientes insatisfeitos com os serviços bancários, além parte do público desbancarizado, que soma 60 milhões de pessoas.

As maiores fintechs brasileiras – entre elas Nubank, Creditas e Guiabolso – tiveram um crescimento robusto nos últimos quatro anos, beneficiadas por rodadas de investimentos, mas há um longo caminho a percorrer.

Os 5 milhões de clientes que o Nubank alcançou em seu cartão de crédito representam um número expressivo, mas ainda é muito pequeno perto do universo abocanhado pelos grandes bancos. Bradesco e Itaú, por exemplo, têm respectivamente 95 milhões e 76 milhões de clientes, segundo o Banco Central.

 

Cenário de concorrência

Dois terços das fintechs criadas no Brasil têm se mostrado dispostas a colaborar com os bancos e instituições financeiras, contrariando a noção de que elas seguem um caminho mais independente, aponta o conselheiro da ABFintechs, Guilherme Horn.

“Em vez de competir com os bancos, estas empresas estão mais voltadas a colaborar”, explica. Com isso, os próprios bancos passaram a ser mais receptivos a parcerias com as fintechs, como no caso do Guiabolso, que cresceu agregando produtos financeiros de várias instituições em sua plataforma.

Mesmo com essa tendência possibilitada pela tecnologia, as fintechs estão ajudando a mudar o cenário de concorrência no sistema financeiro, mas estão mais voltadas a abocanhar mercados ainda não explorados pelos bancos.

“Há fintechs nascendo para atender um público que nunca teve acesso aos bancos e com produtos de nicho. Elas conseguem ser mais competitivas que os bancos, por isso acabam fazendo parcerias", diz Horn.

Regulamentação avança

O ambiente para as fintechs tem sido estimulado pelos próprios agentes reguladores, que demonstram um esforço para mitigar a concentração bancária no país e reduzir o spread bancário (diferença entre o custo de captação e o ganhos dos bancos), um dos mais altos do mundo.

O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) têm adotado uma série de medidas para facilitar a abertura das empresas. No mês passado, um decreto do presidente Michel Temer passou a permitir a participação estrangeira de até 100% nas fintechs de crédito.

“Há espaço para as fintechs. Elas estão se aproveitando da concentração bancária, mas só vão conseguir se estabelecer se houver um crescimento da economia”, afirma Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

Mercado com potencial trilionário

A proliferação de fintechs no Brasil não ocorre por acaso. Existe um ambiente favorável para atrair capital que hoje está concentrado no setor bancário.

Somente no mercado de fundos, por exemplo, os brasileiros têm R$ 4,4 trilhões investidos, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A maior parte desses recursos está alocada em bancos tradicionais.

“A inovação tecnológica no mundo da indústria de fundos já vem se consolidando há algum tempo”, diz o superintendente-geral da Anbima, José Carlos Doherty. “O mercado está crescendo e a tendência é crescer mais. E a minha visão é de que as fintechs vão agregar valor aos serviços já prestados, de auxiliar os investidores”, afirma.

É de olho nesse mercado trilionário que o empresário Tito Gusmão partiu para a sua segunda fintech. Depois de fundar a XP, ele abriu a março do ano passado o Warren, uma plataforma de investimento virtual que identifica o grau de risco e o perfil do investidor para montar um portfólio.

Hoje, a plataforma que usa inteligência artificial para indicar produtos financeiros já tem 60 mil investidores e a meta é alcançar o primeiro milhão sob gestão até meados de 2019.

“Em alguns países, 95% das pessoas têm investimentos em corretoras. No Brasil, é o oposto. Mas esta migração está ocorrendo e vai acontecer”, acredita Tito.

Para Horn, da Abfintechs, ganhar escala exige tempo, mas há mais acesso a capital do que antes. “Avançamos bastante nesse ponto, existe um ecossistema robusto com aceleradoras, fundos de venture capital e uma regulamentação que está ajudando”, diz.

12/11/2018 | 'Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo', diz fundador do Nubank

Publico em 12/11/2018

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Tais Laporta - G1

 

Com 5 milhões de clientes de cartão de crédito e 2,5 milhões da conta digital, o fundador e CEO do Nubank, David Vélez diz que a empresa ainda está no começo e que pretende transformá-la em algo 'tão vital como o WhastApp'.

 

No escritório do Nubank em São Paulo, cinco dinossauros desenhados na parede de um grande salão fazem referência aos principais bancos do país. Fundado em 2013, o Nubank é aparece no desenho como um meteoro em queda, num claro sinal de que a empresa luta para ser uma ameaça para o atual sistema financeiro brasileiro.

Desde que lançou o seu primeiro produto, o cartão de crédito, em 2014, o Nubank já alcançou a 5 milhões de clientes. Recentemente, também inaugurou uma conta digital, a NuConta, em que oferece uma remuneração melhor do que a da poupança. Já são 2,5 milhões de pessoas nesse produto.

Em outubro, o Nubank recebeu uma nova rodada de aporte. A empresa chinesa de internet Tencent fechou acordo para comprar uma fatia minoritária do Nubank por US$ 90 milhões. Ao todo, já foram captados US$ 420 milhões.

"Nossa meta de longo prazo é ser uma plataforma financeira completa em que nossos clientes consigam todos os produtos financeiros", diz o CEO e fundador do Nubank, David Vélez.

Na série O Futuro das Fintechs, o G1 publica entrevistas com líderes e fundadores de algumas das fintechs que mais cresceram no Brasil, para falar sobre regulamentação, o cenário de concorrência e os desafios para continuar crescendo no mercado brasileiro.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao G1.

Em qual momento está o Nubank?

Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo, falta muito. Ficamos muito focados em cartão de crédito, lançamos o programa de recompensas no ano passado, atrelado ao cartão, e estamos acelerando a nossa conta digital. Agora, estamos focados em crescer a conta e aumentar o número de funcionalidades. É um momento de continuar crescendo e lançar novas funcionalidades. No começo do ano, por exemplo, o Banco Central aprovou nossa licença (para ter uma financeira), o que vai permitir o lançamento de novos produtos.

Você poderia detalhar quais seriam esses novos produtos?

Nossa meta de longo prazo é ser uma plataforma financeira completa em que nossos clientes consigam todos os produtos financeiros.

Quem é o cliente do Nubank? São as pessoas que saíram dos bancos ou são aquelas que não tinham acesso ao serviço financeiro?

Isso tem mudado muito. No começo do Nubank, 80% dos clientes adquiriam o primeiro cartão. A média era de 21 anos, era um cliente bem jovem. Hoje, 80% dos clientes já tinham produtos em outros bancos, mas estão cancelando esses produtos e vindo para o Nubank. Só 20% dos clientes nos usam para o primeiro cartão. E a média de idade subiu para 31 anos.

O Nubank pretende atingir essa massa de brasileiros desbancarizada? São cerca de 60 milhões de pessoas.

Sim, com certeza. É um mercado importante. Na parte do cartão de crédito, é mais difícil chegar a esse desbancarizado. Mas numa conta digital, muito do que estamos fazendo na NuConta é um produto destinado para essas pessoas, para as pessoas desbancarizadas, mas que têm WhatsApp, Facebook, Twitter.

O mercado em que o Nubank atua é bastante concentrado e os grandes bancos estão se movimentando. Como lidar com esse cenário?

Enxergamos essa concentração como uma grande oportunidade. É saudável para o país ter mais alternativas para os consumidores. Imagina se você só tivesse cinco restaurantes para comer todos os dias? Seria muito ruim. Os consumidores estão prontos para abraçar novas alternativas, os mais jovens querem novas alternativas. Todos estão se movimentando. E isso é ótimo porque está forçando os grandes bancos a trazer novas alternativas para os consumidores.

As medidas que estão sendo adotadas pelos órgãos reguladores são suficientes para estimular o crescimento das fintechs?

O Banco Central tem se dado conta da importância que é ter um sistema com mais alternativas e também entende que muitas alternativas podem aparecer e não colocar o sistema em risco. Até agora, a gente acha as medidas positivas. Eles podem ir além? Com certeza. Há muitas oportunidades para ir além e baixar as barreiras regulatórias.

 

Como você avalia a portabilidade dos salários para as contas digitais. Foi uma medida importante?

Com certeza. Acho que é uma medida muito importante para que o poder de escolha esteja na mão do consumidor. Se o consumidor enxerga melhores opções, quer receber o seu salário em outras contas, ele deve ter o poder de escolha. É uma medida excelente. A gente está vendo que os bancos ainda estão colocando barreiras, obstáculos, parte disso tem de melhorar. Mas em geral é uma mudança muito pró-consumidor e é muito boa.

Você disse que o Nubank está ainda está no início, mas poderia detalhar qual é a expectativa de crescimento?

Não consigo falar em números específicos, queremos atingir a maior parte de brasileiros. Existe a oportunidade de ser a conta para a maior parte da população, uma conta que seja vital, tão vital como o WhatsApp.

E a meta de participação de mercado?

Temos, mas é interna. Queremos ser um jogador relevante no mercado.

Mas relevante significa brigar com os bancos que estão na frente de vocês?

Sim.

Nos últimos balanços, o Nubank reportou prejuízo. Você tem alguma previsão de quando a empresa vai ter lucro?

Se a gente quiser gerar lucro hoje, a gente geraria. Nossas receitas são muito maiores do que as despesas necessárias para suportar o negócio. Mas dado que estamos no primeiro minuto do primeiro tempo, dado que ainda há um monte de produtos que queremos lançar, temos uma oportunidade de crescimento muito grande. Hoje gerar lucro seria uma grande oportunidade que desperdiçaríamos. O que a gente faria com esse lucro, voltaria para os nossos investidores?

Eles não querem isso?

Eles querem que a gente continue crescendo, investindo. Então, por estratégia, a gente não quer gerar lucro ainda. E no ano que vem também não. Ninguém dos nossos investidores quer que a gente gere lucro. Eles querem que a gente continue investindo.

Mas como tem se dado a relação com os investidores? Recentemente, o Nubank recebeu um aporte da chinesa Tencent.

Recebemos continuamente interesse de investidores, mas pensamos em construir nosso grupo de investidores do mesmo jeito que construímos a nossa equipe da diretoria. Na equipe da diretoria, cada pessoa tem uma função, uma diferenciação, do mesmo jeito é com os nossos investidores: cada um traz algo diferente, especial. E essa foi uma das razões, por exemplo, que trouxemos a Tencent. A empresa não tinha nenhum investidor que tivesse um negócio estratégico. Hoje, o Nubank não precisa de mais investimentos, de capital. Se no futuro a gente achar investidores que consigam trazer outro tipo de capacidade e conhecimento, vamos ser muito estratégicos na hora de trazer para dentro de casa.

O Nubank já inaugurou um escritório em Berlim. O que motiva esta decisão de ter uma presença lá fora?

A decisão de ter um escritório fora, em Berlim, tem como base o fato de enxergarmos que está faltando capacidade de contratar certos recursos técnicos. Precisamos de experiência em algumas engenharias que não encontramos no Brasil. Então, é provável que daqui a alguns meses a gente tenha outros escritórios internacionais, mais para contratar pessoas de outros países do que necessariamente para expandir o Nubank para outros países. Hoje, o foco de mercado é 100% Brasil.

A empresa tem planos para fazer parcerias com outras instituições financeiras ou aquisições?

Com certeza. A gente está muito disposto a fazer parcerias, a fazer aquisições. A gente está falando continuamente em parcerias com outros bancos, com outros tipos de fintechs. Estamos bem abertos. É questão de encontrar parcerias certas.

O Nubank cresceu num ambiente de crise. Qual é o desafio de avançar nesse cenário e agora diante dessa lenta retomada?

Crescer numa das maiores crises brasileiras foi um grande desafio. Crescemos por cinco anos, numa recessão, dando cartão de crédito para pessoas jovens, com muitas delas perdendo o emprego. Isso forçou uma disciplina grande, forçou construir bases muito sólidas, modelos de crédito e de fraude bastante sofisticados. Temos 5 milhões de cartões de crédito. Mas mais de 20 milhões de pessoas pediram cartão e a gente falou 'não, não pode' para várias. Dessas 20 milhões, poderíamos ter dito sim para 1 milhão, 1,5 milhão. Falamos não pela crise porque precisamos de um colchão para ser mais conservador. Se o país começa a caminhar na direção certa, isso vai nos permitir ter menos colchão, talvez ser menos conservador, e permitir crescer um pouco mais rápido, ainda mais rápido do que a gente já cresceu.

Agora vocês esperam ser menos seletivos?

A gente sempre vai ser bastante seletivo, mas vamos conseguir criar produtos para uma parcela da população com menos risco. E com certeza, se o desemprego começar a cair, dar crédito vira algo menos arriscado do que é hoje. O PIB do Brasil teve uma contração de mais 8% desde que o Nubank foi lançado, então num cenário mais positivo a gente pode crescer mais.

30/10/2018 | Startup brasileira constrói solução para acelerar reflorestamento

Publicado em 30/10/2018

Por Tainá Freitas - StartSe

A Nucleário desenvolveu uma solução que está sendo testada na Mata Atlântica e promete reduzir o trabalho humano, diminuir os custos de reflorestamento e promover a recuperação em escala da floresta

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais devastados do país – atualmente, restam menos de 12% da floresta nativa, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Por esse motivo, iniciativas de reflorestamento são comuns para revitalizar a área. No entanto, essa não é uma tarefa fácil.

É necessário cuidar de cada área reflorestada e zelar para que cada planta se desenvolva normalmente. Pequenos cuidados como garantir a quantidade de água ideal até manter insetos nocivos longe das pequenas mudas se tornam grandes desafios quando se considera o tamanho das áreas a serem recuperadas. Até agora, esse era um trabalho realizado por pessoas, de forma manual.

Para facilitar esse processo, os empreendedores Bruno Rutman Pagnoncelli, Pedro Rutman Pagnoncelli e Bruno Ferrari criaram a Nucleário. A startup atua no desenvolvimento de produtos e tecnologias para recuperar áreas de degradadas de floresta. Hoje, a startup possui um produto específico que promete facilitar o manejo de áreas desmatadas, aumentando a eficiência e diminuindo o monitoramento humano.

O produto é uma forma multifuncional, feita de plástico, que facilita a manutenção após o plantio. Uma forma é posicionada ao redor de cada planta e seu design facilita o desenvolvimento dela. A superfície da forma permite o acúmulo de água de chuva, por exemplo, necessária principalmente nos períodos de estiagem. Além disso, o produto – chamado de Nucleário -, permite a liberação controlada da água de forma capilar, facilitando que as plantas tenham acesso à água sem intervenção de pessoas.

O Nucleário também possui uma “superfície negativa” que atua como uma barreira física contra as formigas cortadeiras. Dessa forma, há a diminuição no uso de inseticidas, o que impacta também nos custos e auxilia no desenvolvimento das plantas.

O “matocompetição” também é uma iniciativa combatida pelo produto – a superfície, que acaba servindo como uma proteção física para os arredores da muda, dificulta o crescimento de gramas e matos que podem competir com a planta. Por ser feito em material biodegradável, o próprio Nucleário começa a se degradar em três anos (tempo necessário para a manutenção das mudas, segundo a startup), “liberando apenas matéria orgânica para o solo”, diz a descrição do produto.

A solução ainda não está disponível para ser comercializada - por enquanto, o Nucleário segue em processo de testes para a criação de seu MVP.

Produto premiado

No Brasil, a Nucleário participou do programa de aceleração Inovativa Brasil, realizado no primeiro semestre de 2017. A startup também foi premiada mundialmente – na Alemanha, Singapura e Estados Unidos. O prêmio mais recente foi o Biomimicry Global Challenge, no qual ganhou uma aceleração na Califórnia durante um ano e US$ 100 mil do Ray of Hope Prize, do Instituto Ray C. Anderson.

 

Link original da matéria:

https://startse.com/noticia/nucleario-reflorestamento

26/10/2018 | Crescimento da receita dos bancos está em risco, aponta relatório

Publicado em 25/10/2018

Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues - Cantarino Brasileiro

 

Novas empresas que entram no mercado bancário como bancos disruptivos, instituições de pagamentos não bancárias e grandes empresas de tecnologia acumulam até um terço das novas receitas. E desafiam a competitividade dos bancos tradicionais, de acordo com pesquisa da Accenture.

A análise de mais de 20 mil instituições bancárias e de pagamentos em sete mercados quantificou o nível de mudança e de disrupção mundial no setor bancário. E constatou que o número dessas instituições diminuiu quase 20% em 12 anos, de 24 mil em 2005 para menos de 19,3 mil em 2017.

Entretanto, quase uma em cada seis (17%) instituições existentes são consideradas “novos entrantes”, ou seja, empresas que entraram no mercado depois de 2005. Embora poucos desses novos players tenham disparado o alarme dos bancos tradicionais, a ameaça de redução de futuras oportunidades de crescimento de receita é real e crescente.

A maioria dos bancos está lutando para encontrar a combinação certa de investimentos em recursos tradicionais e digitais à medida em que eles se equilibram para atender às necessidades dos clientes digitais com a manutenção de sistemas legados que protejam os dados dos clientes.

Os bancos não podem simplesmente ativar digitalmente seus negócios, como de costume, e esperar que sejam bem-sucedidos. Até agora, a abordagem conservadora em investimento digital impede a eficácia dos bancos em construir novas fontes de crescimento, o que é crucial para escapar do aperto da concorrência dos competidores digitais e da deterioração dos retornos.

Disrupção do mercado

Muitos bancos incumbentes continuam a rejeitar a ameaça desses “novos entrantes”, alegando que (1) eles não criam inovações modernas, mas dão uma nova roupagem a produtos bancários tradicionais; (2) receita significativa não se move para esses “novos entrantes” e (3) e estes não geram lucros.

 

No entanto, o relatório analisou onde a receita vem mudando para os novos participantes e identificou exemplos de verdadeiras inovações que acontecem ao redor do mundo e que não podem mais ser desconsideradas. A Accenture prevê que a mudança na receita para novos entrantes vai continuar e começará a ter impacto significativo sobre os lucros dos bancos.

EUA: 19% das instituições financeiras nos EUA são “novas entrantes” e abocanharam 3,5% do total de receitas bancárias e de pagamentos. Nos últimos doze anos, o número de instituições financeiras nos EUA diminuiu quase um quarto, em grande parte devido à crise financeira e aos obstáculos regulamentares que se seguiram e foram impostos para se obter a licença bancária.

Esses fatores fizeram dos EUA um mercado difícil para “novos entrantes” e um ambiente estável para tradicionais. Mais da metade das novas contas correntes abertas nos EUA foram conquistadas por três grandes bancos que fazem importantes investimentos no digital, enquanto bancos regionais focam na redução de custos e lutam para ampliar seus balanços.

“Dez anos após a crise financeira, o setor bancário experimenta um nível de intensidade e de disrupção competitiva que é muito maior do que o que foi visto antes”, explica o diretor executivo sênior da Accenture e líder global do setor bancário, Julian Skan.

“Com bancos e plataformas de players desafiantes reduzindo a competitividade dos bancos tradicionais e a ameaça de mudança iminente do poder, os players tradicionais não podem mais descansar em seus louros. Os bancos se mobilizam para aproveitar as mudanças no setor, impulsionando tecnologias digitais e modelos de negócios de ecossistema para consolidar sua relevância junto aos clientes e recuperar o crescimento da receita. “

Reino Unido: com a regulamentação aumentando a concorrência no setor de serviços financeiros e reduzindo o domínio de bancos estabelecidos, 63% dos players no Reino Unido são “novos entrantes”. Isso salta aos olhos quando comparado a outros mercados e a média global de 17%. Os “novos entrantes” conquistaram 14% do total das receitas bancárias, com a clara maioria (12%) indo para instituições de pagamentos não bancárias.

Embora tenham obtido apenas cerca de 14% das receitas, os relatórios sugerem que eles estão assumindo um terço da nova receita, o que indica um nível mais alto de disrupção no futuro. Os relatórios também sugerem que os bancos tradicionais, portanto, provavelmente vão começar a ver um impacto significativo nas receitas, à medida em que os principais bancos desafiantes ultrapassarem o limite de 1 milhão de clientes e 15 fintechs obtiverem licenças bancárias completas.

Canadá: investidores apoiaram “novos entrantes” no Canadá com a intenção de disruptar o setor bancário. Enquanto quase metade (47%) das instituições bancárias e de pagamentos são “novas entrantes”, elas obtiveram menos de 2% do total das receitas bancárias e de pagamentos, o que tornou o Canadá um dos principais mercados bancários menos disruptivos.

Europa: na Europa (incluindo o Reino Unido), 20% das instituições bancárias e de pagamentos são “novas entrantes” e conquistaram quase 7% do total da receita bancária e um terço (33%) de todas as novas receitas desde 2005.

“À medida em que o setor bancário experimenta mudanças radicais, impulsionados pela regulamentação, novos entrantes e consumidores exigentes, os bancos precisarão reavaliar seus ativos, pontos fortes e capacidades para determinar se estão levando seus negócios na direção certa,” afirma McIntyre. O futuro pertence aos bancos que capazes de construir novas fontes de crescimento, o inclui oportunidades além dos serviços financeiros tradicionais.

Eles não podem se dar ao luxo de seguir cegamente o caminho estabelecido originalmente no início de sua jornada digital. Mas, como o relatório mostra claramente, não há uma única resposta e cada banco precisa entender verdadeiramente o mercado em que opera antes de traçar um caminho a seguir.

Dois novos relatórios da Accenture quantificam o nível de disrupção no setor bancário: o Banking Beyond North Star Gazing discute como a mudança do mercado molda as prioridades estratégicas para os bancos, e o Star Shifting: Rapid Evolution Required descreve o que os bancos podem fazer para aproveitar essas mudanças para manter a relevância do cliente e garantir o crescimento futuro da receita.

Fonte: Payments Card & Mobile

 

 

Link original da mattéria:

http://cantarinobrasileiro.com.br/blog/crescimento-da-receita-dos-bancos-esta-em-risco-aponta-relatorio/?utm_campaign=newsletter_26102018&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

26/10/2018 | Nubank, Guiabolso e Geru estão entre as fintechs mais inovadoras do mundo

Publicado em 26/10/2018

Por Isabella Câmara - StartSe

 

O estudo, que é divulgado anualmente, inclui 50 startups de finanças melhor classificadas e 50 companhias emergentes

 

O Nubank, o GuiaBolso e a Geru estão entre as 100 fintechs mais inovadoras do mundo, segundo relatório Fintech 100, produzido pela KPMG e H2 Ventures divulgado nesta última quarta-feira (24). O estudo, que é divulgado anualmente, inclui 50 startups de finanças melhor classificadas em relação à sua capacidade de inovação e de captação de recursos, tamanho da empresa, área de atuação e influência no mercado; enquanto outras 50 companhias emergentes entram no ranking devido ao seu modelo de negócio, tecnologia e inovação.

O grande destaque foi o Nubank, que faz parte do ranking desde a edição de 2016, assim como o GuiaBolso, saltou da 12ª posição no ano passado para a 7ª neste ano. Atualmente, a fintech é avaliada em mais de US$ 4 bilhões e já emitiu 5 milhões de cartões de crédito, afirmou o presidente-executivo do Nubank, David Vélez. Segundo o relatório, isso posiciona o Nubank como uma das cinco maiores emissoras de cartões do país e se apresenta como “o maior desafiante de bancos do mundo fora da Ásia”. Além disso, a empresa já conta com 2,5 milhões de usuários em sua conta digital, um serviço lançado há cerca de um ano.

No começo de outubro, a fintech recebeu um investimento de US$ 180  milhões da Tecent, uma das quatro maiores empresas de internet no mundo baseada na China, que conta com 11 startups na lista de fintechs mais inovadoras, segundo o relatório. Frente a esse cenário, o crescimento da instituição não tem previsão para diminuir. “Somos o maior banco digital do mundo Temos um plano de 30 anos de crescimento. Estamos bem no começo”, disse David Vélez.

Já o GuiaBolso, que também alcançou a primeira parte do relatório, subiu duas posições, da 48ª para a 46ª. O portal de finanças pessoas, que atualmente tem cerca de 4 milhões de inscritos, mudou a forma como os brasileiros administram o próprio dinheiro. Conectado a diversos bancos, a startup lê todas as informações, analisa e classifica os gastos dos usuários, sugere empréstimos com as taxas competitivas e até traz sugestões de ações para os usuários por meio de inteligência artificial e oferece cupons de descontos de acordo com base nas preferências de cada um.

“O resultado é o reconhecimento do esforço em ajudar o brasileiro a lidar melhor com seu próprio dinheiro”, afirmou o presidente-executivo e cofundador do GuiaBolso, Thiago Alvarez, para a Reuters.

Primeira vez no ranking

A Geru, por sua vez, aparece pela primeira vez no ranking, ocupando a 77ª posição no grupo de fintechs emergentes, que identifica as fintechs que deverão chamar atenção nos próximos anos. A fintech, criada em 2013, permite que seus usuários façam empréstimos 100% online, em até dez dias.

A startup nasceu como um marketplace de empréstimos, mas em 2015 assumiu como carro chefe o crédito pessoal e se consolidou no mercado ao oferecer taxas mais baixas e competitivas no empréstimo pessoal – de 2% a 5% de juros. Além disso, a fintech agora também oferece um outro produto: o empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS.

 

Link original da matéria:

https://startse.com/noticia/nubank-guiabolso-geru-fintechs-mais-inovadoras

 

18/10/2018 | BC prepara modelo de 'open banking' para ser implementado já em 2019

Publicado em 16/10/2018

Por Isabel Versiani - Valor Econômico

 

O Banco Central definirá, até dezembro, um modelo geral para o funcionamento do “open banking” no país para ser implementado a partir do ano que vem. Em linhas gerais, essa tecnologia possibilita a terceiros acessar e até mesmo movimentar recursos de contas bancárias — desde que com a autorização do cliente. O princípio é que os dados financeiros são dos usuários, e não das instituições financeiras.

A formatação pelo BC, já em discussão com os bancos, vai delimitar questões como a sistemática de compartilhamento dos dados bancários dos clientes, escopo de serviços que podem ser oferecidos e tipo de empresas que podem atuar nessas plataformas abertas, além de prazos de implementação. No mercado, uma das grandes expectativas é em que medida os bancos serão estimulados, ou até forçados, a fornecer os dados de seus clientes, quando autorizados por eles.

Bancos e empresas de tecnologia financeira, as “fintechs”, também especulam sobre as vantagens e desvantagens de o órgão regulador padronizar a forma de comunicação dos bancos com terceiros. No open banking, as instituições financeiras disponibilizam informações sobre seus clientes a outras empresas por meio das chamados APIs, interfaces de programação digital. Esse compartilhamento automatizado abre espaço para a oferta de uma ampla gama de serviços financeiros por diferentes instituições em um mesmo ambiente digital.

O modelo também permite ao usuário final dar início a pagamentos nessa plataforma, autorizando o débito de uma de suas contas bancárias, por exemplo, para quitar parcelas de financiamento que tenha contratado com outro banco ou fintech ou para a compra de um produto ou serviço. Alguns bancos já trabalham com parcerias no formato open banking no país, mas, para que a plataforma passe a ser de fato um instrumento de estímulo à concorrência, como pretende o Banco Central, o compartilhamento deve ser mais abrangente, dando aos clientes poder para escolher as instituições que podem ter acesso a seus dados. Internacionalmente, uma das principais referências de regulação do open banking é a Europa, onde os bancos foram obrigados a abrir os dados dos clientes de forma ampla, a partir do início deste ano.

Em um outro extremo, em Hong Kong, os bancos mantiveram por ora autonomia para definir com que empresas ou instituições compartilham os dados dos seus clientes. No Brasil, o caminho considerado mais provável é o de uma regulação mais impositiva, ainda que precedido de uma discussão com o mercado e de consultas públicas. “Deve ter uma regulamentação, lógico, porque você precisa de segurança em pagamentos, em dados, em utilização de sistemas”, afirma José Luís Rodrigues, conselheiro da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

“Mas vejo esse processo como um caminho sem volta, e acho que os bancos já entenderam isso.” Entre as grandes instituições financeiras, o Banco do Brasil é o mais adiantado no desenvolvimento de parcerias no modelo de open banking. O banco já compartilha dados por meio de APIs com empresas que prestam serviços diferenciados aos clientes, como a ContaAzul, fintech que oferece uma plataforma de gestão integrada ao fluxo das contas bancárias para micro e pequenas empresas; a bxblue, startup de comparação de crédito consignado; e a Dotz, principal programa de fidelidade do varejo brasileiro. O compartilhamento das informações dos clientes só acontece com a autorização expressa dos mesmos.

O gerente-executivo da Diretoria de Negócios Digitais do BB, Carlos Rudnei, afirma que as parcerias são definidas tendo em vista o modelo de negócios e o que vão agregar de vantagem para os clientes. Segundo o executivo, a expectativa é que o BC seja mais criterioso do que a Europa na delimitação do leque de empresas que poderão acessar os dados bancários. “Talvez venha algo mais regulado, mais fechado”, afirmou. Rudnei também diz entender que, diferentemente do que ocorreu na Europa, o BC deveria definir uma padronização para as APIs, modelos detalhados para essas interfaces dos bancos com outras instituições e empresas.

Segundo ele, a regulamentação já é objeto de discussão dos bancos, via Febraban, com o Banco Central, mas não há ainda indicações de como o órgão regulador vai definir essas questões. Procurada, a Febraban não quis comentar. O Banco Central também disse que não comenta questões específicas relacionadas à formatação do modelo, previsto para o fim do ano.

Por meio de nota, a autarquia afirmou que o open banking é um tema de interesse “tendo em conta o potencial impacto na oferta de novos serviços financeiros e sobre a concorrência”. Ricardo Taveira, CEO da fintech Quanto, que desenvolve plataformas para open banking, diz que o setor espera uma atuação “enérgica” do BC para garantir que os dados dos clientes sejam de fato abertos e que a experiência de acesso a essas informações seja a mais descomplicada possível, atendidos os requisitos de segurança.

Nesse sentido, ele defende uma regulação menos detalhada estabelecida pela Europa para a comunicação com os APIs. Esse modelo, segundo ele, se contrapõe ao adotado na Inglaterra, onde foi feita uma padronização que envolveu inclusive o direcionamento da linguagem a ser usada no compartilhamento de dados. “Do lado dos consumidores das APIs, das fintechs, a experiência europeia tem sido melhor”, afirmou Taveira.

“A boa condição de acesso passou a ser um ponto de diferenciação competitiva entre os bancos, a partir de requisitos mínimos.” Marcílio Oliveira, diretor da Sensedia, empresa que desenvolve APIs, acredita que o processo de regulamentação não vai ser concluído antes de 2020.

Ele vê certa resistência dos grandes bancos em abrir as informações para outras instituições e afirma que há muitas questões relacionadas à tecnologia e à segurança a serem definidas. “Mas o movimento do open banking na prática vai vir cada vez mais forte, e por meio dos bancos médios, não dos grandes”, acredita. Um possível exemplo dessa resistência citada por Oliveira – e também de como o governo deve lidar com ela - é a ação movida pelo Bradesco contra o GuiaBolso, empresa que oferece aplicativo para a gestão de contas bancárias. O Bradesco pede, na Justiça de São Paulo, que o GuiaBolso seja impedido de coletar dados dos seus clientes.

O Ministério da Fazenda pediu para atuar como parte interessada na ação. Também solicitou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue possíveis infrações concorrenciais do Bradesco ao GuiaBolso. Em sua petição, a Secretaria de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência (Seprac) do Ministério da Fazenda argumentou que “aplicações como o GuiaBolso contribuem para a educação financeira do consumidor e...permitem que o consumidor tenha acesso a crédito mais barato, ao mesmo tempo em que asseguram menor inadimplência”, afirmou o órgão. Procurado, o Bradesco disse, por meio de nota, que não comenta a ação judicial, mas “esclarece que acredita e incentiva a livre iniciativa e não pratica qualquer conduta anticoncorrencial”.

 

Link para matéria original:

https://www.valor.com.br/financas/5926927/bc-prepara-modelo-de-open-banking-para-ser-implementado-ja-em-2019

16/10/2018 | STARTUPS - ONDE NASCE A INOVAÇÃO

 

Publicado em outubro de 2018

Por Mariana Segala - Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

De onde vêm as startups mais inovadoras do Brasil? Nos últimos 20 anos, algumas regiões se consolidaram como pontos nevrálgicos. São locais onde um conjunto de fatores — mão de obra, mercado, capital, universidades, poder público — proporciona as condições ideais para o surgimento de novos negócios, principalmente de base tecnológica. Nesses ecossistemas em ebulição, surgiram algumas das startups mais revolucionárias do país, incluindo os primeiros unicórnios. É o caso da cidade de São Paulo, que, com suas condições privilegiadas — acesso fácil a universidades, parques tecnológicos, aceleradoras e fundos —, é o berço de fmtechs de impacto como Nubank e GuiaBolso. Ou de Florianópolis, a cidade brasileira com o maior número de startups por habitante — são cerca de 16 mil empreendedores, segundo a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) —, de onde vieram Neoway e Resultados Digitais. E ainda de Belo Horizonte, onde o chamado San Pedro Valley congrega universidades, hubs de inovação e fundos de venture capital: Samba Tech, Méliuz e Sympla são apenas alguns dos cases de sucesso.

Com 300 empresas instaladas e um faturamento anual de R$ 1,7 bilhão, o Porto Digital é considerado o polo mais bem estruturado do país — o local foi apontado como um dos cinco ambientes de negócios mais inovadores do mundo pela consultoria McKinsey Global Institute. “Para conseguir isso, tivemos de reunir o que chamo de tríplice hélice: mercado, universidade e esfera pública. Todos juntos para promover um ambiente de desenvolvimento tecnológico”, afirma Francisco Saboya, atual CEO do parque (a partir de novembro, ele será substituído por Pierre Lucena). Na sua visão, o Porto Digital deveria ser replicado em todo o Brasil. “Somos a prova cabal de que é possível desenvolver políticas públicas combinadas com estratégias privadas em áreas periféricas do país. E que esse tipo de ação resulta em ambientes de empreendedorismo, geração de negócios inovadores e regiões desenvolvidas.”

O desejo de Saboya começa a se realizar. Estudos recentes sugerem uma descentralização cada vez maior dos polos, que surgem em pontos inesperados, muitas vezes sem planejamento, mas com muita vontade de fazer. Um mapeamento realizado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) concluiu que três quartos das startups brasileiras estão localizadas em dez pontos do mapa do país, incluindo cidades que não costumam figurar entre as referências mais tradicionais em tecnologia, como Fortaleza (CE), Londrina (PR) e Uberlândia (MG). Da mesma forma, o último ranking de cidades empreendedoras elaborado anualmente pela En- deavor traz entre as campeãs municípios como Joinville, em Santa Catarina, São José dos Campos, no interior de São Paulo, e, no Paraná, Maringá e Curitiba — esta última subiu 11 posições de um ano para o outro.

Na prática, o que se verifica é que o ambiente de inovação está se alastrando pelo país. Não que os ecossistemas fora do eixo tradicional estivessem dormentes. A maior parte deles tem um histórico que os habilitava a sediar startups de ponta — uma universidade importante, uma empresa pioneira, um mercado emergente. E alguns deles já haviam gerado patentes e produtos inovadores — mas isso acontecia de maneira isolada. “A conexão dos atores dá volume e visibilidade aos ecossistemas. E uma região que demonstra ter força desperta o interesse dos investidores”, diz Jorge Moraes, um dos empreendedores envolvidos na gestão do Rapadura Valley, como é conhecido o ecossistema de Fortaleza.

Entre as cidades que compõem essa espécie de segunda onda dos polos de inovação brasileiros, há muitos pontos em comum. O principal: todas possuem uma rede de instituições de ensino de qualidade reconhecida — em cada uma delas há pelo menos uma universidade federal. Também costuma existir algum “herói” — uma empresa ou um empreendedor que já deu muito certo. Esse personagem, além de ser um exemplo próximo de sucesso, assume um papel de formador de quadros qualificados que, mais tarde, irão empreender por conta própria. Nos ecossistemas bem-sucedidos, também há algum grau de convergência entre os empreendedores.

“A articulação do setor privado é um fator importante”, diz Anna Paula Graboski, que representa em Uberlândia a Singularity University — escola para empreendedores instalada dentro de uma unidade da Nasa no Vale do Silício.

Em alguns polos, essa movimentação acontece de maneira totalmente espontânea. Em outros, alguém assume a frente — seja um parque tecnológico, uma empresa privada ou um órgão do poder público. “Quando se junta o talento, a academia, uma grande empresa, um parque tecnológico ou simplesmente a geografia favorável de uma rua ou um bairro, a chance de dar certo é grande”, diz Amure Pinho, presidente da ABStartups. Para as cidades, o valor dessa equação é gigantesco. “Nos casos em que não existe um ambiente favorável, as pessoas que querem inovar vão embora.

 

APOIO PÚBLICO E PRIVADO

Os fundadores da Agenda Edu se conheceram em 2014, em um Startup Weekend. Um deles chegou com o problema: como aperfeiçoar a comunicação das escolas com os pais dos alunos? Cinquenta e quatro horas mais tarde, nascia o embrião de uma agenda escolar digital hoje adotada por mais de 1,2 mil instituições de ensino. O faturamento, de R$ 2 milhões em 2017 deve triplicar neste ano. Em fevereiro, a empresa recebeu um aporte de R$ 3 milhões do fundo Domo Invest. “Encontramos o talento e o mercado de que precisávamos em Fortaleza mesmo", diz Anderson Morais, 27 anos, CEO da startup. O ecossistema local, apelidado de Rapadura Valley, conta com cerca de 70 coworkings, além de três parques tecnológicos ligados a universidades. No Centro de Inovação da Microsoft, há coworking e pré-aceleração — também é lá que o governo cearense desenvolve o programa Corredores Digitais, de estímulo ao empreendedorismo estudantil. Na sede do Banco do Nordeste (BNB) fica o Hubine, com oito empresas, entre elas a premiada plataforma de aplicativos TotalCross. “Nossos eventos colocam as startups em contato com o mercado", diz Cláudio Freire, diretor do banco. O próximo passo é prover capital: projetos de inovação receberão até R$ 300 mil do BNB, num programa de subvenção de R$ 5 milhões.

 

EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO

Bruno Pierobon, 36 anos, e Gustavo Debs, 32. tinham cargos de liderança no grupo Algar quando começaram a pensar em empreender. A primeira ideia era focada em ferramentas de comparação de preços no e-commerce. Debs saiu do emprego para tocar o projeto. Oito meses depois, Pierobon fez o mesmo. Eram os primeiros passos da Zup, fundada em 2011 em Uberlândia, com mais dois sócios. Eles criaram uma consultoria que desenvolve produtos digitais e que, em 2015, recebeu investimento do fundo Kaszek, de ex-executivos do MercadoLivre. “Despertamos interesse na mão de obra local porque geramos oportunidades fora dos grandes centros", diz Pierobom. A Zup faz parte do ecossistema apelidado de UberHub, que envolve mais de 160 players, entre empresas de base tecnológica, startups, consultorias e universidades. Uma característica do conjunto é mesclar ações do poder público e do setor privado. O programa UberHub Code Club, que ensina programação a adolescentes, foi encabeçado pela prefeitura, mas quem banca é o empresariado. Uma das âncoras é a própria Algar. De um lado, forma quadros — empreendedores que já passaram por lá. De outro, fomenta o ecossistema, com o fundo Algar Ventures e o Instituto Brain, onde novos produtos são criados em parceria com startups.

 

DA SALA DE AULA PARA O PARQUE TECNOLÓGICO

Em 2012, um grupo de aspirantes a empreendedores começou a se reunir de maneira informal nas padarias e botecos de São Carlos, no interior de São Paulo. A sistemática era simples: quem tivesse um projeto ou produto na cabeça o apresentava aos colegas. "Éramos todos inexperientes, mas com muita vontade de botar a mão na massa", diz Bruno Henrique Oliveira, 32 anos. Foi nos encontros do Sanea Hub — como o movimento acabou apelidado — que ele conheceu Christian de Cico, 32. Hoje, eles são sócios da Arquivei, startup que desenvolveu uma plataforma para gerir as notas fiscais das compras realizadas pelas empresas. Fundada em 2014, já recebeu investimentos de três fundos. A cidade, que tem um campus da USP e uma universidade federal (a UFSCar), conta com mais 40 mil universitários, ponto de atração para as startups. A presença de um parque tecnológico criado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o ParqTec, é um estímulo extra para que os projetos saiam do papel. A movimentação se intensificou tanto nos últimos tempos que atraiu para a cidade o centro independente de inovação Onovolab. Instalado nos galpões de uma antiga fábrica de tecidos, abriga 40 startups — até o fim de 2019, o número deve chegar a 300.

 

CELEIRO DE UNICÓRNIOS

Quem chegou primeiro foi a fintech Ebanx, que processa os pagamentos de compras feitas por brasileiros em sites internacionais. Depois, vieram outras empresas, como a plataforma de cursos online EadBox e o sistema de gestão de academias Tecnofit. Nos últimos três anos, diversas startups transferiram seus escritórios para as imediações do terminal de ônibus do Guadalupe, transformando a área central de Curitiba em um polo informal de inovação que emprega pelo menos 2 mil pessoas. “Chegamos a pensar em deixar Curitiba, por razões comerciais, mas resolvemos ficar, porque nossos clientes são globais e aqui a relação entre custo e benefício é favorável", diz André Boaventura, sócio e diretor da Ebanx, que recebeu um aporte de US$ 30 milhões do fundo americano FTV Capital e é cotada para se tornar mais um unicórnio brasileiro. O ecossistema de inovação da cidade, batizado de Vale do Pinhão, recebeu um empurrão do poder público recentemente. Um projeto de revitalização dos bairros Rebouças e Prado Velho, repletos de galpões industriais vazios, propõe incentivos para que a região seja ocupada com iniciativas ligadas à tecnologia. "A área será um laboratório para o Vale do Pinhão”, diz Cristina Alessi, presidente da Agência Curitiba.

 

VOANDO BEM ALTO

No entorno da avenida Santos Dumont, estão sediadas algumas das startups mais prestigiadas de Joinville, como a Meus Pedidos, focada na automação de equipes de vendas, e a Asaas, plataforma de cobrança para pequenos empreendedores. Próxima de universidades e do aeroporto, a região já abrigou a sede da Datasul, gigante do software incorporada pela Totvs em 2008. No intervalo entre o boom da Datasul e a febre de startups dos últimos cinco anos, o ecossistema local saiu dos holofotes — em Santa Catarina, o protagonismo ficou por muito tempo com Florianópolis, isso está mudando: Joinville já é a terceira cidade do país em número de startups por habitante, segundo a ABS. A Conta Azul, que criou um sistema de gestão para pequenas empresas, é o empreendimento mais conhecido a sair de lá. Piero Contezini, cofundador e CEO da Asaas, estava no time pioneiro da Conta Azul. Em seu novo negócio, fundado em 2013, desenvolveu um sistema que permite a pequenas empresas emitir um boleto de cobrança em 30 segundos. "Há uma série de tecnologias disruptivas em desenvolvimento na cidade", diz Contezini. A Asaas, que já recebeu investimentos de R$ 10 milhões, deve encerrar 2018 com um faturamento de R$ 13 milhões.

Perdem-se os profissionais com melhor formação, que procuram oportunidades nos grandes centros. A formação de um polo muda tudo isso”, afirma Pinho.

Para as empresas nascentes, pode ser interessante estar fora dos polos consagrados. Embora ali os talentos sejam abundantes, também há uma quantidade maior de competidores disputando as mesmas pessoas. O custo da mão de obra, portanto, é mais elevado — assim como o custo de aluguel de espaços físicos. “É mais caro extrair inovação nesses lugares”, diz Pinho. Para quem opta por novos ecossistemas, o mais difícil costuma ser o acesso a capital, já que o grosso dos investidores — anjos e fundos — está instalado em cidades como Rio, São Paulo e Florianópolis. Por isso, a ponte aérea é uma constante na vida desses empreendedores. Mas esse é só mais um dos desafios de quem procura inovar no país. “O Brasil faz inovação do jeito certo, mas de forma lenta”, diz Jorge Audy, membro do conselho consultivo da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Para acelerar o ecossistema, ele acredita que é preciso união. “Governo, sociedade, empresas e universidades precisam se organizar, criar metas e colocá-las em prática. A inovação tecnológica será consequência”, diz.

15/10/2018 | Quer se manter competitivo na Nova Economia?

Publicado em 15/10/2018

Por Redação - Startse

 

Saiba o que o mercado espera de você, segundo um estudo global que analisou 25 áreas de habilidades

 

Nos próximos anos, o ambiente de trabalho deve passar por uma fase ainda mais acelerada de mudanças no que diz respeito às competências exigidas dos profissionais. Isso por que só aumenta a velocidade de adoção das novas tecnologias e, junto com elas, as novas ferramentas de gestão e modelos organizacionais. Com isso, deverá haver uma forte ênfase no aprendizado contínuo e um aumento no trabalho multifuncional e baseado em equipe. Essas são algumas das conclusões de um relatório recente do McKinsey Global Institute, “Skill Shift: Automation and the Future of Workforce”, o último de uma série de estudos conduzidos pela consultoria com o objetivo de explorar o impacto das novas tecnologias em empregos, organizações e o no futuro do trabalho.

“À medida que as tarefas mudam, os empregos precisam ser redefinidos e as empresas dizem que precisam se tornar mais ágeis”, afirma o relatório. Da mesma forma, liderança e recursos humanos também precisam se adaptar. “Quase 20% das empresas dizem que sua equipe executiva não possui conhecimento suficiente para liderar a adoção de novas tecnologias como a inteligência artificial.” Para entender melhor as mudanças nas habilidades exigidas dos trabalhadores nos próximos 10 a 15 anos, o estudo analisou como o número total de horas trabalhadas em 25 áreas de habilidades diferentes mudou entre 2002 e 2016 e estimou a mudança esperada nas horas trabalhadas até 2030. Isso foi feito para os Estados Unidos e cinco países da Europa Ocidental. As conclusões apresentadas a seguir são referentes aos dados para a força de trabalho dos Estados Unidos, embora as mudanças apontadas pelo relatório da McKinsey  para a Europa seja semelhantes. O que significa que de certa forma, os dados conversam (e muito) com as demandas e necessidades do mercado de trabalho no Brasil.

No total, o conjunto de horas trabalhadas para todas as 25 habilidades subiu cerca de 8% entre 2002 e 2016 – 266 bilhões de horas para 287 bilhões e espera-se um crescimento adicional de 8% até 2030 para 310 bilhões de horas. O relatório classificou as 25 habilidades em cinco grandes categorias: física e manual, cognitiva básica, cognitiva superior, social e emocional e tecnológica. Abaixo, um resumo de como as habilidades estão mudando em cada uma das cinco categorias.

As habilidades físicas e manuais representam a maior porcentagem de horas trabalhadas nos Estados Unidos, embora as horas tenham caído de 33% do total de horas em 2002 para 31% em 2016. Espera-se que elas diminuam ainda mais para cerca de 26% do total de horas trabalhou por 2030.

As habilidades cognitivas básicas, que se referem ao processamento de dados básicos, foram de 20% do total de horas trabalhadas em 2002, 18% em 2016, e devem cair para cerca de 15% das horas trabalhadas até 2030, o maior declínio da categoria.

As habilidades cognitivas mais elevadas, que incluem redação avançadas, pensamento crítico, gerenciamento de projetos e criatividade, têm sido relativamente constantes: 21% em 2002 e 22% em 2016 e 2030. Até 2030, a demanda por essas habilidades crescerá particularmente rápido. Crescem em importância competências como a criatividade, o pensamento crítico e a habilidade para o processamento de informações complexas.

As habilidades sociais e emocionais incluem habilidades avançadas de comunicação, gerenciamento e negociação. A procura de trabalhadores nesta categoria aumentou ligeiramente, de 17% do total de horas trabalhadas em 2002 para 18% em 2016, mas espera-se que suba abruptamente para 21% em 2013. Competências como o empreendedorismo, a liderança e as habilidades interpessoais serão ainda mais valorizadas nos próximos anos.

A demanda por habilidades tecnológicas continuará acelerando, de 9% do total de horas trabalhadas em 2002 para 11% em 2016 e 16% até 2030. O crescimento mais rápido é esperado em habilidades avançadas de TI e programação e em habilidades digitais básicas, que poderiam crescer 90% e 70%, respectivamente, nos próximos 10 a 15 anos.

O estudo da McKinsey também pesquisou mais de 3000 executivos do C-level (altos executivos que ocupam posição de diretores e acima) em sete economias avançadas: Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. A pesquisa confirmou as descobertas quantitativas do estudo. A informática avançada e a programação são as habilidades mais importantes necessárias nos próximos três anos. Habilidades cognitivas, sociais e emocionais também estarão em alta demanda. Mas as habilidades físicas e manuais, assim como as habilidades cognitivas básicas, continuarão a declinar.

Os empregos continuarão mudando através da automação de algumas de suas atividades constituintes. Isso levará à criação de novos tipos de trabalhos que antes exigiam talentos altamente qualificados e difíceis de encontrar, mas que agora podem ser feitos por trabalhadores com qualificação média com a ajuda de ferramentas avançadas. Entre essas mudanças, mostra o estudo, estão a criação dos chamados novos “empregos de colarinho”, novos tipos de ocupações intermediárias, nem as tradicionais de colarinho azul ou branco, que muitas indústrias já buscam, mas permanecem em grande parte não preenchidas.

Para construir a força de trabalho do futuro, o relatório da McKinsey  recomenda que as empresas adotem cinco tipos principais de ações:

Reciclar. Significa aumentar os níveis de habilidades dos funcionários, ensinando-os competências novas e mais avançadas. Isso garante que o conhecimento funcional interno, a experiência e a compreensão da cultura da empresa sejam preservados;

Reimplantar. Isto é, mudar partes da força de trabalho redefinindo tarefas ou redesenhando processos para fazer melhor uso das capacidades de habilidades já disponíveis internamente;

Contratar. Nada mais é do que recrutar indivíduos ou equipes com os novos conjuntos de habilidades necessários. Embora sujeito ao fornecimento de talentos no mercado, o custo total de contratação pode ser menor do que outras opções, incluindo reciclagem;

Terceirizar. Ampliar a oferta de trabalho a trabalhadores externos, como freelancers ou trabalhadores temporários. Isso permite que as empresas adquiram rapidamente as habilidades necessárias;

Demitir. Essa opção pode ser necessária em setores que não estão crescendo com rapidez suficiente ou em que a automação pode substituir significativamente os trabalhadores. Muitas vezes, isso pode ser feito reduzindo ou congelando novas contratações e aguardando o desgaste normal e a aposentadoria.

“Quase metade das empresas que pesquisamos dizem que esperam assumir a liderança na construção da força de trabalho do futuro, mas todas as partes interessadas precisam trabalhar juntas para gerenciar a reciclagem em larga escala e outros desafios de transição”, conclui o relatório da McKinsey.

“As empresas podem colaborar com os educadores para reformular os currículos escolares e universitários. As associações do setor podem ajudar a construir linhas de talentos, enquanto os sindicatos podem ajudar com a mobilidade entre setores ", afirma o relatório. Segundo o estudo, os governos precisarão reforçar as salvaguardas dos trabalhadores em transição e incentivar a mobilidade, inclusive com a mudança no pacote de benefícios.

 

Link da matéria original:

https://startse.com/noticia/quer-se-manter-competitivo-na-nova-economia

08/10/2018 | "Ou você muda, ou você morre", diz presidente da Microsoft Brasil em evento sobre inteligência artificial

Publicado em 05/10/2018

Por ANA LAURA STACHEWSKI - Época Negócios Digital

 

Para a executiva Paula Bellizia, as empresas precisarão adotar posturas mais abertas para sobreviver ao futuro

 

"Nós éramos uma empresa que não falava com nenhuma outra plataforma até quatro anos atrás. Hoje isso é impossível, e nós aprendemos da maneira mais difícil", diz Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, sobre a colaboração entre empresas de tecnologia. A executiva integrou um dos painéis do evento Lide Next, na última quarta-feira (03/10), em São Paulo, com o objetivo de abordar os avanços da inteligência artificial (IA).

Bellizia usou o exemplo da própria Microsoft para discutir as mudanças proporcionadas por tecnologias como essa no âmbito das empresas. A tendência, segundo ela, é o mundo ser cada vez mais aberto ao compartilhamento de dados e à formação de parcerias em nome de um desenvolvimento em grande escala. "A missão que estamos aprendendo no mundo de tecnologia é que você precisa abrir mão de posições fixas, se quiser continuar evoluindo. Ou você muda, ou você morre", diz.

Também integrou a discussão Rico Malvar, cientista-chefe dos laboratórios de pesquisa da Microsoft. Segundo ele, a discussão sobre a inteligência artificial deve ir além de seu aspecto tecnológico, abordando seu papel para o desenvolvimento da sociedade. "[A IA] é importante por sua capacidade de trazer uma nova vida a nível individual, de empresa, de governo e de novos serviços para os cidadãos", diz. Ele completa que o que temos hoje nessa área ainda é a "ponta do iceberg" e que o maior potencial virá quando a inteligência artificial for combinada à inteligência humana.

O engenheiro e cientista destaca que a discussão central sobre o impacto da IA nos empregos não deve estar em como ela vai substituí-los. Está, na verdade, em como ela vai transformá-los. "A inteligência artificial não é apenas um tópico a ser estudado. É um tópico que tem que influenciar todos os outros, da biologia à sociologia", diz, destacando-a como uma forma de empoderar, capacitar e incluir cada vez mais as pessoas. Ele admite, porém, que alguns empregos devem ser, sim, suprimidos no meio desse caminho.

Nesse sentido, Paula Bellizia destaca a importância de que as empresas qualifiquem seus funcionários e os colaboradores que estiverem buscando. O empreendedorismo, segundo ela, também terá um papel importante. "Não acho que as empresas vão ser capazes de gerar todos os empregos necessários para a força de trabalho", diz ela. "Quando eu penso no Brasil, eu penso em uma jornada que leve ao empreendedorismo".

A executiva também aponta que a questão não é discutir o que os computadores podem fazer. "A questão é discutir o que nós, como humanidade, gostaríamos que eles fizessem por nós", diz. Esse diálogo, segundo ela, não deve ocorrer de forma individual dentro das empresas. Seria preciso atingir um nível global – inclusive em termos de regulamentação. "O Brasil, sozinho, não vai conseguir ter suas próprias leis ou regulamentações. Estamos envolvidos em um contexto global", explica ela. "A tecnologia sempre vai estar dois ou três passos à frente e a regulamentação sempre terá de correr atrás".

 

Link original da matéria:

https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2018/10/ou-voce-muda-ou-voce-morre-diz-presidente-da-microsoft-brasil-em-evento-sobre-inteligencia-artificial.html

04/10/2018 | Inteligência artificial deve movimentar R$ 730 mi no Brasil em 2018

Publicado em 03/10/2018

Por  Wagner Wakka - MSN Notícias

 

Inteligência artificial deve movimentar R$ 730 milhões (US$ 180 mi) este ano, segundo estimativas do Sebrae em relatório sobre o tema. Ainda segundo um novo levantamento da IBM, o Brasil é o segundo país que mais utiliza o Watson, motor de IA da empresa. Mas, afinal, o que faz da ferramenta tão preciosa para o mercado?

“As empresas brasileiras já entenderam que têm condições de utilizar a IA para melhorar seus negócios. Não são apenas as grandes, muitas startups utilizam o Watson”, destaca o líder de vendas da ferramenta no Brasil, Roberto Celestino. Ao todo, a companhia aponta ao menos 20 tipos de indústrias que trabalham com o Watson, entre grandes bancos até sistemas de educação e pequenas empresas.

Uma das startups, por exemplo, é a I.Systems, situada em Campinas (SP). Uma das funções da empresa é fornecer soluções de produção usando inteligência artificial, principalmente para gestão de energia industrial. Segundo um dos fundadores da companhia, Igor Santiago, a IA tem capacidade de reconhecer os locais que precisam mais de energia de acordo com a produção. Por exemplo, se um setor está “a pleno vapor”, o sistema automaticamente aumenta a geração de energia nas caldeiras direcionada para o setor. “O nosso sistema fica observando quando são ligados e desligados os equipamentos. Com isso conseguimos aumentar a quantidade de energia gerada pela caldeira quando prevemos que uma máquina vai entrar em operação”, explica Santiago. Isso é capaz de gerar uma economia, entre 2% a 10%, ele estima.

Outro setor que se beneficia de investimentos do tipo é do pinturas automotivas. A startup chamada Autaza criou uma IA capaz de reconhecer distorções micrométricas na pintura. Tal sistema está sendo implantado pela General Motors na fábrica da Chevrolet em São Caetano do Sul, no estado de São Paulo, e com isso, a expectativa é de que caia em 60% a necessidade de retrabalho de pintura, além de aumento da velocidade de inspeção.

Os sistemas funcionam com exemplo e aprendizagem. No caso do sistema de pintura, há um banco de dados em nuvem com uma série de exemplos de defeitos comparados com modelos perfeitos de pintura. Quando o sistema reconhece um micro defeito como os apontados no banco de dados, acusa o erro.

Embora a inteligência artificial possa ser eficiente em produção e análise de informações , ela ainda tem um problema, que é o direcionamento. A ferramenta só funciona em sistemas fechados, isto é, exige que todo o cenário e treinamento seja feito para uma determinada função e nada mais.

“A inteligência artificial não tem vontade própria. Ela deve fazer aquilo para o que ela foi treinada. No caso de Watson, se eu treinei para responder sobre determinado domínio de conhecimento, qualquer coisa diferente daquilo, ela não vai conseguir fazer”. O especialista ainda lembra que a IBM e as outras grandes desenvolvedoras têm um acordo ético. “O objetivo é que possamos desenvolver a tecnologia pensando na utilização de forma mais ética possível. Temos que trazer facilidade para o ser humano”, aponta Celestino.

Contudo, o que pode ser um limitante para o trabalho, também funciona como segurança para a possibilidade de a máquina “criar vida própria”.

Outra questão é sobre proteção de dados. Para o bom treinamento de uma IA, é preciso que muitas informações sejam colocadas em nuvem, algo na casa dos milhares ou milhões de dados que podem carregar segredos industriais.

Estes dois dados são apontados pela IBM como os principais desafios para o futuro da implantação de inteligência artificial na indústria.

 

Link original da matéria:

http://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/intelig%C3%AAncia-artificial-deve-movimentar-rdollar-730-mi-no-brasil-em-2018/ar-BBNRajT?srcref=rss

19/09/2018 | As 25 startups mais desejadas do Brasil, de acordo com o LinkedIn

Publicado em 19/09/2018

Por Tainá Freitas - Startse

 

O LinkedIn – rede social focada em conexões e negócios -, publicou, nesta terça-feira (18), seu ranking das 25 top startups de 2018, ou “as startups mais desejadas no Brasil”. As startups foram avaliadas de acordo com o crescimento do número de funcionários, engajamento, interesse em empregos e atração dos melhores talentos.

O crescimento do número de funcionários foi medido através do aumento do percentual de número de pessoas em um ano, que deveria ter o mínimo de 15%. Já o engajamento foi medido através do número de não-funcionários que veem e seguem a página das empresas (ou de seus colaboradores) na rede social. Já o interesse em empregos é medido através do número de pessoas que visualizam as vagas e se candidatam a elas. Já a atração dos “melhores talentos” corresponde ao número de funcionários recrutados de empresas que estão em outra lista da rede social – a LinkedIn Top Companies.

Para entrarem na lista, as startups deveriam ser independentes, ter 50 funcionários ou mais, sede no país e o máximo de sete anos de idade. No Brasil, as empresas que mais se destacaram foram as fintechs – 13 das 25 startups que estão na lista têm, em seu modelo de negócios, soluções para o mercado financeiro.

Confira a lista:

1 - Nubank

O Nubank foi considerado pelo LinkedIn a startup mais desejada do Brasil. A fintech oferece soluções financeiras – como cartão de crédito e conta de pagamentos – gratuitas ou com taxas menores do que os bancos tradicionais, com um serviço 100% digital. A startup atingiu o valuation de US$ 1 bilhão neste ano – ou seja, se tornou um unicórnio. Segundo a pesquisa, o Nubank possui 1.111 funcionários, tendo contratado mais de 800 profissionais no período de um ano (de 1 de julho de 2017 até 30 junho de 2018) e com intenções de abrir mais 200 oportunidades em finanças e engenharia até meados de 2019.

2 - Creditas

A Creditas oferece empréstimos com juros mais baixos ao utilizar um modelo digital de crédito com garantia. Ao oferecerem um imóvel ou um carro quitado como garantia de pagamento, as taxas iniciais disponibilizadas são de 1,15% e 1,49%, respectivamente. A fintech possui 468 funcionários e espera aumentar sua receita em 600% neste ano devido à procura de crédito, segundo o LinkedIn.

3 - GuiaBolso

O GuiaBolso é um aplicativo de gestão de finanças no qual os usuários podem vincular suas contas bancárias e cartões de crédito, tendo uma análise real e completa de quais são seus maiores gastos e saúde financeira. A startup também auxilia na contratação de empréstimos com preços competitivos através de parceiros. Segundo o LinkedIn, a fintech conta com 192 funcionários e pretende escalar sua quantidade de parceiros de crédito, além de trazer dicas financeiras personalizadas através de inteligência artificial.

4 - Docket

A Docket é uma lawtech que propõe facilitar a gestão de documentos jurídicos através de machine learning, diminuindo o tempo com a busca e análise de documentos. Segundo a pesquisa, a startup cresceu 300% e quadruplicou seu time de colaboradores no último ano – hoje a empresa conta com 95 funcionários. Além disso, a startup ainda planeja contratar mais 100 colaboradores em tecnologia, produto e vendas.

5 - Stone Pagamentos

A Stone Pagamentos é uma fintech focada em soluções de terminais de pagamento – as “maquininhas”. A startup oferece consultores e controle de vendas, além de propor “melhores condições de taxas”. Segundo o LinkedIn, a startup tem 1.954 funcionários, além de planejar uma abertura de capital na NYSE, bolsa de valores de Nova York.

6 - QuintoAndar

A QuintoAndar é uma startup que permite a locação de um imóvel totalmente pela internet, sem a necessidade de seguro-fiança – no caso, é a própria startup que arca com os custos. Criada em 2013, hoje a startup conta com 350 colaboradores e, segundo a pesquisa, pretende dobrar seu número de funcionários em 2019.

7 - CargoX

A CargoX conecta motoristas de caminhão com empresas, aproveitando espaços ociosos em viagens de retorno para transportar cargas. Dessa forma, os custos diminuem para os clientes e os motoristas possuem maior demanda. Segundo a pesquisa, a startup possui 250 funcionários e planeja contratar 350 pessoas até julho de 2019.

8 - Loggi

A Loggi oferece entrega expressa em grandes cidades, utilizando tecnologias como inteligência artificial e Big Data para realizar a roteirização das viagens, permitindo que clientes acompanhem o trajeto das entregas. A startup conta com 380 colaboradores, segundo o LinkedIn, e pretende abrir mais 250 vagas até julho de 2019.

9 - One Cloud Solutions

A Sky.One é uma startup que oferece soluções de computação em nuvem para empresas, realizando desde migrações de sistema à consultoria com gestão de dados. Hoje, a startup conta com 75 funcionários e planeja continuar crescendo em receita. Segundo o LinkedIn, entre 2016 e 2017, a receita da startup cresceu 126%.

10 - Hotmart

A Hotmart é uma plataforma para hospedagem de cursos online, podcasts, entre outros conteúdos de variados temas. Segundo a pesquisa, a startup conta com 315 funcionários e 1 milhão de afiliados. A empresa foi criada seguindo o método de bootstrapping e recebeu investimento em 2013.

11 - MaxMilhas

A MaxMilhas realiza a conexão de pessoas que desejam comprar passagens aéreas entre as que desejam vender milhas, disponibilizando passagens com desconto para os compradores. A startup permite a compra dos bilhetes na própria plataforma. Segundo o LinkedIn, a MaxMilhas já negociou mais de 12 bilhões de milhas e deve emitir 2 milhões de passagens até o final deste ano. Ainda segundo a pesquisa, mais 100 novas vagas deverão ser abertas na startup até julho de 2019.

12 - Zoop

A Zoop é uma fintech que auxilia que outras empresas criem suas plataformas de pagamento, permitindo que efetuem cobranças e gerenciem recebíveis. As ferramentas oferecidas pela startup permitem que as empresas deem a própria identidade visual às plataformas. Segundo o LinkedIn, a Zoop conta com 85 funcionários e planeja crescer 10 vezes ainda este ano – principalmente após receber um aporte de US$ 18 milhões da Movile.

13 - Mandaê

A Mandaê é uma startup que realiza toda a logística de entrega que requer um e-commerce, por exemplo. A startup coleta as encomendas, realiza a roteirização das rotas e efetua as entregas, concorrendo diretamente com serviços como o Correios. Neste ano, a startup recebeu investimento de US$ 7,1 milhões e conta com 120 colaboradores, segundo a pesquisa.

14 - Beblue

A Beblue é uma fintech que promove o cashback – os consumidores recebem uma porcentagem do dinheiro de volta nas compras realizadas em estabelecimentos parceiros. O cashback pode ser utilizado inclusive em novas compras nos estabelecimentos. Neste ano, a startup lançou sua carteira digital, que superou o rendimento anual da poupança, e conta com 427 funcionários.

15 - MindMiners

A MindMiners é uma startup de pesquisa que utiliza a tecnologia para agilizar o tempo de respostas. Hoje, a empresa conta com 48 funcionários. Segundo o Linkedin, a startup possui um onboarding diferenciado: os novos colaboradores são desafiados a construir projetos com a ferramenta para viver a experiência do consumidor logo no início.

16 - Mercado Bitcoin

O Mercado Bitcoin é exchange de criptomoedas – uma “corretora” que realiza a negociação de moedas virtuais, como o Bitcoin. Hoje, segundo o LinkedIn, a startup conta com 102 funcionários e pretende dobrar o número de colaboradores em TI e segurança da informação, além de investir R$ 10 milhões nessas áreas ainda em 2018.

17 - Vindi

A Vindi é uma fintech com soluções de pagamento e cobrança para outras empresas. A startup possui uma API que facilita a adoção de diversas formas de pagamento, além de disponibilizar cobranças a partir de SMS. De acordo com o LinkedIn, a Vindi possui 100 colaboradores e dobrou de tamanho em 2016 e 2017.

18 - Conta Azul

A fintech atua na gestão financeira de pequenas empresas, atuando no fluxo de caixa a integrações bancárias e contábeis. A Conta Azul ainda atua como um intermediador entre empresas e contadores, permitindo o envio de documentos digitalmente. A startup recebeu um aporte de R$ 100 milhões neste ano e pretende encerrar este ano com 500 funcionários, contando com 370 colaboradores até então, segundo a pesquisa.

19 - Nibo

A fintech realiza a gestão financeira de empresas através de software. Além disso, a Nibo também realiza a integração com contadores, permitindo a troca de mensagens e oferecendo soluções também para os escritórios. A startup conta com 105 colaboradores, segundo o LinkedIn, e recebeu um aporte de R$ 20 milhões.

20 - Rock Content

A startup oferece estratégias de marketing para outras empresas, buscando o impulsionamento de vendas e menor custo na geração de leads. A startup possui 340 funcionários entre a sede em Belo Horizonte e o escritório no México e, segundo a pesquisa, dobrou seu faturamento no ano passado.

21 - Geru

A fintech oferece empréstimos pessoais e consignados de R$ 2 mil a R$ 50 mil totalmente online e a preços competitivos - suas taxas variam de 1,88% e 5,02% ao mês, com prazos de pagamento de 12 a 36 meses. Segundo a pesquisa, a Geru conta com 117 colaboradores e foco em diversidade na contratação de funcionários – hoje, as mulheres são maioria nas posições de gestão da startup.

22 - Amaro

A Amaro é um e-commerce de roupas femininas que fez o caminho inverso ao convencional: ela abriu 13 pontos de vendas físicos após o online. Além de utilizar tecnologia nas vendas, a startup também utiliza a tecnologia em sua cadeia logística de entregas. Segundo o LinkedIn, a startup possui 360 funcionários e dobrou seu faturamento em 2017.

23 - EBANX

A fintech possibilita a realização de compras em sites estrangeiros com formas de pagamento diferentes do cartão de crédito internacional, como, por exemplo, o boleto. Segundo o LinkedIn, a startup conta com 383 funcionários e deseja aumentar em 67% o valor transacionado na América Latina neste ano.

24 - Contabilizei

A Contabilizei é uma fintech que oferece serviços online para trabalhadores autônomos e pequenas e médias empresas. A startup oferece desde conteúdos explicativos sobre impostos à relatórios contábeis e foi considerada uma das empresas mais inovadoras da América Latina pela Fast Company, em 2017. Segundo a pesquisa, a fintech conta com 205 colaboradores.

25 - MODERN Logistics

A MODERN Logistics utiliza aviões para realizar o transporte de cargas no Brasil. A startup conta com a própria frota aérea, transporte terrestre e armazenagem. Segundo o LinkedIn, a Modern conta com 157 funcionários, possui quatro aviões cargueiros e pretende ampliar este número para 18 aeronaves em 2021.

 

Link original da matéria:

https://startse.com/noticia/ranking-startups-linkedin

 

13/09/2018 | “Para inovar, tenho que ter os pés no chão, no hoje, e a cabeça no futuro”

Publicado em 12/09/2018

Por Marina Audi - Projeto Draft

 

Ele nasceu em São Paulo, mudou-se para Salvador aos cinco anos e por lá ficou até os 34. Dali, voltou para sua cidade natal com o status de diretor do banco Excel-Econômico. Hoje, o economista Luca Cavalcanti, 56, é um dos diretores-executivos do terceiro maior banco do Brasil, o Bradesco, e recebeu o Draft no ambiente mais solto e moderno da organização: o espaço de co-inovação Habitat, inaugurado há seis meses e que já reúne 160 startups e 60 empresas.

Luca Cavalcanti chegou ao Bradesco em 2003. Atualmente, está na diretoria de Pesquisa, Inovação e Canais Digitais. Ao seu comando estão projetos e iniciativas disruptivas como o Next – banco 100% digital lançado em 2017 e que já possui 260 mil contas correntes abertas – e o inovaBra – ecossistema criado para promover a inovação dentro e fora do Bradesco, formado por oito programas, entre eles aceleração de startups e desenvolvimento de Inteligência Artificial.

“Tudo isso aconteceu porque o banco fez investimentos significativos em TI, durante cinco anos, para que tivéssemos uma plataforma aberta, no conceito de Open Banking, que provesse uma arquitetura de sistema com condições de ter evoluções importantes como a BIA (Bradesco Inteligência Artificial) e de construirmos o Next em um ano através de APIs”, diz Luca. Leia, abaixo, os melhores trechos da conversa que resgata o que foi e o que será o futuro da inovação nos serviços financeiros do banco.

 

Você trabalhou muito tempo com produtos e serviços bancários. Acompanhou de perto tanto a transformação do mercado brasileiro como as transformações tecnológicas. Como foi isso?

Tenho uma carreira bancária de 35 anos. Em 1982, aos 18, entrei no Banco Econômico. Naquela época, os hardwares eram os computadores. Não existiam ainda os computadores pessoais. É importante falar isso para as pessoas entenderem que aquele mundo não era digital, mas era uma coisa nova. Os computadores geravam grandes relatórios, muito distantes da necessidade do negócio. Mais adiante, houve dois momentos interessantes no mundo bancário. O primeiro foi o surgimento do banco de varejo. O segundo, o movimento de automação bancária, que deixou de ser escriturada para ser feita pelo computador, já com os terminais de caixas automáticos. Isso gerou a necessidade dos bancos mudarem.

 

Como eram criados os produtos bancários naquela época?

No varejo, tudo era novo. Tinha uma dinâmica diferente daquela do banco “contador”, com produtos mais básicos.

Tive de entender o novo momento e trazer inovação. O que eu fazia não se chamava “inovação” na época, mas “forma diferente de fazer banco”

Nós lançamos o primeiro cartão múltiplo do mercado brasileiro, o crédito com débito, em parceria com os bancos BCN, Bamerindus e American Express. Depois, veio a primeira conta de investimento com débito automático, quer dizer, fazia-se investimento e debitava-se automaticamente. Havia, e ainda há, um problema grande que era o atendimento ao aposentado. Então, criamos um atendimento com hora marcada para eles não pegarem fila. Fomos rompendo a forma tradicional de servir e criar produtos na relação bancária. Sempre gostei de enfrentar esse tipo de desafio e buscar a mudança com a organização.

 

É mais fácil construir bons produtos e serviços ou construir boa comunicação para eles?

O Bradesco tem essa coisa da inovação desde sempre, inovar junto com seu corpo funcional, seja pelo desafio de estar à frente ou para buscar tecnologias novas, tanto para melhor performance ou para melhor atendimento ao cliente. Dois exemplos são a implantação do primeiro ATM (autoatendimento) e do primeiro banco pela internet do país.

Em relação à comunicação, o slogan do banco sempre traz o que está na essência da organização. Como curiosidade, à época da minha chegada, o slogan era “colocando você sempre à frente”. Isso era importante porque, realmente, o banco colocava o cliente nessa posição. Na sequência, construímos um projeto interessante de comunicação, que entendia o banco como sendo completo. (A campanha “Completo” ajudou o Bradesco a se tornar a marca mais valiosa do Brasil, de 2006 a 2009, segundo a consultoria Brand Finance). Em cima desse posicionamento, criamos uma comunicação que deu destaque para a segmentação do banco – que já tinha área de Corporate, Empresas, Prime e Bradesco Agência –, mas não era percebido como tal.

Em 2007, por exemplo, fizemos a ação de comunicação com a Fundação Bradesco, com impressão e distribuição do livro “120 razões para ser cliente completo” e lançamos o Banco do Planeta (área dedicada a centralizar os projetos e ações socioambientais da instituição). Tem todo um conjunto de ações que nortearam a comunicação do banco até desenvolvermos o posicionamento “Presença”, em 2009, quando chegamos a todos os municípios do Brasil.

 

Em 2009, você assumiu a Diretoria de Canais Digitais. Qual era a dimensão da área então?

Canais Digitais sempre teve um protagonismo e o Bradesco investiu muito dentro desse contexto. O que houve foi uma mudança exponencial de tecnologia, a partir de 2008, com a transformação dos celulares.

O smartphone trouxe a oportunidade de se ter, com o mesmo aparelho, uma mudança constante da experiência e do serviço que se presta

Isso mudou a forma, o conceito e o olhar pelo prisma do universo digital. Antes do smartphone, tínhamos no ATM, no contact center do Fone Fácil e na internet canais sofisticados para a época.

 

Em termos práticos, o que mudou de lá para cá?

O banco começou a perceber a interconexão entre os canais, o que mais tarde veio a ser chamado de multicanal ou omnichannel. E ser multicanal passou a ter um significado maior na vida das pessoas. Os canais alternativos passaram a ser canais principais. Depois, veio a descoberta do uso da internet em casa, primeiro com os computadores de mesa e, depois, na palma da mão com o celular. No Fone Fácil, teve a implantação da URA (Unidade de Resposta Audível é um aparelho eletrônico que reconhece tarefas de telefonia tais como atender, discar, desligar, reconhecer dígitos) e mais recentemente a vinda do comando de voz no celular, usando a Siri, que permitiu ao canal ter diversos serviços que substituem a necessidade do cliente ir à agência.

 

Ao falar dos novos canais é inevitável abordarmos a BIA – Bradesco Inteligência Artificial. Como ela funciona?

Estamos com a BIA funcionando há dois anos e só agora fomos para a mídia com um comercial. Para os nossos clientes, ela existe há um ano, no aplicativo do banco. Assim, já tivemos 24 milhões de conversas com a BIA. O maior potencial estratégico da inteligência artificial é a quantidade de conversas com o cliente, porque cada uma delas gera uma base de conhecimento. Então, nosso segredo estratégico foi criamos bases de conhecimento.

Começamos a ensinar a BIA com o que os próprios funcionários não sabiam. Esse foi nosso maior acerto em relação aos concorrentes

A BIA é agnóstica, mas ela usa o Watson da IBM, como principal fornecedor. Hoje, é vendida pela IBM como referência para o setor bancário mundo afora, porque ninguém tem a escalabilidade que nós atingimos.

 

De onde partiu o conceito de uso de IA na organização?

Lá atrás, entendemos que a IA poderia ser iniciada por vários caminhos, um deles era o aconselhamento de clientes. Mercados financeiros do mundo todo fizeram assim. Mas nós olhamos para o ambiente e para tecnologia que tínhamos e entendemos que havia um problema, uma dor latente que era como atender as necessidades de nossos funcionários com o tamanho que o banco estava.

Tínhamos quase 100 mil funcionários espalhados pelo país e existia a dificuldade de fazermos o atendimento a eles, internamente, para procedimentos e processos administrativos de produtos e serviços. Então, criamos nos computadores das agências e dos departamentos um chat simples da BIA, na tela da intranet. Até hoje, o funcionário abre a tela da BIA, faz uma pergunta e recebe a resposta. Essa dinâmica simples foi disseminada para todos os nossos funcionários e trouxe indicadores importantes. As pessoas que antes atendiam as agências de forma centralizada no contact center foram trazidas para uma área batizada de CEBIA – Centro de Excelência Bradesco Inteligência Artificial, que é a área que ensina a BIA. O foco inicial era levar conhecimento – perguntas e respostas – para 60 produtos. Assim, quando decidimos abrir para o cliente, já tínhamos base de quase 70 produtos, com uma linguagem para o funcionário. Aí, preparamos aquela base para também terem respostas para clientes, com termos comerciais e de negócios e não só respostas de processos.

 

Em que ponto de maturação a BIA está hoje?

O volume de intenções, que é a “vontade” de fechar uma transação, triplicou depois da publicidade. Em interações-dia com clientes já estamos chegando a 192 mil, com variação entre 83 e 85% de satisfação na experiência. Toda interação com a BIA fecha com um pedido de feedback. Se o cliente dá uma estrela, eu adoro porque vai imediatamente para o pessoal da CEBIA, que precisa ensinar a BIA a responder certo em até 24 horas. Quando é urgente, ela até acelera isso. E esse processo é contínuo. No Next, a BIA representa 85% do atendimento. Quando a pergunta vem de um cliente, através de chat, é a BIA quem responde. E em 85% das vezes é ela quem resolve. Já passamos a ter um trabalho desenvolvido para transações através da BIA dentro do Bradesco Celular. Para o processo transacional isto é uma evolução sem limites. Começamos com transações menores e estamos evoluindo de forma importante dentro do nosso app. Estamos evoluindo também com a BIA no WhatsApp para clientes que não têm gerente, caso das contas do Next, por exemplo.

 

E qual é o futuro próximo da BIA?

A IA passou a ser parte do nosso trabalho. No passado olhávamos o produto para depois olhar o canal e implantar para o cliente. Hoje, olhamos primeiro a experiência do usuário. Ela norteia o desenvolvimento do canal e do produto. O aprendizado novo também nos permite explorar o território da voz, pouco utilizado no Brasil, mas que vem com muita intensidade. O que acontecerá muito em breve é a evolução para a BIA responder com voz. Nessa primeira etapa, a BIA poderá ter a voz que está dentro do nosso ambiente ou poderá entrar com a voz da Siri, cuja próxima versão virá com a capacidade de emular vozes de outras plataformas. Isso vai abrir oportunidades e formas diferentes para que a BIA e a IA tragam novas habilidades para desenvolvermos a relação com o cliente no ambiente da voz e do texto, de forma mais humana, com mais pessoas envolvidas.

Não existe inovação só pela tecnologia. A inovação vem pelas pessoas e a BIA comprovou isso no Bradesco

Estamos pensando nas relações através do mundo novo, que pode estar em qualquer lugar e não apenas em seu celular, mas na cabeceira de sua cama, em outros devices que vão surgir.

 

O que o Bradesco busca com o inovaBra? Como surgiu essa ideia e em que estágio ela está?

O inovaBra surgiu em 2012. Tínhamos inovações em várias áreas do banco, mas entendemos que a inovação vai além das áreas. Ela vem com a organização e através das pessoas. Com esse olhar, criamos polos de inovação, que hoje é o InovaBra Polos. Este é o primeiro e mais importante programa do ecossistema, porque reúne seis áreas de negócio do banco – Agência do Futuro, Seguros, Produtos e Serviços, Canais, Meios de Pagamento e Backoffice. A inovação precisa vir com o cheque, com a compra de quem representa o cliente. Depois, veio InovaBra Inteligência Artificial. Na sequência, o InovaBra Startups, programa de inovação aberta, que busca novos modelos de negócio aplicáveis ou adaptáveis aos produtos e serviços da organização, e também o InovaBra Ventures, programa de corporate venture que dispõe de 100 milhões de reais em um fundo para investir nas startups.

Também criamos o inovaBra Algoritmo, que não está no site, mas fez uma disseminação de conhecimento através de ciência de dados para que o banco passasse a usar algoritmos em todas as suas áreas. Aí, surgiu a necessidade de olhar para fora, que é o InovaBra Internacional, um radar global conectado aos principais polos de inovação do mundo, para termos gente em Nova York e Londres, com um consórcio de dez bancos não concorrentes. Criamos o InovaBra Habitat, um centro de inovação colaborativa, para conectar os pontos. E como precisávamos testar e homologar todas as ideias, fizemos o InovaBra Lab, um laboratório que centraliza outros 16 existentes nas áreas de tecnologia e negócio do Bradesco para acelerar o processo de homologação a partir de um modelo colaborativo.

 

Grandes empresas tendem a ser conservadoras para preservar aquilo que já conquistaram. Como inovar num ambiente assim?

Tenho de ter os pés no chão, no hoje, e a cabeça no futuro. E isso norteia muito o que fazemos de fato

Ao longo da história, o banco sempre esteve pensando à frente, em como viabilizar, mas com o pé no presente, porque tem de entregar o aqui e agora de forma pragmática. Como toda organização, temos de olhar o resultado, a entrega e o acionista. Se conseguimos antecipar o futuro, certamente antecipamos a história.

Link original da matéria:

https://projetodraft.com/para-inovar-tenho-que-ter-os-pes-no-chao-no-hoje-e-a-cabeca-no-futuro/

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